Vejo há alguns anos grande movimentação de setores da sociedade civil (especialmente uma parcela jovem e que está redescobrindo Jundiaí) de valorizar os espaços do centro da cidade. Uma dessas iniciativas, chamada Rota do Centro Histórico, saiu do papel.

Todos os créditos devem ser devem ser dados ao entusiasta dessa “Jundiahy”, o amigo José Arnaldo de Oliveira (ele mesmo um ex-libris da cidade), que iniciou esse movimento de resgate.
Eu, morador e também entusiasta dessa região, só posso ser favorável a qualquer movimento que faça as pessoas se encantar com toda a nossa história. E que traga mais vida e movimento ao nosso Centro, que tem sérios problemas.

O comércio local atualmente se resume basicamente a óticas, farmácias, lanchonetes baratas e lojas de produtos que combinam preço baixo e qualidade questionável. Os cafés saíram da área em questão. Temos somente um (muito bom por sinal) na Senador, bem atrás de onde era o Cine Marabá. Com exceção de dentistas populares, restaram apenas alguns escritórios e seus engravatados causídicos (também saudosistas da “Jundiahy”) que resistem bravamente no eixo Restaurante do Dadá-Fórum.

Falando nisso, existem poucos bons restaurantes, nenhuma livraria ou qualquer coisa parecida. À noite, apenas o Mirim Dog e a Cantina Jundiaiense, baluartes do bem comer, dão vida às ruas, disputando atenção com as profissionais dos burlescos, que fazem daqui o local para oferecer seus préstimos (aqui não vou entrar no juízo de valores, mas digo que estou alinhado plenamente com o trabalho desenvolvido pela Associação Maria de Magdala e sua incrível Maria Cristina Castilho de Andrade).

Quem tem carro dificilmente vai para o Centro, pois os estacionamentos são absurdamente caros. Nas vagas de rua, não há lugar. Mas há de se pagar para o “flanelinha” e para a prefeitura através dos parquímetros. Isso sem falar nas pichações, problemas de limpeza, lojas que não respeitam a lei de fachadas…

A real vocação turística da região é comprometida pela sensação de abandono causada por todos os fatores enumerados, e não apenas um.

Culpados? Não vamos perder tempo com isso. O importante é solucionar os problemas. Trabalhar em breve (como disse o diretor de patrimônio histórico William Paixão), com os comerciantes. Fazer, como fez o meu grande amigo Paulo Vicentini, reabrindo os jardins do Solar do Barão. Movimentar-se, como faz o grande José Arnaldo sempre que se trata de nossa história.

Um projeto como esse parece ser uma luz no fim de um tenebroso túnel. Sociedade civil e poder público parecem unidos em fazer e agir. E eu, como morador local, só agradeço.

Samuel Vidilli é sociólogo e professor.

Colunista Convidado

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Convidamos colunistas para fortalecer o debate sobre os principais temas e questões públicas de Jundiaí. As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Movimento Voto Consciente Jundiaí.
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