Para algumas pessoas, geralmente bastante confortáveis em seus carros durante o trajeto entre a casa o trabalho, os problemas da cidade passam despercebidos. Para outras, a cidade mostra, sem filtros, suas desigualdades e dificuldades a todo momento pelas janelas dos ônibus.

Enquanto para alguns Jundiaí é uma cidade insegura e abandonada, para outros – e eu me encontro entre estes – ela é satisfatória e repleta de possibilidades, mesmo com todas as suas adversidades. E ainda há muitas outras ‘Jundiaís’ entre nós.

O que quero dizer é que a concepção sobre o espaço em que vivemos é moldada a partir das nossas experiências diárias, informações acessadas e privilégios – como ter rua asfaltada, água encanada ou morar em uma região com comércios, escolas e outros serviços úteis.

Essa consciência sobre as diferentes dinâmicas dentro da cidade deveria ser óbvia e comum a todos, mas é intensamente subvertida por empreendimentos que vendem falsas sensações de segurança e conforto, dando vida à fantasmas urbanos que nos assombram diariamente.

Ao mesmo tempo, temas como mobilidade, saúde, educação e cultura continuam indignos de atenção por grande parte da população – que apesar de clamar por mudanças e depositar críticas nas redes sociais, segue inerte nos espaços de discussão pública.

Para além deste problema crônico da população, as transformações econômicas e sociais que a Jundiaí enfrentou nos últimos anos dificulta o debate ampliado e participativo, além da consequente busca por soluções para as questões comuns que permeiam a vida na cidade.

Somente a partir da reflexão sobre o espaço que ocupamos, ou em qual Jundiaí vivemos, é que vamos entender as necessidades coletivas e setoriais, assim como os caminhos para solucionar as falhas estruturais na construção da cidade e de nós mesmos, habitantes e mantenedores desse lugar.

É hora de virar a página, entender como a cidade funciona e abrir os olhos para as novas possibilidades – pois devo dizer, prezados jundiaienses, a nossa terra querida já não é mais a mesma, ainda bem!

 

Gustavo Koch é jundiaense, produtor e comunicador cultural, e está Conselheiro Municipal de Política Cultural

Tarcísio, Galdino e Walmor: reencontro de antigos rivais com grande representatividade em Jundiaí

Tarcísio, Galdino e Walmor: reencontro de antigos rivais com grande representatividade em Jundiaí

No momento em que o Legislativo de Jundiaí se renova com a eleição de dez novos vereadores para o mandato 2017/2020, a Câmara de Jundiaí reservou na última terça-feira (02) uma pausa nas discussões políticas, agora sob os holofotes da disputa para prefeito em segundo turno. O encontro, realizado pela manhã, reuniu ex-vereadores veteranos no plenário que marcaram presença na Casa. Antonio Galdino, Tarcísio Germano de Lemos e Walmor Barbosa Martins, que também foi prefeito duas vezes, serão personagens de projeto da Câmara que pretende registrar a biografia de todos os parlamentares que passaram pelo Legislativo local.

O encontro aconteceu em clima de camaradagem entre os veteranos, “adversários políticos ferrenhos,
mas não inimigos” , segundo Tarcísio, de 86 anos.  O ex-vereador reforçou a importância do debate de alto nível na Casa numa época em que, segundo ele, a política reflete intolerância entre opiniões opostas. Tarcísio foi vereador por nove mandatos e passou pelos partidos PTN, PDC, PSD, MDB e PMDB, enquanto que Galdino (84), ainda filiado ao PT e para quem “a política é uma arte que não pode ser feita de maneira rasteira”, cumpriu seu mandato por três vezes consecutivas (1960/1963; 1997/2000 e 2001 a 2004).

Os três veteranos legislaram conjuntamente em uma época difícil, nos tempos de chumbo da ditadura militar. Walmor Barbosa Martins (86), que foi vereador por três mandatos (1956/1959; 1960/1963 e 1964/1969) e prefeito (1969/1973 e 1989/1992), não é mais filiado a qualquer partido. Ele, que  pertenceu ao PL e ao PSP, elogiou a coragem de Galdino nos anos de ditadura. E disse não ter interesse em voltar à ativa porque, na sua opinião, “os políticos transformaram ideologia em profissão”. A visita dos ex-vereadores teve início com uma conversa informal no salão nobre – área das “sessões secretas naquele tempo”, brincou Tarcísio, para quem Galdino era de esquerda e ele e Walmor de “centro”.  Os veteranos voltaram no tempo olhando fotografias antigas e relembrando os fatos políticos que fizeram a história de Jundiaí.

Novos vereadores

Enquanto os ex-parlamentares contam suas histórias e experiências, a Câmara de Jundiaí prepara-se para fechar os trabalhos do ano e receber os novos vereadores eleitos no pleito do dia dois de outubro. São eles: Wagner Tadeu Ligabó (PPS), Dika Xique-Xique (PR), Romildo Antonio (PR), Cristiano Lopes (PSD), Douglas Medeiros (PP), Cícero da Saúde (PROS), Antônio Carlos Albino (PSB), Edicarlos Vieira (PSD), Arnaldo da Farmácia e Faouaz Taha (PSDB).

Reeleitos, permanecem na Casa: Gustavo Martinelli (PSDB), o mais votado, Leandro Palmarini (PV), Paulo Sérgio Martins (PPS), Marcelo Gastaldo (PTB), Márcio Cabeleireiro (PMDB), Rogério Ricardo da Silva (PHS), Valdeci Delano (PTB), Pastor Roberto Conde (PRB) e Rafael Antonucci (PSDB). Dentre os nomes que não conseguiram a reeleição estão o pastor evangélico Dirlei Gonçalves (PV), um dos mais votados em 2012, e Gerson Sartori (PSD), atual líder de governo na Câmara.

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O Movimento Voto Consciente Jundiaí é um movimento livre e apartidário, que trabalha em prol da educação para a cidadania, atuando em diversos projetos e ações que visam integrar os cidadãos aos acontecimentos políticos da cidade, tanto no plano executivo, quanto no plano legislativo. Com presença há dez anos na cidade, o grupo foi fundado a partir da iniciativa de segmentos da sociedade e conta hoje com aproximadamente quarenta integrantes, sendo vinte e cinco deles voluntários atuantes e demais colaboradores.

Por ser um movimento livre, o Voto Jundiaí sempre optou por não ser institucionalizado e não recebe nenhum tipo de aporte financeiro. O dinheiro para suas ações e projetos provém de financiamentos coletivos e assim permanecerá. Há alguns anos trabalha para que sua identidade não mais seja denominada ONG (Organização Não Governamental), que possui personalidade jurídica. Entre as suas principais realizações estão a avaliação de vereadores, o concurso de ideias chamado Cidadonos, o acompanhamento semanal das sessões da Câmara Municipal e os encontros de cidadania, onde milhares de jundiaienses, -principalmente escolas e faculdades – participam de palestras, oficinas, debates e bate papos sobre política.

O Voto Jundiaí é um grupo de ação e seu trabalho, anos após ano, vem conquistando e ganhando espaço e destaque, além de total credibilidade por parte da população, instituições parceiras e representantes dos principais segmentos da sociedade civil local. Em 2016 lançou a terceira edição da avaliação dos vereadores, projeto que avalia a atuação do legislativo em seu mandato vigente sob cinco indicadores (conheça em detalhes cada indicador clicando aqui). A avaliação tem por objetivo mostrar o trabalho realizado pelos dezenove representantes jundiaienses, eleitos pela população.

Pretende-se nesse processo enaltecer os feitos da Câmara de Jundiaí, estimulando assim o auxílio às questões da esfera legislativa, exercendo o direito de fiscalizar, acompanhar e cobrar os vereadores, algo totalmente legítimo numa sociedade regida pela democracia e onde a participação é a única e principal garantia de transparência e lisura.

Durante a sessão ordinária da última terça-feira, dia 4 de outubro de 2016, três vereadores manifestaram-se contra o Voto Jundiaí por discordarem da avaliação de suas legislaturas, que por uma grande coincidência ganharam as últimas posições. Na oportunidade, defendeu-se até mesmo que o movimento deveria ser impedido de avaliar os vereadores – agentes públicos, pagos com dinheiro também público, que fique bem claro.

Diante do ocorrido, o Voto Jundiaí apresenta esta nota para esclarecer e defender-se das acusações feitas. E, antes de tudo, deixa claro que acredita na importância da participação e fiscalização do Poder Público pelos cidadãos para a construção de uma sociedade melhor e mais justa.

Finalizando, esclarece também que faz parte das etapas do projeto da avaliação a apresentação, aos vereadores no início dos mandatos, dos critérios utilizados pelo movimento, além da apresentação, em evento aberto ao público, de previa dos resultados antes do fechamento dos índices globais de cada um dos parlamentares.

O envio dessa previa aos vereadores é outra etapa, em que se solicita a conferência e a revisão dos resultados, se necessário. Os dados que compõem em números os critérios são obtidos através de três diferentes fontes: portal da Câmara Municipal, os vídeos das sessões disponibilizados no mesmo portal eletrônico, além das planilhas com anotações feitas pelos voluntários de acompanhamento. As três fontes são conferidas e confrontadas para garantir a veracidade das informações.

Portanto é inaceitável e descabida a alegação de desconhecimento do processo da avaliação feita, entre os queixosos, por um dos vereadores. O movimento sempre esteve, está e estará à inteira disposição de quem quer seja para esclarecer quaisquer tipos de dúvidas que porventura surgirem sobre todos os projetos e ações por ele encabeçados. Razão pela qual repudia totalmente críticas que tenham a intenção de desqualificar e ferir a transparência do trabalho e o apartidarismo. Além, é claro, de colocar em xeque a credibilidade dos voluntários do grupo.

Acompanhado pelo público, o enterro da cápsula foi feita por integrantes do Voto, entre eles a voluntária Márcia Pires (foto)

Acompanhado pelo público, o enterro da cápsula foi feita por integrantes do Voto, entre eles a voluntária Márcia Pires (foto)

O Movimento Voto Consciente Jundiaí recebeu, no último domingo (18) um público interessado na prática da cidadania para comemorar a passagem dos seus 10 anos de existência. Os que compareceram à festa, realizada no Parque da Cidade, participaram de várias atividades organizadas pelos voluntários do movimento, entre elas um café da manhã, um passeio que reuniu dezenas de ciclistas e apresentação do Conjunto de Música Popular da Escola de Música Jundiaí. Jogos com integrantes do Fast Food da Política, que incentivaram de forma lúdica discussões sobre o bom uso do voto, despertaram o interesse dos visitantes.

A grande atração, porém, foi  o enterro de uma cápsula do tempo que guarda, entre outros objetos, um exemplar do dia do Jornal de Jundiaí Regional com o intuito de retratar o momento político, econômico e social da cidade e os “sonhos” dos jundiaienses para 2026, quando a caixa será aberta. Os “sonhos”, segundo a coordenadora de Eventos Lívia Maria Siqueira, foram coletados através de e-mails e mídias sociais e sugerem desde alimentação saudável para a comunidade até melhorias para o transporte no Município.

Durante o evento – que incluiu o plantio de uma árvore, o corte do bolo de aniversário e exibição da bateria da Escola de Samba Leões da Hortolândia – foram distribuídos exemplares da Ficha Pública, elaborada pelos voluntários do Voto. A ficha, que registra os compromissos dos candidatos às eleições de outubro, traz também, entre outros assuntos, uma avaliação dos vereadores de Jundiaí no mandato 2012/2016, resultante de rigoroso acompanhamento semanal nas sessões ordinárias da Câmara para fiscalizar o trabalho do Legislativo.

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Os seis candidatos a prefeito de Jundiaí já estão nas ruas visitando pontos movimentados da cidade e conversando com os eleitores. Mas antes disso – três dias depois de liberada a campanha oficial –  eles se enfrentaram na primeira sabatina realizada no Município. No debate, promovido no último dia 18 pelo Movimento Voto Consciente Jundiaí e que lotou o auditório da Casa do Advogado, núcleo da OAB Jundiaí, os candidatos, em tom afiado, discutiram temas das respectivas campanhas ligados à área de cultura, transportes, educação, saúde, meio ambiente, agricultura e mobilidade urbana.

Dividida em dois blocos, a sabatina, acompanhada por mais de 200 pessoas, recebeu Íbis Cruz (PTC), Luiz Fernando Machado (PSDB), Marilena Negro (PT), Paulo Tafarello (PSOL), Pedro Bigardi (PSD) e Ricardo Benassi (PPS), que responderam perguntas feitas por entidades parceiras do Voto e também pela plateia. Uma ótima oportunidade, segundo os coordenadores do Voto, para analisar propostas para a cidade e para ajudar o cidadão na escolha consciente do voto nas eleições de outubro.

Ex prefeito de Jundiaí  Ibis Pereira, onde atuou entre 1973 e 1977, é lembrado pela criação de quatro grandes avenidas: a Nove de Julho, Imigrantes, 14 de dezembro  e Frederico Ozanan. Defendeu a criação de uma comissão de cultura quando perguntado sobre como oferecer suporte às leis de incentivo à área e deu uma tropeçada quando disse não estar a par das discussões em torno do Movimento Escola sem Partido, que afirma representar pais e estudantes contrários ao que chamam de “doutrinação ideológica” nas salas de aula brasileiras.

Plateia

Cutucões entre os prefeituráveis e discursos elaborados prevaleceram na sabatina, em que uma agitada plateia, formada por apoiadores, assessores e pessoas do meio político, foi criticada pelos candidatos. Em meio a esse clima o tucano Luiz Fernando Machado ressaltou a importância da responsabilidade da prefeitura sobre a primeira infância ao ser questionado  sobre educação. “Pretendo governar oferecendo capacitação aos professores e fortalecendo nossa rede administrativa, que se encontra enfraquecida”, disse.

A candidata do PT, Marilena Negro, discorreu sobre seus planos para agricultura e economia solidária. “Esse processo (economia solidária) é transversal e vai investir no turismo, nas cooperativas e em tecnologia de campo”, afirmou. Para ressaltar: “Devemos produzir para a nossa própria cidade”. Paulo Tafarello, do PSOL, posicionou-se sobre meio ambiente ao ser chamado para comentar o tema. Ele defendeu a proteção integral da Serra do Japi já que, na sua opinião, o Plano Diretor Participativo elaborado pela Prefeitura e aprovado recentemente pela Câmara Municipal, não prevê essa defesa como um todo.

Tafarello disse considerar também que a prefeitura tem cargos de comissão em excesso e em coordenadorias com pouca atividade. No que foi rebatido pelo prefeito Pedro Bigardi, candidato à reeleição pelo PSD. “Você está equivocado”, disse, referindo-se a Tafarello. “Graças ao projeto de uma comissionada trouxemos a Estação da Juventude ao Complexo Fepasa”. Bigardi falou também sobre o plano cicloviário de sua plataforma de governo, agora calcado nas diretrizes do novo Plano Diretor.

Já Ricardo Benassi (PPS) afirmou que seu plano de metas prevê a valorização do patrimônio histórico e cultural de Jundiaí, defendendo a isenção fiscal. Não sem antes, ao dar conta que tinha tempo de sobra para finalizar uma de suas respostas, arrancar risos dos presentes ao pedir votos anunciando seu número de candidato. Para Benassi ainda há déficit habitacional na cidade e, por isso, vê com bons olhos a possibilidade de se construir imóveis com responsabilidade. Na fase de réplicas e tréplicas da sabatina os candidatos debateram ainda soluções para os problemas relacionados ao Hospital São Vicente de Paulo e sobre a possibilidade de impedir a venda, pelo governo do Estado, da área do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) de Jundiaí, o Centro de Engenharia e Automação (CEA).