Os efeitos colaterais da globalização transformam os espaços urbanos em panelas de pressão onde os principais ingredientes são muita provocação ideológica e pouco raciocínio. E em tempos onde tutoriais da internet ganham mais credibilidade que orientações médicas, é urgente utilizar criatividade e ferramentas comuns para contribuir no desenvolvimento coletivo.

Para isso, é importante entender a cidade não apenas como organização política e social, mas também como resultado dos hábitos que estabelecemos e das maneiras como ocupamos o território disponível. A cidade reflete quem somos nela – ainda que ultimamente o reflexo não seja completamente nítido.

E vale o alerta, este guia não busca o reconhecimento de uma ‘dieta milagrosa’ que deve ser seguida à risca por uma semana. O objetivo aqui é mais simples e menos arriscado: proporcionar reflexões sobre as maneiras que fazemos e vivemos a nossa cidade. Use sem moderação!

1 – Explore o território

Você conhece a cidade? Se o seu principal meio de locomoção é carro, a resposta é não. E isso não é (apenas) sobre meios alternativos e mais limpos de transporte. Eu estou dizendo para você andar mais a pé, fazer mudanças no trajeto diário e observar cada detalhe. É aquela coisa: primeiro você deve conhecer o lugar onde vive, depois os outros.

2 – Opte por alternativas 

Principalmente de consumo. Valorize os pequenos produtores, seja da sua cidade ou da vizinha. Assim, além de economizar e muitas vezes garantir produtos de melhor qualidade, você colabora diretamente para a diversificação e o fortalecimento da economia local. Isso vale para alimentação, vestuário, entretenimento e tudo mais.

3 – Assuma a narrativa

A cidade só muda quando as pessoas que a fazem também mudam. Sente falta de algo? Crie, promova, estimule ou apoie quem já está fazendo. Só não vale continuar batendo na tecla de que não existe nada para se fazer por aqui, estamos em 2017 e é hora de pôr as mãos na massa!

4 – Estimule novos olhares

Não basta pensar e fazer diferente, também é preciso ver diferente. Isso significa buscar por fontes alternativas de notícias, estimular novas reflexões e até treinar o olhar para observar detalhes que antes passavam despercebidos. Se bem escolhida, informação nunca é demais.

5 – Percorra os processos

A vida na cidade acontece de muitas maneiras, entendê-las é o melhor caminho para transformá-las. Participe das discussões públicas, conselhos municipais, coletivos, ONGs e, sobretudo, acompanhe a política local – e isso não significa ingressar em um partido, afinal, é nosso dever enquanto cidadãos fiscalizar, estimular e pautar a cidade e as pessoas que a governam.

6 – Busque novos métodos

Some todas as informações acima, experimente outros caminhos, proponha novas formas e questione tudo o que pode ser transformado. E sempre, mesmo, utilize a criatividade com inteligência (e o contrário também).

 

Gustavo Koch é jundiaiense, produtor e comunicador cultural, e está Conselheiro Municipal de Cultura.

Colunista Convidado

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Convidamos colunistas para fortalecer o debate sobre os principais temas e questões públicas de Jundiaí. As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Movimento Voto Consciente Jundiaí.
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