Em São Paulo existe um movimento de cidadania chamado Boa Praça, um ótimo exemplo de pessoas comuns que se organizaram para conquistar em seus bairros a revitalização de praças e sua utilização para eventos de lazer e cultura, devolvendo a praça sua vocação á ambiência; lazer, palestras, pic-nic e diversão. Simples assim? Não. As experiências descritas pelo movimento mostram um árduo percurso e reivindicações que envolvem órgãos públicos, (câmara, prefeitura, secretarias.) verbas orçamentárias, contratação de serviços, execução e manutenção. Mas para que as coisas aconteçam, a sociedade precisa mobilizar-se, envolver-se, buscar alternativas e recursos para resolver problemas. Legitimar e reconhecer os canais de comunicação entre cidadãos e poder público, são fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária.
A cidade que se ocupa em cuidar de suas praças está cuidando da qualidade de vida de seus habitantes, garantindo lazer, bem estar e convívio social. Que isto seja para todos!
Tenho observado a remodelagem de algumas praças em bairros nobres como, por exemplo, a Praça da Rua Major Storch, paisagismo, parquinho, bancos e grades (assunto que renderá outro artigo), não consigo entender a lógica das praças públicas gradeadas. Tudo bonito e aparentando ser da melhor qualidade, o que ecoa em mim ao passar por estas praças é; Se existe por parte da prefeitura um planejamento de revitalização de todas as praças? Se a qualidade dos materiais utilizados serão os mesmos sem distinção? Se a revitalização for para todas, quais os critérios e prioridades? Se todas terão seus projetos e execução com a agilidade da praça acima citada?
Percorro outros bairros não tão nobres, com suas praças abandonadas, tímidos espaço que cumpriram sua única função, de serem inaugurados por um ilustre político também esquecido. Lugares como o centro da cidade, Vila Lacerda, Jardim Bonfiglioli, Vianelo, Vila Arens, Vila Progresso, Vila Helena,Vila Hortolândia, esperam ver suas praças revitalizadas.
Enquanto isso, bairros como o Vista Alegre esperam ansiosamente por um espaço de lazer e diversão para seus moradores.


A experiência do Boa Praça nos traz uma bonita forma de (re)construir comunidade e vizinhança, reforçando laços, amizades e renovando espaços e sentidos!
Saltam aos sonhos as inúmeras possibilidades de pensar estas praças como desenvolvimento do hiperlocal; mapeando os talentos da vizinhança (sejam culturais ou econômicos) e desenvolvimento outras tantas boas iniciativas que conhecemos por aí, como a construção de horta comunitária, grupos de compras coletivas, feiras de trocas e uso consciente de bens duráveis (carros, furadeiras, lavadoras de roupa etc).
Fico esperando seu artigo sobre grades nas praças e pensando como, nesta reflexão, mora outra: das grades em nossas casas e em nossas vidas! Gostei muito deste artigo!
um beijo do henrique
Olá Henrique, sou grata por sua contribuição e comentários, sem dúvida é preciso pensar nas inúmeras possibilidades e no processo de urbanização que estamos vivendo, que cada vez mais, nos deixa distantes destas possibilidades de convívio coletivo em nome de uma pseudo segurança alienante.
Tenho certeza que você também poderá contribuir com as questões que envolvem a segurança e vizinhança.
Um grande abraço,
Silmara