Afora os excessos combatidos por todos os vereadores, grande parte deles não veem nada demais no ato de tomar vez ou outra uma cervejinha nos parques municipais da cidade. Pelo menos é o que se pode concluir de recente sessão da Câmara Municipal, quando oito dos 19 vereadores rejeitaram projeto de autoria de José Carlos Dias, o Zé Dias (PR), que proíbe porte e consumo de bebidas alcoólicas nos parques públicos. A votação teve cinco votos a favor e cinco ausências, o que derrubou a matéria em plenário. A bebida mais citada entre os vereadores para comentar o projeto foi a cerveja.

O autor até que demonstrou boa intenção na elaboração do projeto, mas não resistiu aos argumentos de alguns vereadores que apontaram falhas no texto. Zé Dias sugeria que a Prefeitura colocasse avisos sobre a proibição nos parques públicos. A infração à lei, segundo a proposta, resultaria em apreensão da bebida e multa. Mais: sugeria que o administrador do parque teria poderes de realizar busca pessoal àqueles que estivessem portando o produto. Para o vereador, cabe ao Poder Público o dever de fiscalizar e adotar as medidas necessárias para coibir a bebida nos locais destinados ao lazer do jundiaiense.

Foi o bastante que Eliezer Barbosa da Silva (PP) pedir a palavra para lembrar que no Parque Corrupira as famílias fazem “uso moderado” da bebida. “Sou contra o uso do álcool em qualquer ambiente, mas esse projeto abrange o Corrupira?”, perguntou. Ao que Zé Dias negou, dizendo que o parque em questão estava “isento” do projeto. “Mas nos demais a gente pode evitar”, emendou ele, complicando-se.

Marilena Negro, do PT, interveio de imediato ao dizer que a matéria já estava “ferida de morte”, pois teria necessariamente de contemplar todos os parques da cidade. E que a busca pessoal e possíveis punições no interior das áreas teriam que ser feitas pela polícia, e não pela Prefeitura. O vereador Dirlei Gonçalves (PV) concordou com a petista, já que no projeto nem o Corrupira é citado. Paulo Malerba, também do PT, chegou a sugerir que Zé Dias apresentasse outro projeto para tratar do tema, sugerindo uma campanha para evitar o abuso do álcool em locais públicos.

Discussão

O embate maior, porém, estaria por vir. Ocupando a tribuna, Rogério Ricardo da Silva (PHS) declarou, logo de início, que o projeto era “ilegal e impopular”. Acompanhe o diálogo dos vereadores:

Rogério: “Então quer dizer que eu não posso pegar uma bolsa térmica para passear com meu filho no parque com três latinhas de cerveja para tomar? Coitado daquele que vai ao Corrupira no 1º de Maio para fazer um churrasco… No Parque da Cidade já não pode, mas não seria pecado nenhum levar umas latinhas…Veja o Parque da Uva, o Bolão…Eu já pequei uma cerveja no quiosque do Bolão e tomei…Você não pode tirar isso da população…”

Zé Dias: “O vereador (referindo-se a Rogério) sempre acha um problema para detonar meus projetos. Eu já votei favorável aos seus projetos de saúde muitas vezes…Pode ser que o senhor até não goste da minha pessoa, mas respeite a sociedade jundiaiense. Se o senhor não quer votar, deixe que os companheiros façam como eles querem…”

Rogério: “Tanto gosto do povo que eu gosto de tomar uma cerveja… E eu acho que todo mundo vota como quiser… Não mando no voto de ninguém… Nada contra o senhor…Só acho que eu tenho o direito de ir até um parque da cidade e levar um “cooler” para tomar uma cerveja gelada embaixo de uma árvore…”

Votaram contra o projeto os vereadores Rogério, Marilena, Paulo Malerba, Antônio de Pádua Pacheco (PV), Márcio Pentecostes de Souza (PMDB), Paulo Sérgio Martins (PPS), Rafael Antonucci (PSDB) e Rafael Purgato (PCdoB). O “sim” foi dado por Dirlei, Eliezer, Gustavo Martinelli (PSDB), o próprio Zé Dias e Roberto Conde de Andrade (PRB). Não votaram por estarem ausentes no momento: Gerson Sartori (PSD), José Adair de Souza (PHS), José Galvão Braga Campos, o Tico (PSDB), Leandro Palmarini (PV), e Valdeci Vilar Matheus (PTB).

Por Cláudia Muller