Para algumas pessoas, geralmente bastante confortáveis em seus carros durante o trajeto entre a casa o trabalho, os problemas da cidade passam despercebidos. Para outras, a cidade mostra, sem filtros, suas desigualdades e dificuldades a todo momento pelas janelas dos ônibus.

Enquanto para alguns Jundiaí é uma cidade insegura e abandonada, para outros – e eu me encontro entre estes – ela é satisfatória e repleta de possibilidades, mesmo com todas as suas adversidades. E ainda há muitas outras ‘Jundiaís’ entre nós.

O que quero dizer é que a concepção sobre o espaço em que vivemos é moldada a partir das nossas experiências diárias, informações acessadas e privilégios – como ter rua asfaltada, água encanada ou morar em uma região com comércios, escolas e outros serviços úteis.

Essa consciência sobre as diferentes dinâmicas dentro da cidade deveria ser óbvia e comum a todos, mas é intensamente subvertida por empreendimentos que vendem falsas sensações de segurança e conforto, dando vida à fantasmas urbanos que nos assombram diariamente.

Ao mesmo tempo, temas como mobilidade, saúde, educação e cultura continuam indignos de atenção por grande parte da população – que apesar de clamar por mudanças e depositar críticas nas redes sociais, segue inerte nos espaços de discussão pública.

Para além deste problema crônico da população, as transformações econômicas e sociais que a Jundiaí enfrentou nos últimos anos dificulta o debate ampliado e participativo, além da consequente busca por soluções para as questões comuns que permeiam a vida na cidade.

Somente a partir da reflexão sobre o espaço que ocupamos, ou em qual Jundiaí vivemos, é que vamos entender as necessidades coletivas e setoriais, assim como os caminhos para solucionar as falhas estruturais na construção da cidade e de nós mesmos, habitantes e mantenedores desse lugar.

É hora de virar a página, entender como a cidade funciona e abrir os olhos para as novas possibilidades – pois devo dizer, prezados jundiaienses, a nossa terra querida já não é mais a mesma, ainda bem!

 

Gustavo Koch é jundiaense, produtor e comunicador cultural, e está Conselheiro Municipal de Política Cultural

Colunista Convidado

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Convidamos colunistas para fortalecer o debate sobre os principais temas e questões públicas de Jundiaí. As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Movimento Voto Consciente Jundiaí.
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