Desde 2006 o Voto Consciente Jundiaí acompanha semanalmente as sessões ordinárias da Câmara Municipal e faz registros que, juntamente com atas oficiais e outros documentos, constituem a fonte de informação utilizada para atribuir notas aos 19 legisladores. Essa avaliação nada mais é do que a apuração do desempenho dos vereadores feita a partir de indicadores de atuação, com resultados obtidos através de dados oficiais e dados externos do trabalho da Câmara.

Os critérios usados para a avaliação têm inspiração na metodologia de acompanhamento e avaliação pelo Voto Consciente São Paulo, e foram ajustados para a realidade de nosso município.

Projetos Relevantes: pontuação atribuída aos projetos apresentados, excluindo-se aqueles de baixo impacto, como nomeação de ruas e inclusão de eventos no calendário municipal. Projetos ilegais não são contabilizados.

Fiscalização do Executivo: número de requerimentos de informação apresentados pelos vereadores para questionamento e análise. Esse critério tem como finalidade a cobrança e o bom uso dos recursos públicos por parte da Prefeitura.

Presença nas Sessões: avalia se os vereadores ficaram até o final das sessões, além das presenças nas votações nominais.

Presença na Internet: monitora se os vereadores têm site e perfil ativo nas principais redes sociais para interagir com os cidadãos e prestar contas de seu trabalho junto à população. O critério prevê também a frequência de atualização das redes.

Presença nas Comissões Temáticas: critério que avalia o trabalho dos vereadores realizado nas comissões temáticas (órgãos técnicos instituídos pelo Regimento Interno da Câmara e destinados a elaborar estudos, emitir pareceres e representar a Câmara, dentre outras funções). São compostas por pelo menos três membros, observada a proporcionalidade na representação de partidos ou blocos políticos. Podem ser permanentes, temporárias ou especiais.

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Desde 2009, o Movimento Voto Consciente Jundiaí avalia o grau de transparência do site oficial da Câmara Municipal da cidade. O propósito é que a avaliação sirva como indicador sobre como o legislativo municipal trabalha com a disponibilização de informações para a população, uma das responsabilidades principais com a qual os órgãos públicos devem se preocupar.

Ao longo dos anos, foram fixados 20 critérios que dizem respeito a exigências básicas sobre participação e controle social, transparência ativa e dados abertos. A partir de 2012, com a Lei de Acesso à Informação em vigor, o movimento adequou a metodologia da avaliação de modo a incorporar as demandas de um governo aberto[1]. Para a edição de 2014-2015, o movimento novamente constatou a necessidade de aperfeiçoar a avaliação, tendo em vista a existência de algumas incongruências ainda presentes no trabalho.

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De modo a tornar a avaliação anual ainda mais coerente com esta ação de constante verificação de dados, foram realizadas novas alterações metodológicas no formato de cálculo da nota final, de modo a melhor capturar eventuais nuances que não seriam percebidas no antigo método de cálculo de nota.

Abaixo, abordamos os dois problemas identificados na antiga avaliação e o modo escolhido para resolver tais questões.

1 – Uma nota 0 em algum dos 4 subitens gerava nota 0 para o item todo.

Como era: Todos os 20 aspectos necessários para que o site seja considerado transparente são avaliados em 4 subitens:

A – O dado existe? (0 ou 1)

B – O dado está atualizado? (0 ou 1)

C – O dado está completo? (0 ou 1)

D – O dado está publicado em formato legível por máquina e disponibilizado para download? (0 ou 1)

Antigamente, a nota total do item era dada pela seguinte formula:

A * B * C * D = Nota do item

Qual o problema: Essa metodologia acaba fazendo com que no caso de um dos quatro subitens ser 0 as nuances são perdidas.

Por exemplo. Imagine que em 2015 os dados existissem, mas não estivessem nem atualizados, nem completos, nem publicados de acordo com o que o item D exige. Identificando isso, para 2016 a prefeitura hipotética do exemplo investiu em melhorias, e fez com que agora os dados estivessem completos e atualizados, mas ainda não disponíveis para download. Em ambas as avaliações a nota seria 0.

A solução escolhida: A fórmula foi alterada para a seguinte:

(A + B + C + 2*D)/5

Deste modo, encerra-se a interdependência de nota dos 4 itens, mas mantém-se a cobrança de melhorias no item D que, historicamente, é ignorado pelas prefeituras quando falamos em transparência.

2 – As divergências entre avaliações dos avaliadores não eram muito bem tratadas

Como era: Todos os anos escolhemos pelo menos 4 avaliadores independentes que avaliam cada um dos 20 itens, em seus 4 subitens. Naturalmente, acabam surgindo pequenas divergências entre o que cada um deles encontra, entende como atualizado ou completo.

Qual o Problema: Entretanto, antes, a nota binária a ser escolhida era decidida por maioria simples. O que mais aparecesse era tomado como verdade, sem permitir-se fracionamento de notas.

A solução escolhida: Foi criada uma faixa extra de nota, de acordo com as notas binárias dadas pelos avaliadores:

Nota 1 = Média das notas > 0,75

Nota 0,5 = 0,75 > Média das notas > 0,25

Nota 0 = 0,25 > Média das notas

Deste modo, a nota passa a capturar de modo mais completo a percepção dos avaliadores.

Acreditamos que a nova metodologia expressa mais adequadamente a nossa proposta de consolidar a avaliação como um indicador seguro do grau de transparência do site da Câmara Municipal. Com as novas mudanças, caminhamos para uma estabilização metodológica. Além disto, pretendemos utilizar a mesma metodologia para a edição de 2016, a ser lançada ano que vem.

[1] Saiba mais: http://www.governoaberto.cgu.gov.br/a-ogp/o-que-e-governo-aberto.

planilha-final-avaliacao-site-camara-municipal-2014-2015

O Movimento Voto Consciente Jundiaí, junto com movimentos sociais e pessoas da sociedade civil da cidade, formaram a Rede Jundiaí 50-50, que convidou na tarde de ontem (24) os candidatos ao cargo de prefeito das eleições municipais de 2016 a se comprometerem com a Carta-Compromisso Jundiaí 50-50 e a plataforma Cidade 50-50 – http://www.cidade5050.org.br/.

Esta proposta visa registrar o comprometimento dos políticos da cidade com os direitos das mulheres e o reconhecimento de políticas públicas específicas no território municipal. É visada a promoção da igualdade entre mulheres e homens nos mais diversos ambientes da esfera pública, garantindo assim uma sociedade que respeita a diversidade e a participação.

Estamos no aguardo das assinaturas dos candidatos Luiz Fernando Machado (PSDB) e Pedro Bigardi (PSD). Segue abaixo Carta-Compromisso enviada a eles:

CARTA COMPROMISSO – JUNDIAÍ 50-50

Inspirada na plataforma Cidade 50-50: todas e todos pela igualdade e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Eu, _______________________________________________________, assumo, na condição de candidato à Prefeito na cidade ___________________________________, Estado __________________________________________________, pelo Partido ___________________________________________, o compromisso com a carta da rede “Jundiaí 50-50” e com a plataforma “Cidade 50-50: todas e todos pela igualdade” (http://cidade5050.org.br/), de acordo com os itens relacionados abaixo:

 

  1. Governança e planejamento

1.1. Fortalecer organismos de políticas para as mulheres (OPM) já existentes no município, como a Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres, com capacidade de articulação de alto nível na gestão municipal e com recursos técnicos e financeiros suficientes e intransferíveis que coordene e estabeleça alianças com as demais secretarias do município e formule, execute e monitore a implementação de políticas públicas para as mulheres; em diálogo e permeáveis ao controle social e participação da sociedade civil;

1.2. Formular e implementar um Plano Municipal Participativo de Políticas para as Mulheres, a partir de fóruns e discussões, que conte com mecanismos permanentes de coordenação intersetorial, divisão de responsabilidades, dotação de recursos, monitoramento e avaliação.

 

  1. Empoderamento econômico

2.1. Fomentar o empreendedorismo e ampliar a oferta de vagas oferecidas em cursos técnicos para as mulheres, especialmente em áreas não tradicionalmente ocupadas por mulheres;

2.2. Promover a discussão sobre igualdade entre mulheres e homens a partir de campanhas educativas acerca da mulher no mercado de trabalho, de modo a abordar a contratação de serviços prestados por mulheres sem discriminação;

2.3. Ampliar a rede pública de políticas de cuidado com o aumento da oferta de vagas em creches, buscando zerar o déficit de vagas no município. Além disso, estipular equivalência de qualidade e cuidado entre os serviços oferecidos pela rede pública e pelos convênios firmados para atendimento da demanda por creches;

2.4. Criar e ampliar o número de restaurantes e lavanderias comunitárias.

 

  1. Participação política

3.1. Garantir a presença de mulheres em sua diversidade na composição do gabinete e das secretarias do Executivo municipal, e observar a presença de mulheres na sua diversidade em todos os níveis hierárquicos, visando, idealmente, um gabinete igualitário 50-50;

 

3.2. Fomentar a contratação de mulheres, considerando critérios de representação étnico-raciais, para ocupar postos de todos os níveis hierárquicos, incluindo-se os níveis mais altos da administração pública municipal direta e indireta;

 

  1. Enfrentamento à violência contra a mulher

4.1. Aderir e implementar o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres;

4.2. Fortalecer Centros de Referência especializados no atendimento a mulheres em situação de violência e capacitar seus profissionais. Em especial, estabelecer atendimento 24h e aos finais de semana na Delegacia da Mulher;

4.3. Capacitar os profissionais que trabalham nos espaços citados em 4.2. para lidar devidamente com mulheres em situação de violência, tendo em vista a formação continuada em direitos da mulher;

4.4. Criar campanhas de conscientização sobre violência contra a mulher e sobre a lei Maria da Penha para a população; criar ou fortalecer grupos terapêuticos para agressores e agredidas.

 

  1. Educação inclusiva

5.1. Incluir conteúdos sobre a igualdade de gênero entre mulheres e homens, direito e respeito à mulher e raça nos currículos escolares do sistema público municipal de educação, a fim de prevenir a violência contra mulheres e meninas dentro e fora do ambiente escolar;

5.2. Realizar cursos de formação continuada em igualdade entre homens e mulheres e em diversidade racial para professores e comunidade escolar do sistema público de educação;

5.3. Expandir espaços de discussão e formação da população sobre o tema da igualdade entre mulheres e homens, abrangendo outros agentes, para além da comunidade escolar.

 

  1. Saúde

6.1. Instalar novas e fortalecer as Unidades Básicas de atendimento de referência em saúde da mulher já existentes no município;

6.2. Capacitar profissionais de saúde no atendimento a mulheres, com atenção especial às gestantes, mulheres em situação de vulnerabilidade e as mulheres em situação de violência;

 

Todos os itens supracitados serão discutidos pessoalmente por mim, caso eleito, e o comitê “Jundiaí 50-50” em até 3 meses após a posse, para definir prazos de execução e definir métodos de acompanhamento das propostas.

 

Local e data: ________________________________________________________________

 

Cargo: _____________________________________________________________________

 

E-mail: ____________________________________________________________________

 

Telefone: ___________________________________________________________________

 

Assinatura: _________________________________________________________________

 

Apoiam e compõem a rede “Jundiaí 50-50” os seguintes interessados:

Movimento Voto Consciente Jundiaí

Observatório Social de Jundiaí

Rede Social Senac

Espaço Cultural Barravento

Conselho Municipal dos Direitos da Mulher

Espaço Arte Lelê da Cuca

Telma Morassutti – Idealizadora do Marketing de Mãe pra Mãe

Fernanda Tibério – Bióloga e educadora no CMEJA

Carolina Scartezini – Atriz

Geane Barbosa – Administradora e psicóloga

Mulheres Empreendedoras Jundiaí

Coletivo Quem Calou Petronilha?

Coletivo 28v

 

“Neste domingo (18/09) o Movimento Voto Consciente Jundiaí comemorou seus dez anos de atividades voluntárias na cidade. Uma década acompanhando as sessões da Câmara toda semana. Avaliando o trabalho dos vereadores e divulgando para a população. Realizando oficinas e palestras com milhares de jovens e dando voz a milhares de jundiaienses que apresentam seus sonhos no Concurso Cidadonos.

E neste mesmo dia registro minha saída do coletivo. Espero assim contribuir para mais um passo na consolidação deste grupo que ajudei a fundar e que hoje é tão necessário para Jundiaí. O grupo já enfrentou grandes desafios para se consolidar e venceu. Fundado em 2006, muitos diziam que o grupo lançaria candidatos nas eleições seguintes. Não lançou, mas os mesmos asseguravam que isso seria feito. Não foi. Já são seis eleições e nenhum membro do grupo se candidatou. E nas eleições, o Voto só participa sabatinando os candidatos e distribuindo a Ficha Pública em palestras e eventos. Mais do que isso: proíbe que sua coordenação tenha filiados, busca a rotatividade entre coordenadores e incentiva que mais de uma pessoa responda pelo movimento, evitando a personificação.

Fundado no voluntariado, o grupo precisou resolver uma difícil questão: como fazer grandes coisas e promover mudanças sem ter pessoas que possam se dedicar exclusivamente, ou seja, sem ter nenhum funcionário e apenas voluntários, que estudam, trabalham e dedicam as poucas horas de lazer para trabalhar no movimento? Com organização, planejamento, ideias inovadoras, uso de tecnologia e muita força de vontade o grupo foi que mais acompanhou sessões da Câmara, quem mais fez palestras de educação para a cidadania e quem mais sabatinou os candidatos na cidade durante esses dez anos. Esta foi a segunda consolidação.

A famosa frase da antropóloga americana Margaret Mead nos guiou sempre: Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo. De fato, sempre foi assim que o mundo mudou.

O grupo fez um trabalho intenso de fiscalização entre os anos 2009 e 2012. Propôs e cobrou melhorias na Câmara. Cobrou um Plano Diretor mais participativo. Esteve sempre atento e lançou o concurso Cidadonos porque a cidade precisava de mais espaços para a participação das pessoas comuns. E algumas vozes sempre disseram que essa postura era uma oposição velada. Que essa cobrança era motivada por preferências partidárias. Que em um governo diferente o grupo não cobraria.

Pois entre 2013 e 2016 mantivemos a mesma postura. Seguimos com as mesmas cobranças. Realizamos o mesmo ranking de vereadores, com os mesmos critérios. Avaliamos a revisão do Plano Diretor com a mesma metodologia e o mesmo rigor. Realizamos mais duas edições do Concurso Cidadonos. Está aí a terceira grande consolidação do grupo.

Hoje, esses dez anos provam um trabalho verdadeiramente apartidário, voluntário e que busca fortalecer a sociedade na democracia.Quem me conhece no íntimo sabe que sair do Voto Consciente não é uma decisão fácil, ou sem sofrimento. Busquei me dedicar com toda minha energia para a construção de um sonho que ainda me motiva: o de construir uma cidade da participação na qual os governantes escutem as pessoas e sejam responsáveis e onde os cidadãos tomem as rédeas e colaborem com melhorias, inovações e iniciativas autônomas. E que haja interação e diálogo entre ambos.

E se o sonho não morreu, por que sair? Porque é um amadurecimento necessário. Em todos esses anos fui consciente de minhas responsabilidades e de como minha imagem e a do Voto se entrelaçaram. Talvez pela dedicação que empreguei, pela confiança que o grupo depositou em mim ou por ter atuado sem descanso, nestes dez anos, construindo o grupo em momentos em que éramos poucos. Mas o Voto cresceu e tem uma história própria. Mais do que isso: o Voto dos meus sonhos é um grupo que nunca acabará, pois a construção de uma cidade melhor precisa da atuação deste grupo.

Já há alguns anos o grupo tem outras lideranças. Já há algum tempo sou mais um voluntário. Mas a cultura política brasileira ainda está impregnada de personalismos, de autoritarismos e de machismos. A política ainda significa status e prestígio. E estas lentes muitas vezes nos cegam e só enxergamos de uma maneira deturpada. A partir de amanhã, espero que ninguém mais enxergue o Voto Consciente assim.

Esta deve ser sua quarta consolidação. Que a imagem do grupo transborde a de qualquer pessoa. Que seu caráter coletivo seja percebido, reconhecido e respeitado por toda a cidade. Que as poucas vozes que ainda se recusam a acreditar na missão e nos princípios deste grupo mais uma vez sejam respondidas não por palavras, mas pela prática. Que aqueles que só conseguem ver a política como o espaço para criar “nomes” e “carreiras” aprendam com um grupo que recusa terminantemente este caminho e quer construir um ideal.

Em cada uma das consolidações anteriores, foi muito importante ter pessoas que liderassem, e tivemos várias. Mas o que se mostrou fundamental foi que “as pessoas conscientes e engajadas” do grupo se juntassem e se unissem ainda mais. Tenho certeza que isso será necessário mais uma vez.

Neste momento, poderia falar muitas coisas. Imaginem o que se passa durante dez anos. Poderia enaltecer feitos e resultados do Voto Consciente. Mas, além de explicar os motivos que me guiam e me dão serenidade para esta decisão, prefiro destacar apenas um ponto.

Minha formação política se deu através dessa prática de dez anos. Foi o dia a dia no Voto Consciente, convivendo e trabalhando com jundiaienses excepcionais dentro e fora do grupo, através de parcerias e lutas coletivas, que dialogou com minhas próprias leituras e a formação construída em minha família, dando forma a quem sou politicamente. Resumo este aprendizado em uma frase: Em resposta a uma ética da exclusão, estamos todos desafiados a praticar uma ética da solidariedade.

Assim pensava Herbert José de Souza, o sociólogo Betinho, um dos fundadores da Ação da Cidadania e uma das inspirações de minha casa. Sua visão de sociedade, seu exemplo de perseverança e liderança e seu jeito acolhedor me serviram de guia durante todos esses anos.

Como poucos, ele entendeu como a solidariedade deve acompanhar aqueles que atuam pela cidadania e como ocupar esta posição é vital em uma democracia nova, praticada por poucos e que ainda é reduzida apenas ao interesse partidário – como se à sociedade só restasse disputar o Estado.

Estar à frente ou participar do Voto exige a prática dessa solidariedade. Estar na sociedade e não na disputa pelo Estado. Ser pela colaboração e não pela competição. Construir um diálogo reflexivo e não slogans ou frases de efeito. Estimular o juízo dos demais e não massificar uma verdade única.

A solidariedade é vital para tornar possível a união, os laços e a conexão entre as pessoas. E o interesse público só consegue se realizar se tais laços existirem. Daí a política e a democracia dependerem necessariamente da solidariedade. Atuar no Voto Consciente exige esta solidariedade: a de dialogar com todos e não tomar parte na disputa eleitoral e partidária.

De um lado, penso que o contraditório é criativo. A dialética é essencial para a política. A divergência e a diferença são fundamentais (e solidariedade não quer dizer a ausência disso). De outro lado, vejo que a diferença, levada ao seu extremo, pode virar sinônimo de exclusão; e a exclusão apenas mata a democracia. A exclusão enfraquece, divide, amedronta e enerva. A exclusão pode ser uma escolha nesse momento de frustração, de decepção, de revolta e de raiva.

E infelizmente não faltam políticos e lideranças que juram praticar o bem – ser de bem – para instrumentalizar esses sentimentos e produzir exclusão. Porque excluir seu oponente é sempre o caminho mais rápido para vencer uma eleição, mas ao mesmo tempo é, seguramente, o caminho para enfraquecer a democracia.

Por isso, seguirei desafiado a praticar uma ética da solidariedade nos meus próximos passos e agradeço a estes dez anos no Voto Consciente por me ensinarem isso. Torço para que o grupo siga aprendendo, ensinando, cultivando e praticando este princípio.

Só a solidariedade pode salvar a democracia brasileira e construir uma cidade democrática”.

Henrique Parra Parra Filho.

unnamedO Movimento Voto Consciente Jundiaí realizará nos dias 18 e 19 de agosto, às 19h, no auditório da OAB, localizado na rua Rangel Pestana, 636, Centro, sabatinas para candidatos(a) a prefeito(a) e para diretores(as) de partidos, que irão lançar candidatos(as) a vereador(a).

As sabatinas serão abertas ao público e os(as) candidatos(as) irão responder perguntas feitas pelo MVC e por entidades de Jundiaí, incluindo escolas. Para candidatos(a) a prefeito(a) será possível a participação da plateia na elaboração de perguntas, que deverão ser formuladas e entregues aos voluntários do Movimento durante o evento. Tais perguntas também passarão por uma triagem prévia pelos mesmos.

As sabatinas serão um momento importante para analisar propostas para a cidade e ajudar o cidadão na escolha consciente do voto nas eleições de outubro.

Confira as regras das sabatinas 2016:

CANDIDATOS(A) A PREFEITO(A)

Com o envio prévio das regras da sabatina, procuramos cumprir com o princípio da publicidade, e também requerer aos participantes o respeito aos moldes formulados, especialmente no que se refere ao tempo determinado para respostas, réplicas e tréplicas.

A Sabatina será divida em 2 momentos:

#1: PERGUNTAS DOS PARCEIROS
Nesta etapa, cada candidato responderá a duas perguntas, que foram previamente formuladas pelos parceiros do MVC.

A ordenação dos candidatos para a resposta será conforme a ordem alfabética, tendo como referência o nome de batismo de cada candidato.

Determinada a ordem de resposta, será sorteada uma pergunta, e o candidato da vez terá 3 minutos para respondê-la.

Uma vez tendo todos os candidatos respondido às respectivas perguntas que lhe foram sorteadas, o ciclo recomeçará, de forma que cada candidato responderá a 2 perguntas.

Desta forma, procuramos promover a paridade de oportunidades para cada candidato. Informamos que essas perguntas não serão divulgadas previamente aos candidatos.

Previsão de duração: aproximadamente 60 minutos.

#2: PERGUNTAS DA PLATEIA

Nesta etapa, os candidatos responderão às perguntas formuladas pela plateia.
O cidadão formulará uma pergunta de seu interesse, indicando qual candidato deseja que a responda, e um segundo candidato que deseja que faça uma réplica à resposta do primeiro.

O candidato indicado para responder terá 2 minutos, ao passo que o candidato indicado para replicar terá outros 2 minutos; após, o candidato indicado para responder a pergunta terá 1 minuto para tréplica (se desejar)

O candidato indicado para realizar a réplica não deve usar tal oportunidade para também responder à pergunta formulada pelo cidadão; deve se manifestar sobre a resposta do outro candidato.

As perguntas deverão ser formuladas e entregues aos voluntários do MVC durante o evento. Ainda assim, tais perguntas passarão por triagem prévia, que será feita pelos voluntários do Movimento Voto Consciente e poderão sofrer adequações, caso contenham qualquer teor político partidário que configure propaganda eleitoral de candidatos presentes à sabatina, ou conteúdos que façam alusão a feitos que contrariam a Constituição, o princípio democrático de direitos, bem como o respeito ao estado laico.

Nesta etapa não haverá quantidade mínima ou máxima de perguntas, mas será observado o tempo destacado para sua ocorrência: 60 minutos.

PRESIDENTES DE PARTIDOS

Com o envio prévio das regras da sabatina, procuramos cumprir com o princípio da publicidade, e também requerer aos participantes o respeito aos moldes formulados, especialmente no que se refere ao tempo determinado para respostas, réplicas e/ou tréplicas.

A sabatina será composta por duas perguntas, que todos os presidentes de partido deverão responder.

A ordenação dos candidatos para a resposta será conforme a ordem alfabética, tendo como referência o nome de batismo de cada participante.

Determinada a ordem de resposta, o representante da vez terá 3 minutos para responder a primeira pergunta (a respeito do Programa de Metas Legislativas).

Uma vez tendo todos os representantes respondido à primeira pergunta, o ciclo recomeçará para que respondão à segunda pergunta (sobre a duração das suspensões das sessões ordinárias).

Desta forma, procuramos promover a paridade de oportunidades para cada candidato. Previsão de duração: aproximadamente 60 minutos.

1) Em 2012, o MVC indagou aos presidentes dos partidos políticos que participariam do pleito eleitoral lançando candidatos a vereador se eles se comprometeriam com a implementação do documento chamado “Programa de Metas Legislativas” (https://goo.gl/YyTptO). Dentre todas (onze, no total), quatro ainda não foram abordadas pelos representantes do legislativo municipal no sentido de serem estudadas e implementadas.
Portanto, tendo em vista o supra relatado, questionamos: caso o seu partido tenha cadeiras na Câmara dos Vereadores para o mandato de 2017-2020, o Sr., em nome do partido que preside, compromete-se com a implementação das quatro metas legislativas constantes do documento “Programa de Metas Legislativas”, que ainda não foram iniciadas?

2) Conforme levantamento feito pelo MVC, de fevereiro a julho deste ano (2016), ocorreram vinte e quatro sessões ordinárias e em absolutamente todas houve interrupções. Os motivos das paralisações são diversos e vão desde homenagens a pessoas e entidades, até recepção a grupos com interesses específicos, que comparecem à Câmara sem prévio aviso, forçando interrupções. Na média, as sessões tiveram uma hora e dez minutos de suspensão. Percentualmente, em 2014 e 2015 as sessões permaneceram suspensas cerca de 27% e 26%, respectivamente, do tempo regimental. Em 2016, no período supra relatado, o percentual já havia subido para 33%. As longas suspensões contribuem para a evasão do público que acompanha a sessão. Também de acordo com levantamentos do MVC, o esvaziamento da plateia se dá após 30 minutos de suspensão, em média.
Portanto, tendo em vista todo o supra relatado, questionamos: Caso o seu partido tenha cadeiras na Câmara dos Vereadores para o mandato de 2017-2020, o Sr., como presidente do partido, compromete-se a implementar regulamentação interna que determine que suspensões das sessões ordinárias superiores a 30 minutos devam ser previamente agendadas (e constar da pauta, divulgada no site institucional na internet) e justificadas?

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Começo este texto com um questionamento que encontrei no livro “A era da Iconofagia”, do professor Norval Baitello Jr.: “será que, nesse mundo de inflação da visualidade, ainda estamos vendo ou apenas imaginamos estar vendo?” Acrescento, ainda, o verbo ouvir nesta pergunta: estamos ouvindo ou apenas imaginamos estar ouvindo?

Após um longo período de “hibernação” com os fatos políticos e sociais do país, decidi acordar para a vida e pensar no coletivo como solução de muitas questões práticas, sociais e emocionais. Não culpo minha família por não ter me dado um direcionamento melhor na política, tampouco por eu ter vivido a maior parte da minha vida em uma cidade provinciana. A culpa sempre foi minha de não estourar a bolha do comodismo e libertar o espírito do que não condizia com minha essência.

Com o questionamento acima, posso dizer que estamos sufocados. Sufocados de ícones, logotipos, imagens desconectadas do nosso ambiente, entorno, história. Muitas vezes achamos que estamos ouvindo e vendo com muita nitidez, mas não estamos. A carga de informações é tanta que não conseguimos discernir de que lado estamos, de qual opinião compartilhamos. Eu realmente estou entendendo o que eles estão falando? Respira.

O que isso tem a ver com o Movimento Voto Consciente? Tudo. A experiência de vivenciar as sessões da Câmara Municipal de Jundiaí desperta e conecta o ouvir, o manifestar, o chorar, o riso, a fúria, os aplausos, a vontade de gritar, de ir embora, de ficar, de abraçar, de tentar entender o porquê, de entender que somos plurais, que nossas opiniões se divergem e que tudo isso não quer dizer que exista uma verdade só.

Essa experiência sensorial me fez refletir o quanto é importante colocarmos a empatia em prática, o quanto precisamos nos unir e fazer da política um lugar mais convidativo para o progresso social e humanitário.

As redes sociais são um grande caminho para a informação, mas, também, geram ruídos na comunicação. Esse consumo exacerbado de imagens que vemos a todo instante em nossa timeline pode nos cegar quando não entendemos os dois lados da moeda. Nenhuma verdade é absoluta, a apuração dos dados e o simples ouvir são gestos grandiosos perante o caos que vivemos nos tempos atuais. Questionar a chuva de informações que recebemos diariamente é o primeiro passo para a formação de opiniões coesas.

Vivenciar essa experiência me fez mais cidadã do meu próprio mundo, possibilitando a mudança de dentro pra fora, como deve ser. (Marina Segre)

O cofundador da plataforma de financiamento coletivo Catarse, Luis Otávio Ribeiro, participa no fim do mês do Laboratório de Inovação Cidadã (LabIC), iniciativa do Movimento Voto Consciente Jundiaí. Como consultor, Luis dará dicas e sugestões acerca do tema, que possibilita a conexão entre criadores e o público interessado em financiar ideias para, neste caso, melhorar Jundiaí. Os participantes do LabIC, cujas inscrições se encerram no dia 16 de abril, poderão utilizar o Catarse como solução para os projetos que necessitem de crowdfunding (financiamento coletivo) para tirar do papel uma ou mais propostas vencedoras do Concurso Cidadonos 2015.

Ribeiro diz que o Catarse nasceu de uma dor: ver gente brilhante com projetos engavetados. Criada em 2011, a plataforma possibilita que projetos sejam executados de forma gratuita via financiamento coletivo pela internet. “Já circularam no Catarse mais de 2.300 projetos criativos, e mais da metade deles obtiveram recursos para execução, o que mobilizou mais de 26 milhões de reais de mais de 270 mil apoiadores”, declara.

Desde então, milhares de músicos, cineastas, quadrinistas, gamers, designers, jornalistas, cientistas e empreendedores utilizam o Catarse para colocar em prática suas ideias com a colaboração financeira direta de pessoas que se identificam com elas. A nova ferramenta, segundo Ribeiro, veio preencher uma demanda importante dos sistemas tradicionais de financiamento da produção criativa no país. “Esta demanda, reprimida por falta de opções, encontrou no Catarse menos burocracia e riscos, mais agilidade e independência do patrocinador”, explica ele, ao citar que a prática exige muito mais dos esforços do idealizador do que da benevolência daqueles que detêm recursos.

Entre as facilidades da utilização da plataforma, estão: comunicação direta com os apoiadores (diferente do Facebook, que não possibilita o diálogo com todo o público); atendimento personalizado e com boas práticas para realizar um projeto de crowdfunding; apoio parcelado em até três vezes sem juros; versão mobile em até 10 dias úteis; e acompanhamento em tempo real das contribuições, bem como a origem desses apoios.

O Movimento Voto Consciente de Jundiaí foi o primeiro a aplicar o crowdfunding na cidade. Anualmente, utiliza o Catarse para recolher recursos para viabilizar a Ficha Pública, jornal que traz o perfil de todos os candidatos a cargos públicos em Jundiaí, com suas ideias e compromissos com metas para os próximos quatro anos.

Prazos/LabIC

Após o período de inscrição, o LabIC terá uma segunda fase com os participantes dos projetos selecionados nos dias 27, 29 e 30 de abril no SENAC Jundiaí. Nesse período os inscritos passarão por módulos de capacitação, mentoria e consultoria, tendo que desenvolver trabalhos de acordo com o solicitado ao longo do Laboratório.

Já no dia 30, os inscritos devem receber auxílio de consultores que estarão disponíveis para cada equipe. Eles receberão dicas e sugestões sobre temas específicos, entre outros o financiamento coletivo. Ribeiro, convidado do LabIC, lembra também que, durante os trabalhos, serão trocadas experiências e referências de projetos para a cidade que já passaram pelo Catarse. Tudo isso aliado à montagem de programas que podem ser viabilizados através da plataforma, com testes para que o empreendedor dê o primeiro passo. O LabIC prevê também uma terceira fase, em que 15 projetos devem ser apresentados pelo líder de equipe, no dia 4 de maio, para uma banca de avaliação. (Marina Segre)

Laboratório de Inovação Cidadã (LabIC) Jundiaí

Período das inscrições: até 16 de abril, no link http://bit.ly/1VcmdsU
Conheça as propostas vencedoras do Cidadonos 2015: http://bit.ly/1FrFwbd
Mais informações: www.votoconscientejundiai.com.br

Coordenadora de Comunicação do Voto Consciente de Jundiaí 
Bárbara Mangieri | babimangieri@gmail.com

A Coordenadoria de Formação e Qualificação do Movimento Voto Consciente de Jundiaí promoveu no último sábado (19), a exibição do filme “As Sufragistas”, inspirado no movimento que teve lugar no final do século XIX e início do século XX na Inglaterra. O filme retrata a vida de um grupo de mulheres que resistia à opressão de forma passiva, sendo ridicularizado e ignorado pelos homens. A partir de determinado momento, porém, a personagem principal decide reivindicar seus direitos e lutar por sua dignidade.

O I Cine Consciente ocorreu na Casa do Meio, em Jundiaí, e contou com a presença da Cientista Social Luana Lopes. Junto com a coordenadora de Formação e Qualificação do Voto, Silmara Meireles, Luana abordou pontos importantes sobre o “ser mulher” em um bate-papo com voluntários e amigos. “O filme é uma oportunidade para se entender o contexto histórico e refletir sobre a luta das mulheres para a conquista do direito ao voto”, afirmou Silmara. É também, segundo ela, uma oportunidade de se pensar nas condições de desigualdade e violência que as mulheres enfrentam ainda hoje no seu dia a dia.

A coordenadora lembra que as questões sobre os direitos e as conquistas femininas abrangem qualquer grupo social. “Quanto mais pudermos lançar luz a estes pontos sombrios que promovem a desigualdade, sejam eles sociais ou de gênero, mais chances teremos de nos aproximar de uma sociedade igualitária e justa para homens e mulheres”, finaliza Silmara.

A ideia da exibição partiu da voluntária Simone Pligher, que assistiu ao filme em janeiro e compartilhou com o grupo a necessidade de exibi-lo. A primeira edição do evento reuniu cerca de 25 pessoas, que puderam compartilhar experiências e histórias sobre o feminismo em suas lutas e conquistas cotidianas. O próximo Cine Consciente está em fase de planejamento. Quais temas você gostaria de debater? Deixe sua opinião nos comentários da nossa fanpage.

BOSQUEHá muito tempo que o nome Bosque não aparece nos mapas de Jundiaí. Mas ele existe. Sobrevivendo aos trancos e barrancos entre o Jardim Messina e o Jardim Bonfiglioli, uma área nobre de nossa cidade.

Esta área verde sempre foi subutilizada pelos moradores daquela região, e nunca figurou como opção de lazer para o jundiaiense, já que praticamente toda a cidade desconhece o local. Nunca apareceu nos guias ou nos itinerários de ônibus. Afinal, o único bosque de Jundiaí não oferece atrativo, apenas a quietude do bairro e a contemplação das árvores. Neste caso, poderia ser um ponto de convivência para encontro de amigos, bate-papo e lazer para as crianças. Uma biblioteca ficaria muito bem ali, pois o sossego é ideal para a leitura ao ar livre. Pela pesquisa sobre hábito de leitura que fiz no bairro, o Jardim Messina e o Bonfiglioli possuem um grande público acima dos quarenta anos de idade que é fiel à leitura. A população sexagenária também é considerável naquela região, e esta parcela pouco sai de casa devido ao problema crônico da insegurança.

No decorrer dos anos, o Bosque – também conhecido como Bosque do Bonfiglioli – ficou com má fama devido à precariedade de suas instalações e a segurança. O espaço é grande para apenas um zelador, o ideal seria haver um posto policial no local, já que suas dependências por muitas vezes foi utilizada para consumo de drogas. Isso contribuiu para afastar os moradores e principalmente as crianças.

Sabemos que as regiões periféricas da cidade necessitam de áreas de cultura, esporte e lazer. De uns anos para cá tivemos inaugurações de importantes áreas, como o Jardim Botânico do Jardim das Tulipas, a área de convivência entre o Almerinda Chaves e o Novo Horizonte, e em breve o Jardim do Lago e o Morada das Vinhas também ganharão tais espaços. Por que não transformar uma área já existente há tantos anos como o Bosque do Bonfiglioli? Afinal, todos os bairros merecem o mesmo tratamento. Se na periferia temos crianças e adolescentes em situação de risco, em áreas nobres temos muitas vezes uma população idosa que precisa de um espaço de convivência para sair dos “presídios domésticos”. É questão de saúde. Saúde física e mental, pois o Bosque pode muito bem receber equipamentos de ginástica e cultura. E muito mais, basta boa vontade política para transformar o local. O Bosque está agonizante, este é o termo mais adequado para classificar a situação em que ele se encontra. É urgente a sua revitalização para tirar as pessoas de dentro de suas residências, para usufruírem da beleza do bairro, rever velhas amizades e também conhecer os novos habitantes da região, que são os moradores dos prédios recentemente erguidos no entorno.

O renascer do Bosque é questão de qualidade de vida. Para aquela região e para todos os jundiaienses conhecerem a joia esquecida em meio a um dos bairros mais bonitos e tradicionais da cidade.

Professor Marcelo PilonO Brasil passa por uma crise de credibilidade em seu sistema político com uma falta de clareza e liderança, sem precedentes. O sistema político brasileiro é definido da seguinte forma:

“O Brasil é uma República Federativa Presidencialista, formada pela União, estados e municípios, em que o exercício do poder é atribuído a órgãos distintos e independentes, submetidos a um sistema de controle para garantir o cumprimento das leis e da Constituição”. (Portal Brasil, 2013).

Há necessidade da presença de alguém com a dimensão necessária para o momento, que pense a salvação da democracia brasileira? A meu ver, não! Não precisamos de salvadores da pátria, queremos ser ouvidos e respeitados. O perigo que vivemos é a falta de credibilidade e a desconfiança no atual sistema político brasileiro.

É notório que nas últimas décadas tivemos grandes progressos no Brasil: a redução das desigualdades, a ampliação da riqueza distribuída e a diminuição da pobreza. Em função destes avanços ampliamos a faixa social, com a melhoria no padrão de vida da população mais pobre e o surgimento de uma nova classe média. Esta faixa social não quer perder a aquisição recente e irá lutar por suas conquistas. Estudando a história, vemos que os que efetivamente lutam e reagem não são os miseráveis, mas os que tiveram conquistas e têm algo a perder. Essa nova faixa social reagirá a qualquer risco de retrocesso. Mas a que custo?

Nas manifestações de junho havia ondas de manifestantes com expectativas diferentes, uma grande obra coletiva, que não apenas carregavam cartazes; eles interpretavam e davam sentido a seus anseios. Havia um questão de “performance”, cada um tinha de fazer a sua manifestação, e à sua maneira, se apropriando da própria manifestação. Não precisava de um líder ou liderança para representá-lo, pois ele era a própria manifestação. Mas ao seu lado havia uma corrente, que formava uma onda de indignação.

Estamos em uma fase de aprendizado. Quando o jovem vai às ruas e começa a fazer perguntas sobre política, é inevitável que ele aprenda o funcionamento do processo político. Ele acaba buscando outros meios de interlocução: na sala de aula, amigos, familiares, professores e nas ruas. É como se a história do pensamento político ocidental tivesse retornado às ruas, rapidamente questionando e interpretando:

• O que é democracia?
• O que é participação?
• Qual o limite de cada um e do outro?
• O que é liberdade?
• Quais são meus direitos?

Mas a falta de foco, liderança e organização foi uma dádiva ou um problema? Na minha análise, um movimento desorganizado, inorgânico, sem liderança, meta, clareza, definição e sem um plano. Existiu, e funcionou! Demonstra que algo está errado no sistema político brasileiro, há um repúdio generalizado contra o baile de máscaras que virou a política brasileira e o distanciamento proposital que nossos representantes mantêm do povo brasileiro; chegamos ao limite.

O que mais assustou a pseudo-esquerda, as oligarquias políticas e o velho modo de se fazer política? O povo demonstrou que os movimentos de massa não precisam de um salvador da pátria ou de um dono. Precisamos criar um novo modelo, que os partidos políticos se organizem ideologicamente e não de uma forma pragmática. Chega de interesses escusos que só visam a manutenção do poder ou a renovação de mandatos.

Na história recente brasileira houve o impeachment de um presidente; rapidamente as velhas raposas da política afirmaram: “o impeachment ocorreu pela falta de uma ‘super maioria’ no congresso que poderia ter blindado o presidente”. Quanto ao tratamento, a Constituição Federal contempla o impeachment como consequência de condutas que atentem contra a Constituição, “Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra…”. (BRASIL. Constituição Federal, 1988).

Essa blindagem do sistema político brasileiro é conhecida com o neologismo “pmdbismo” e seu pilar mestre: só se consegue governar e se manter no poder se o mandatário obtiver uma “super maioria” de apoio legislativo. Na realidade vemos um mandatário refém e envolto em um processo de chantagem permanente. Este modo de fazer política tem consequências; quando todos estão no poder, o sistema político polarizado e a oposição desaparecem.

Vemos também o “pmdbismo social”, movimentos sociais, instituições, sindicatos e organizações estudantis cooptados pelo governo. Os sentimentos da população se opõem a estas instituições e aos partidos políticos brasileiros, e a velha forma de fazer política não vem ao encontro dos anseios dos jovens brasileiros.

Estamos aprendendo juntos, mas devemos ter cuidado para não perder o que já conquistamos, como a democracia e a Constituição. Devemos sair da retórica, avançar e não perder nossas crenças, mas potencializá-las. A nossa crença é parte da construção do futuro; agindo de acordo com nossas expectativas positivas, há possibilidade de construção da mesma. Isso vai depender da nossa capacidade de entender a política e não nos colocar à margem, apenas criticando a política. Devemos tomar cuidado com o desinteresse e a repugnância à política, com a enclausura individual e a rejeição ao coletivo da cidade. A questão não é estar contra a democracia, mas como a democracia representativa brasileira se organizou, e revela-se no limite.

Quais são as consequências e os reflexos na vida política brasileira? Os partícipes do sistema político brasileiro não entenderam esse processo e os políticos não souberam lidar com os anseios da população. No inicio das mobilizações, muitos políticos vieram a publico e deram um caráter partidário e não social às mesmas. Ouvia-se em alto e bom tom o slogan “Vocês não nos representam”. A lição que fica às velhas raposas da política brasileira é que a democracia não se encerra na hora do voto, a democracia é capaz de influenciar o sistema político e direcioná-lo a uma determinada direção.

Estamos em um processo de prontidão na sociedade e caso as respostas não sejam minimamente satisfatórias o povo voltará às ruas.
Muitas das reivindicações eram orçamentárias, o que demonstra uma evolução democrática e a preocupação do povo com o que fazem com o nosso dinheiro e quais são as prioridades do orçamento público. Podemos ver a definição do orçamento público na cartilha da Fundação João Pinheiro e UNICEF, segundo Reiko (2001: 92):

“Documento do Poder Executivo, aprovado pelo Poder Legislativo, que estima receitas e despesas para o período de um ano para todos os seus órgãos, discriminando o programa de trabalho autorizado a ser realizado, elaborado segundo os princípios da unidade, universalidade e anualidade. Do ponto de vista político, corresponde ao contrato formulado anualmente entre governo, administração e sociedade sobre as ações a serem implementadas pelo Poder Público”.

A meu ver no Brasil existe uma falta de transparência: na elaboração, votação, execução e controle do orçamento público, em todas as esferas do sistema político. As questões não são discutidas corretamente e na maioria das vezes as prioridades não são as mesmas da população. Nós queremos que nossas prioridades sejam levadas em conta. Não queremos que o sistema político brasileiro se brinde contra estes anseios.
O clamor popular espelha as redes sociais, onde qualquer um pode se manifestar livremente. Notava-se ao longo dos anos sinais de insatisfação nas mídias sociais, mas de difícil identificação nas redes sociais. Mas qual a diferença entre redes e mídias sociais? As mídias sociais são as ferramentas como o facebook e o Twitter.

As “ferramentas de mídias sociais” são sistemas online projetados para permitir a interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos. Eles possibilitaram a publicação de conteúdos por qualquer pessoa, baixando a praticamente zero o custo de produção e distribuição ao longtail – antes esta atividade se restringia a grande grupos econômicos. Elas abrangem diversas atividades que integram tecnologia, interação social e a construção de palavras, fotos, vídeos e áudios. Esta interação e a maneira na qual a informação é apresentada dependem nas várias perspectivas da pessoa que compartilhou o conteúdo, visto que este é parte de sua história e entendimento de mundo. (Wikipédia, 2013)

Já as redes sociais são as pessoas interagindo com as mídias sociais.

Rede social é uma estrutura social composta por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns. Uma das características fundamentais na definição das redes é a sua abertura e porosidade, possibilitando relacionamentos horizontais e não hierárquicos entre os participantes. “Redes não são, portanto, apenas uma outra forma de estrutura, mas quase uma não estrutura, no sentido de que parte de sua força está na habilidade de se fazer e desfazer rapidamente.” (Wikipédia, 2013)

Hoje o cidadão pode interagir, estruturar e propor de forma direta, sem interlocutores, usa-se as redes e mídias sociais como canais de interação. Há uma defasagem do sistema político atual e devemos repensar o funcionamento da democracia representativa brasileira. De acordo com a (Wikipédia, 2013), “Democracia representativa é o ato de um grupo ou pessoa ser eleito, normalmente por votação, para “representar” um povo ou uma população, isto é, para agir, falar e decidir em “nome do povo”. Os “representantes do povo” se agrupam em instituições chamadas Parlamento, Câmara, Congresso ou Assembleia.”.

Quando este tipo de representação foi instituído no Brasil não se pensava em outro meio de interlocução. Precisamos aperfeiçoar estes meios para melhor entender e interagir com os anseios da população. Há um descompasso claro entre a cultura política democrática da sociedade brasileira e do sistema político brasileiro. Devemos expressar uma nova forma de fazer política, a política coletiva. O sistema político, tal como ele funciona hoje não corresponde com a vida democrática.

Como fortalecer esta nova democracia? Independente de bandeiras fica claro que uma nova forma de democracia está nascendo. Esta nova democracia não é contra a democracia representativa, mas a favor de seu alargamento, com possibilidades reais da democracia e representatividade.

Bibliografia:

BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm.
Acesso em: 06. Mar. 2010

CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: Acesso em: 24. Jul. 2013.

CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: Acesso em: 24. Jul. 2013.

CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: Acesso em: 24. Jul. 2013.

NIIMI, Reiko. Orçamento Público: decifrando a mensagem. Minas Gerais: Unicef- Fundação João Pinheiro, 2001.

Portal Brasil. Disponível em: . Acessado em: 23/ jul./ 2013.

Marcelo Pilon

Graduado em Administração de Empresas, pós-graduado em Administração Empresarial. Coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Comercial, conferencista em Educação Empresarial, professor dos cursos de graduação, MBA e pós-graduação.

Família Feliz - By Pilon

Família Feliz – By Pilon

Nepotismo, Nepotismo-Cruzado e Transnepotismo

O papel do cidadão é acompanhar e “julgar” qualquer movimento, ação ou direcionamento que acredite não ser ético. A ética é um olhar crítico, uma reflexão que pergunta pelo fundamento e pela coerência dos valores.
O caso de “nepotismo-cruzado” ocorrido em Jundiaí teve uma reação do executivo meramente moral. A moral é exatamente o conjunto de normas, regras, leis que orienta a vida dos indivíduos e grupos na sociedade.
O decreto nº 21.578 da última administração de Miguel Haddad deixa claro veta “o exercício de cargo de provimento em comissão ou função de confiança, no âmbito da Administração Pública direta e indireta, por cônjuge, companheiro (a) parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, de vereador”. A meu ver o executivo deve ter mais cuidado para evitar este tipo de situação.

Foi o Judiciário que em 2008 “legislou”, pela Inércia do Legislativo Brasileiro, mas pelo bem do Brasil. O STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou uma súmula vinculante que proíbe a contratação de parentes no Judiciário, Executivo e Legislativo da União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

Segundo a súmula não será considerado nepotismo os seguintes cargos: ministro de Estado, secretários estaduais e municipais, além dos do Distrito Federal.

Será considerado nepotismo os parentes até 3º grau de autoridades e funcionários que foram nomeados para cargos de confiança no serviço público: cônjuge, companheiro, pai, filho, tio, sobrinho, cunhado, avô, neto, sogra, sogro, genro, nora, bisavô e bisneto.

O que motivou a decisão do STF foi o julgamento de uma ação que examinava a contratação de um secretário municipal de Saúde, e um motorista em Água Nova (RN), que eram parentes de um vereador e vice-prefeito.

Mas afinal de contas o que é Nepotismo?

Nepotismo (do latim nepos, neto ou descendente) é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas que não tenham vínculos de parentesco com autoridades e muitas vezes mais qualificadas.

Muitas autoridades, em todos os poderes, criam uma reserva de cargos, para parentes e apadrinhados e, consequentemente, não abrindo novos concursos públicos.

Fiquemos atentos e condenemos todas as formas de nepotismo; podemos afirmar que este tipo de favorecimento abre espaço para a corrupção e degeneração da democracia.

Muitos estão tentando burlar a decisão do STF em relação ao nepotismo; surgem novas formas de nepotismo. È recorrente nos meios de comunicação a utilização de neologismos como: “Nepotismo-Cruzado” e “Transnepotismo”.

Podemos considerar “Nepotismo-Cruzado” a nomeação por parte dos membros do Judiciário, Executivo e Legislativo da União, Estados, Distrito Federal e municípios, de parentes uns dos outros. È a migração de servidores não concursados “dentro de um poder”, por exemplo, na Câmara de Vereadores, o vereador X contrata para atuar em seu gabinete o filho do vereador Y que em contrapartida contrata a esposa do vereador X.

A meu ver, o “Transnepotismo” seria uma troca de favores “entre os poderes”, a migração de indivíduos não concursados de um Poder para outro, por exemplo: O prefeito do município “J” contrata para atuar no município, em cargo comissionado, o filho do vereador “Z” que em contrapartida contrata para o seu gabinete o cunhado do prefeito; há também casos onde o vereador declara sua “lealdade” ao executivo após o mesmo ter contrato seu parente ou apadrinhado.

O mais trágico, e de certo, nada bom para a democracia e o equilíbrio entre os poderes, é a possibilidade do “transnepotismo” e troca de favores entre o Executivo e o Judiciário, com ou sem a troca de parentes para cargos comissionados.

Devemos partir da premissa que o Executivo, Legislativo e Judiciário cumpram a constituição, que os cargos em comissão tenham como atribuição de direção, chefia e assessoramento.

O que parece, é que sempre haverá os espertalhões de plantão, buscando um meio de ludibriar a lei, e continuar a se alimentar das tetas publicas em busca de uma “boquinha” para seus parentes e apoiadores.

O cerco aos apadrinhados não deve cessar, o cidadão de bem deve ficar atento às manobras dos espertalhões de plantão e denunciar.

“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.” (Bertolt Brecht)

Professor Marcelo Pilon, coordenador do curso superior de Tecnologia em Gestão Comercial, conferencista em educação empresarial e professor dos cursos de graduação, MBA e Pós Graduação.

Junte em um caldeirão música, dança, teatro e poesia. Adicione cabeças pensantes e algumas gotas de muito bom gosto. Eis a receita certa do acolhedor Ateliê Casarão, que há quatro anos vem atuando em Jundiaí. Não é difícil entrar no Casarão e ver jovens empolgados falando de arte, a cozinha movimentada e dois dos pequenos cômodos da casa, utilizados como sala de aula, lotados com alunos de todas as idades. O espaço foi criado pelo ator e poeta, Claudio Albuquerque, para incentivar a produção artística da região.
E a programação para 2012 começou fervilhando, além do aniversário de quatro anos, de 02 a 12 de fevereiro – última semana de férias – vai ocorrer a “4ª Mostra 10 Dias de Arte”. A proposta é fazer uma retrospectiva das apresentações que passaram pelo Casarão em 2011, dando uma nova oportunidade para o público que perdeu. Nesta edição participarão oito grupos parceiros, sendo eles o Mixórdia, Grupo FANS, Cia. Tão Distante, Cia. na Ponta da Língua, Grupo Água Fria, Cia. Quanta, Cia. Solo, o projeto Tambores de Inkice, e os trabalhos realizados nas oficinas de dança e teatro do próprio Casarão.
Para encerrar a mostra, o “41º Sarau dos Arteiros” terá sua edição especial de aniversário mas, desta vez, a festa acontecerá no teatro Glória Rocha, á partir das 19h. Uma noite de muita música, palhaçada, poesia, dança e uma competição teatral entre os incentivadores do espaço, disputando o 2º troféu CASARIL de incentivo a arte e arteiragem.
Durante os outros nove dias, a maioria das apresentações começarão às 20h e os ingressos custam apenas R$ 8 por noite, as vagas são limitas, por isso reserve seu ingresso com antecedência pelo telefone (11) 6852-3849. Quem quiser saber mais sobre o espaço, o Ateliê Casarão tem perfil no Facebook e um blog com a programação mensal (www.ateliecasarao.blogspot.com). O espaço fica na Rua Doutor Almeida, N. 265, centro, Jundiaí/SP.

Programação

Dia 02 (Quinta)
ABERTURA OFICIAL DA 4º MOSTRA
“ Se as paredes dessa casa falassem! ”
Venha conhecer, recordar e fazer parte dessa história !
Festa em comemoração aos 4 anos de atividade do Ateliê e Casarão.
Projeção de fotos, fatos e curiosidades dessa trajetória, acompanhada a
queijo e vinho. Aberto ao público.
Inicio às 20h Entrada Gratuita

Dia 03 (Sexta)
“NO INTERIOR DO IMPROVISO”. Grupo Mixórdia
Muito improviso e jogo cênico com os atores do Grupo Mixórdia.
Sessão às 20h Capacidade: 25 lugares

Dia 04 (Sábado)
“12º CLOWNTIDIANO” do Ateliê Casarão
Neste décimo segundo encontro de Palhaços em prol da arte do riso cotidiano, haverá participação dos Grupos FANS e Cia. Tão Distante.
Sessão às 20h Capacidade: 25 lugares

Dia 05 (Domingo).
“HISTORIA DE JOÃO E OUTROS CONTOS” com a Cia. na Ponta da Língua
A história inusitada e divertida da saga de 3 João diferentes que vão dos trapos a plumas da noite pro dia.
Sessão às 20h Capacidade: 25 lugares

“RE – FLUXUS” Criação Coletiva
Trabalho de finalização da 15ª Oficina Provocando com Arte 2011.
Sessão às 20h Capacidade: 15 pessoas

Dia 06 (Segunda)
“AGRESTE” de Newton Moreno
Palavras, aromas, sons, cores… Leitura vivencial do texto vencedor do Premio Shell.
Sessão às 20h Capacidade: 13 lugares

Dia 07 (Terça)
“GLASS”
Performance inspirada pelos impulsos da obra do musico minimalista Philip Glass, resultado da 16ª Oficina Provocando com Arte.
Sessão às 20h Capacidade: 10 lugares

Dia 08 (Quarta)
“ABAJUR LILÁS” com Grupo Teatral Água Fria – Cajamar
Encenação do clássico marginal do grande dramaturgo Brasileiro Plínio Marcos.
Sessão às 20h Capacidade: 20 lugares

Dia 09 (Quinta)
“EU, VOCE E OUTROS TUS.”. Cia. Quanta de Teatro – Rio Claro
A Cia. Quanta de Teatro apresenta a remontagem do premiado trabalho “Brainstorm”, baseado no texto de Clarice Lispector.
Sessão às 20h Capacidade: 20 lugares

Dia 10 (Sexta)
“O TESTEMUNHO” de Marcos César Duarte
A Cia. Solo apresenta a historia de um homem cercado por vaidades e ambições e que, depois de uma transformação, descobre sua libertação tornado-se um pregador da palavra divina.
Sessão às 20h Capacidade: 20 pessoas

Dia 11 (sábado)
Show “DA AFRICA À PERNAMBUCO”.
Show do projeto Tambores de Inkice, coordenado pelo musico Kleber Moura com convidados.
Sessão às 20h Capacidade: 80 lugares.

Dia 12 (Domingo) – Fechamento da Mostra na Sala Glória.
“41º SARAU DOS ARTEIROS”
Edição de comemoração dos 4 anos de atividade do Ateliê Casarão.
Inicio: às 19:00 Capacidade: 300 lugares. Local: Sala Gloria Rocha.

Na minha última coluna no Jornal de Jundiaí Regional, espaço que ocupo há anos, escrevi um artigo chamado “Marcha dos Indignados” em que faço um desabafo a respeito da situação política brasileira nos níveis nacional, estadual e municipal. No caso de Jundiaí, afirmo que a Prefeitura não tem sido capaz de inovar em três problemas centrais para a vida da cidade: Saúde (basta passar na porta do Hosp. São Vicente), Transporte (basta pegar um ônibus ou andar de carro no horário de pico) e Especulação Imobiliária (basta ver a quantidade de prédios e condomínios que crescem na cidade).

Considero, ainda, que temos um grupo de Secretários e Cargos de Confiança nos quadros da Prefeitura há muitos anos, algo que considero péssimo para inovar, e que o Prefeito já deveria ter se aposentado da política, opiniões, todas, que reitero. Fiz as ponderações como um cidadão nascido na cidade de Jundiaí, não como professor e pesquisador. A resposta da coalizão do poder foi truculenta, intimidatória e desproporcional. O Secretário de Finanças foi à Rádio Difusora para me criticar pessoalmente, o Secretário das Comunicações mandou uma carta, em nome de todo o secretariado, mostrando-se indignado com a minha fala e o Secretário do Planejamento escreveu um artigo difamatório, desrespeitoso e vil chamado “Imaturidade Revelada”. Em nenhum momento os nobres secretários refutaram meus argumentos. Usaram, apenas, um falatório chavão e ufanista. Faço parte dos supostos (uso o termo pois não conheço a pesquisa e a idoneidade da fonte) 99% que adoram Jundiaí e, exatamente por gostar da cidade, questiono e escrevo no JJ. Por mais tempo que um grupo político esteja no poder, a cidade não é dele, muito embora eles tratem as coisas como se fossem.

O artigo do Secretário do Planejamento diz muito sobre ele e muito pouco sobre mim, afinal, ele faz uma análise de minha suposta personalidade sem que jamais tenhamos trocado uma palavra. Juntando ao fato de que ele usou a posição de Secretário Municipal para atacar um cidadão de forma pessoal, mostrou que não tem os requisitos mínimos para ocupar o cargo. Não é a toa que a cidade vive um crescimento desordenado, pois o seu secretário de planejamento não tem senso de proporção, pois me comparou ao matador em série Norueguês com base em um artigo meu. Resta repudiar a truculência da Prefeitura, mas agradecer a reação tão desproporcional a uma mera opinião de um cidadão comum, pois no episódio, o grupo do poder mostrou quem ele realmente é.

É com grande satisfação que começo a ocupar este espaço. A ONG Voto Consciente é o que melhor aconteceu no cenário político de Jundiaí nos últimos anos. Iniciativa apartidária, tem conseguido auxiliar no estabelecimento de outro patamar de debate político na cidade.

Não restam dúvidas de que a cidade de Jundiaí possui indicadores sociais e econômicos invejáveis. Os números da educação fundamental, do saneamento básico e de desenvolvimento econômico são excelentes para um país tão desigual e tão injusto como o nosso.

Porém, a cidade ainda possui problemas significativos que precisam ser enfrentados. O sistema de saúde do município e o crescimento desordenado são apenas dois exemplos que precisam ser abordados de forma mais clara e direta pela sociedade civil e pelo poder público.

Mas, no meu ponto de vista, o principal problema de nossa cidade é o encastelamento de uma classe política despreparada e com mentalidade atrasada. A situação, que governa a cidade há mais de duas décadas, o faz de forma centralizadora e autoritária. A Prefeitura conversa muito menos do que deveria com os cidadãos, os Conselhos Municipais e demais instrumentos de participação popular são esvaziados e os políticos locais tentam influenciar negativamente a imprensa. A oposição na cidade é desarticulada e confusa, muitas vezes beira ao amadorismo inocente.

Tanto oposição quanto situação possuem apenas um plano de poder, não um projeto de cidade. A Câmara Municipal está subserviente aos interesses do prefeito e pouquíssimos vereados trabalham de forma independente. A maioria vive do clientelismo barato e do assistencialismo de ocasião, além, é claro, das denominações de rua. O debate político está extremante polarizado, como se apenas pudessem existir duas posições: ou se é a favor do grupo do poder ou se é contra.

Pretendo, neste espaço, ajudar a oxigenar o debate local em busca de uma Jundiaí que todos queremos, em um espaço não vigiado pelas amarras editorias da imprensa tradicional. Só com o debate livre poderemos chegar a uma cidade realmente democrática.