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O maior crime que sofremos não é contra nosso patrimônio.

Publicada em 16/07/2011 às 15:27 | por Silmara Meireles

Não vou discordar se você se preocupa com sua casa, seu carro, seu vil metal.  Quem ganha seu próprio dinheiro, com o suor de seu trabalho, sabe exatamente quanto lhe custa.  Na intenção de nos protegermos e ao nosso patrimônio, caímos no engodo de vivermos cercados, trancafiados, escondidos atrás de insulfilmes.  Ledo engano, como na música do Rappa, as grades são para trazer proteção e trazem também o aprisionamento. Quem não conhece uma história de assalto em qualquer condomínio de casas ou apartamentos de nossa cidade, conheço várias, quase nunca divulgadas nos jornais. Assaltos em estacionamento de supermercado, semáforos, portão de casa, ponto de ônibus, enfim, o que é que estão nos roubando?

Posso falar de minhas experiências, nunca fui assaltada, mas já me roubaram preciosidades. Dia 28 do mês passado meu filho mais novo foi assaltado em frente ao terminal central. Não fui à delegacia fazer B.O. (já fiz isto em outro momento com meu filho mais velho), pois o que levaram do meu filho é subjetivo. Não vai constar na notificação do boletim de ocorrências. Levaram dele a confiança de se sentir seguro ao andar pelas ruas, levaram também a minha tranqüilidade de ensinar meu filho a ter autonomia, de poder ir e vir sozinho de sua escola, levaram a sua dignidade de cidadão e a condição de pertencimento. Foi roubada também sua leveza juvenil de quem começa a trilhar uma independência.

Adoro receber amigos em casa, pessoas queridas, moro em um bairro afastado com iluminação precária e há dois anos tive amigos que passaram por assalto e seqüestro quando estavam a caminho de minha casa. Tudo acabou bem! Mas meus amigos não aparecem mais, nem para um café da tarde.

A insegurança mora em toda a cidade, está em todos os lugares, bairros periféricos e região central, muda suas características, sua tipologia de crimes e não temos políticas públicas preventivas. Não acredito que grades, muros e alarmes sejam preventivos reais.

Sofremos de uma falsa segurança e de uma insegurança crônica. O poder público responsável pela segurança não tem efetivo. Programas de educação, cidadania e combate as drogas são insuficientes.

E nós, cidadãos, criamos um sistema de convivência em que muitos não conhecem o vizinho do lado, não reconhecem a dinâmica de sua rua, bairro ou moradia, dificultando a possibilidade de nos protegermos enquanto comunidade. A segurança não está no isolamento, está na convivência. A solução não está no discurso do lamento e sim na reflexão deste jeito que construímos para conviver. Precisamos rever a forma que expressamos nossa indignação e reivindicamos nossos direitos, bem como as ferramentas que podemos utilizar para ressoar nosso pedido de políticas preventivas de segurança.  A internet traz ferramentas fantásticas que permitem a criação de fóruns de debate através de redes sociais, aproxima ideias, pessoas e nos convida para um exercício de reflexão e cidadania.

 

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2 respostas para “O maior crime que sofremos não é contra nosso patrimônio.”

  1. Avatar Cleber disse:

    Essa ideia é fundamental: A segurança não está no isolamento, está na convivência.
    Acho que promover a convivência nas cidades é nossa tarefa política mais importante!

    Para reforçar as ideia deste artigo, recomendo o filme “O Homem ao Lado” (filme argentino: El Hombre de al Lado). http://www.youtube.com/watch?v=3XayM4yBlig
    Também me lembrei do “Promessas de um Novo Mundo”, documentário emocionante e obrigatório… http://www.youtube.com/watch?v=3XayM4yBlig

  2. Simone de Andrade Pligher Simone de Andrade Pligher disse:

    Boa reflexão, Silmara! E ainda parafraseando o Rappa: qual a paz que eu não quero conservar para tentar ser feliz? Precisamos sair da zona de conforto e iniciar uma discussão mais profunda sobre as raízes da violência… Assistir ao Datena e sonhar com uma casa em condomínio de alta segurança e carro blindado, definitivamente, não vai resolver nossos problemas…

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