A praça que eu quero (con)viver

Alguns jovens com sua banda tocando na praça

A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores o mesmo jardim”. Lembro-me da minha mãe cantarolando em casa esta música, memórias de minha infância.

As praças já fizeram mais sentido na vida das pessoas do que fazem hoje. Eram lugares de encontros, namoros, convívio dos mais velhos, lazer das crianças, protestos, manifestações.

Passo ao menos duas vezes por semana por algumas praças do centro da cidade, gosto deste caminhar, aproveito para observar o movimento, os barulhos e olhares da cidade e sempre penso que história cada olhar guarda em si.

Corto a Praça das Rosas, talvez você não saiba qual é a Praça das Rosas, afinal já não há rosas nesta praça, mas vou te ajudar a se localizar; Praça Dom Pedro I ou, se preferir, “aquela em frente ao hospital São Vicente”. Em seguida passo pelo Largo São Bento, e depois a praça do fórum que pra dizer a verdade não sei o seu nome. Poderia citar também a Praça dos Andradas onde levava meu primeiro filho para brincar. Mas o que me chama a atenção nas praças é que todas têm algo em comum, o descuido por parte do poder público que entende como cuidar, cortar o mato de tempo em tempo.

Buracos e remendos no piso são quase um convite a evitar o caminho, as praças ocupadas por pessoas marginalizadas entregues aos vícios e ao ócio de ver a vida passar, tal qual como o lugar que ocupam, tudo entregue ao abandono comum e a indiferença pública.

É pertinente lembrar que faltam locais de lazer e diversão para os jovens, que querem se encontrar e se expressar com suas músicas, cabelos e ideias. Os jovens da nossa cidade não conhecem o footing nas praças. Hoje encontram-se em shoppings num frenético vai e vem envolto a grifes que sugerem como condição “parecer” e não “ser”.

Talvez você também tenha uma lembrança de praça na sua história (ou história na sua praça?). Se a lembrança, a praça e a história são suas, por que temos a tendência de delegar para o outro a responsabilidade por cada uma delas, sem nos dar conta de que, assim, estamos descuidando do nosso convívio em sociedade.

Como vamos ensinar nossos filhos a conviver, se relacionar com pessoas fora da escola e compartilhar se não garantirmos espaços para isso?

Praças revitalizadas, programas de lazer e cultura podem ser também boas alternativas de educação, prevenção e inclusão nos bairros.

About Silmara Meireles

Jundiaiense, psicóloga e psicanalista, coordenadora de programas em educação e saúde emocional para crianças, voluntária do Movimento Voto Consciente, membro do grupo performático Èos, mãe do Thauan, Ian e Nauê.