“Neste domingo (18/09) o Movimento Voto Consciente Jundiaí comemorou seus dez anos de atividades voluntárias na cidade. Uma década acompanhando as sessões da Câmara toda semana. Avaliando o trabalho dos vereadores e divulgando para a população. Realizando oficinas e palestras com milhares de jovens e dando voz a milhares de jundiaienses que apresentam seus sonhos no Concurso Cidadonos.

E neste mesmo dia registro minha saída do coletivo. Espero assim contribuir para mais um passo na consolidação deste grupo que ajudei a fundar e que hoje é tão necessário para Jundiaí. O grupo já enfrentou grandes desafios para se consolidar e venceu. Fundado em 2006, muitos diziam que o grupo lançaria candidatos nas eleições seguintes. Não lançou, mas os mesmos asseguravam que isso seria feito. Não foi. Já são seis eleições e nenhum membro do grupo se candidatou. E nas eleições, o Voto só participa sabatinando os candidatos e distribuindo a Ficha Pública em palestras e eventos. Mais do que isso: proíbe que sua coordenação tenha filiados, busca a rotatividade entre coordenadores e incentiva que mais de uma pessoa responda pelo movimento, evitando a personificação.

Fundado no voluntariado, o grupo precisou resolver uma difícil questão: como fazer grandes coisas e promover mudanças sem ter pessoas que possam se dedicar exclusivamente, ou seja, sem ter nenhum funcionário e apenas voluntários, que estudam, trabalham e dedicam as poucas horas de lazer para trabalhar no movimento? Com organização, planejamento, ideias inovadoras, uso de tecnologia e muita força de vontade o grupo foi que mais acompanhou sessões da Câmara, quem mais fez palestras de educação para a cidadania e quem mais sabatinou os candidatos na cidade durante esses dez anos. Esta foi a segunda consolidação.

A famosa frase da antropóloga americana Margaret Mead nos guiou sempre: Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo. De fato, sempre foi assim que o mundo mudou.

O grupo fez um trabalho intenso de fiscalização entre os anos 2009 e 2012. Propôs e cobrou melhorias na Câmara. Cobrou um Plano Diretor mais participativo. Esteve sempre atento e lançou o concurso Cidadonos porque a cidade precisava de mais espaços para a participação das pessoas comuns. E algumas vozes sempre disseram que essa postura era uma oposição velada. Que essa cobrança era motivada por preferências partidárias. Que em um governo diferente o grupo não cobraria.

Pois entre 2013 e 2016 mantivemos a mesma postura. Seguimos com as mesmas cobranças. Realizamos o mesmo ranking de vereadores, com os mesmos critérios. Avaliamos a revisão do Plano Diretor com a mesma metodologia e o mesmo rigor. Realizamos mais duas edições do Concurso Cidadonos. Está aí a terceira grande consolidação do grupo.

Hoje, esses dez anos provam um trabalho verdadeiramente apartidário, voluntário e que busca fortalecer a sociedade na democracia.Quem me conhece no íntimo sabe que sair do Voto Consciente não é uma decisão fácil, ou sem sofrimento. Busquei me dedicar com toda minha energia para a construção de um sonho que ainda me motiva: o de construir uma cidade da participação na qual os governantes escutem as pessoas e sejam responsáveis e onde os cidadãos tomem as rédeas e colaborem com melhorias, inovações e iniciativas autônomas. E que haja interação e diálogo entre ambos.

E se o sonho não morreu, por que sair? Porque é um amadurecimento necessário. Em todos esses anos fui consciente de minhas responsabilidades e de como minha imagem e a do Voto se entrelaçaram. Talvez pela dedicação que empreguei, pela confiança que o grupo depositou em mim ou por ter atuado sem descanso, nestes dez anos, construindo o grupo em momentos em que éramos poucos. Mas o Voto cresceu e tem uma história própria. Mais do que isso: o Voto dos meus sonhos é um grupo que nunca acabará, pois a construção de uma cidade melhor precisa da atuação deste grupo.

Já há alguns anos o grupo tem outras lideranças. Já há algum tempo sou mais um voluntário. Mas a cultura política brasileira ainda está impregnada de personalismos, de autoritarismos e de machismos. A política ainda significa status e prestígio. E estas lentes muitas vezes nos cegam e só enxergamos de uma maneira deturpada. A partir de amanhã, espero que ninguém mais enxergue o Voto Consciente assim.

Esta deve ser sua quarta consolidação. Que a imagem do grupo transborde a de qualquer pessoa. Que seu caráter coletivo seja percebido, reconhecido e respeitado por toda a cidade. Que as poucas vozes que ainda se recusam a acreditar na missão e nos princípios deste grupo mais uma vez sejam respondidas não por palavras, mas pela prática. Que aqueles que só conseguem ver a política como o espaço para criar “nomes” e “carreiras” aprendam com um grupo que recusa terminantemente este caminho e quer construir um ideal.

Em cada uma das consolidações anteriores, foi muito importante ter pessoas que liderassem, e tivemos várias. Mas o que se mostrou fundamental foi que “as pessoas conscientes e engajadas” do grupo se juntassem e se unissem ainda mais. Tenho certeza que isso será necessário mais uma vez.

Neste momento, poderia falar muitas coisas. Imaginem o que se passa durante dez anos. Poderia enaltecer feitos e resultados do Voto Consciente. Mas, além de explicar os motivos que me guiam e me dão serenidade para esta decisão, prefiro destacar apenas um ponto.

Minha formação política se deu através dessa prática de dez anos. Foi o dia a dia no Voto Consciente, convivendo e trabalhando com jundiaienses excepcionais dentro e fora do grupo, através de parcerias e lutas coletivas, que dialogou com minhas próprias leituras e a formação construída em minha família, dando forma a quem sou politicamente. Resumo este aprendizado em uma frase: Em resposta a uma ética da exclusão, estamos todos desafiados a praticar uma ética da solidariedade.

Assim pensava Herbert José de Souza, o sociólogo Betinho, um dos fundadores da Ação da Cidadania e uma das inspirações de minha casa. Sua visão de sociedade, seu exemplo de perseverança e liderança e seu jeito acolhedor me serviram de guia durante todos esses anos.

Como poucos, ele entendeu como a solidariedade deve acompanhar aqueles que atuam pela cidadania e como ocupar esta posição é vital em uma democracia nova, praticada por poucos e que ainda é reduzida apenas ao interesse partidário – como se à sociedade só restasse disputar o Estado.

Estar à frente ou participar do Voto exige a prática dessa solidariedade. Estar na sociedade e não na disputa pelo Estado. Ser pela colaboração e não pela competição. Construir um diálogo reflexivo e não slogans ou frases de efeito. Estimular o juízo dos demais e não massificar uma verdade única.

A solidariedade é vital para tornar possível a união, os laços e a conexão entre as pessoas. E o interesse público só consegue se realizar se tais laços existirem. Daí a política e a democracia dependerem necessariamente da solidariedade. Atuar no Voto Consciente exige esta solidariedade: a de dialogar com todos e não tomar parte na disputa eleitoral e partidária.

De um lado, penso que o contraditório é criativo. A dialética é essencial para a política. A divergência e a diferença são fundamentais (e solidariedade não quer dizer a ausência disso). De outro lado, vejo que a diferença, levada ao seu extremo, pode virar sinônimo de exclusão; e a exclusão apenas mata a democracia. A exclusão enfraquece, divide, amedronta e enerva. A exclusão pode ser uma escolha nesse momento de frustração, de decepção, de revolta e de raiva.

E infelizmente não faltam políticos e lideranças que juram praticar o bem – ser de bem – para instrumentalizar esses sentimentos e produzir exclusão. Porque excluir seu oponente é sempre o caminho mais rápido para vencer uma eleição, mas ao mesmo tempo é, seguramente, o caminho para enfraquecer a democracia.

Por isso, seguirei desafiado a praticar uma ética da solidariedade nos meus próximos passos e agradeço a estes dez anos no Voto Consciente por me ensinarem isso. Torço para que o grupo siga aprendendo, ensinando, cultivando e praticando este princípio.

Só a solidariedade pode salvar a democracia brasileira e construir uma cidade democrática”.

Henrique Parra Parra Filho.

Programação no Parque ao longo do dia prevê várias atividades

Programação no Parque ao longo do dia prevê várias atividades

O Movimento Voto Consciente Jundiaí comemora neste domingo (18) seus 10 anos de estímulo à cidadania no Município com uma grande festa no Parque da Cidade. A programação será aberta com uma bicicletada logo pela manhã, tendo como ponto alto a introdução de uma cápsula do tempo em um dos pontos privilegiados do parque. O evento, aberto e gratuito para toda a família, prevê ainda a distribuição da Ficha Pública 2016, elaborada pelos voluntários do Voto, e que registra os compromissos dos candidatos às eleições de outubro permitindo a cobrança popular.

As demais atividades logo após a bicicletada, com início previsto para as 8h no portão principal do Jardim Botânico e término no Parque da Cidade, estão assim definidas: apresentação às 10h apresentação de Jazz com o Conjunto de Música Popular da Escola de Música Jundiaí com regência da maestrina Cláudia Feres, seguida do plantio da Árvore da Cidadania e do enterro da cápsula do tempo. Das 11 às 14h serão realizados jogos com os integrantes do Fast Food da Política, uma maneira divertida de se abordar o tema. Durante a comemoração os integrantes do Voto, usando camisetas do evento, poderão comentar e orientar sobre o conteúdo da Ficha Pública, que também traz informações sobre o que faz um vereador e um prefeito. Da mesma forma tira dúvidas, entre outras, sobre voto branco, nulo e quociente eleitoral. O corte do bolo de aniversário está marca do para as 14h.

“Nosso presente de 10 anos é a presença dos jundiaienses na festa”, afirma a coordenadora de Eventos do Voto, Lívia Maria Siqueira. Ela explica que a ideia da cápsula do tempo surgiu depois de várias reflexões sobre a importância dos 10 anos do movimento. “É antes de tudo uma forma de interagir com nossos parceiros e um ‘presente’ para os integrantes do Voto em 2026, quando a cápsula deverá ser desenterrada”, explicou Lívia. Os objetos a serem inseridos na cápsula, segundo ela: fotos dos atuais voluntários e das ações do Voto, uma carta do movimento 2016 redigida para o movimento 2026, os sonhos para Jundiaí para os próximos dez anos na visão de amigos e parceiros e jornal do dia 18 de setembro, além de exemplares da Ficha Pública.