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A arte nossa de cada dia

Publicada em 03/06/2011 às 19:30 | por Simone Pligher

Visitando o site do concurso “Cidadonos“, tive a grata satisfação de conhecer idéias incríveis e importantes para a cidade ( vide site www.cidadedemocratica.org.br ) o que me inspirou a  falar um pouco sobre o sonho de viver numa cidade culturalmente efervecente, que confesso  ser também  um  sonho meu.  Chamo de cultura, aqui,  as manifestações artísticas (teatro, música, artes plásticas, cinema, literatura, fotografia) e parto da convicção de que a arte é uma das principais fontes de  auto-conhecimento e desenvolvimento humanos, daí a relevância das idéias compartilhadas e a importância da concretização desses sonhos.

Mas o que é preciso para que a cidade cultural dos nossos sonhos se torne real?  Talvez o primeiro passo seja o reconhecimento  e valorização da produção artística local,  inclusive como espaço de aprendizado e intercâmbio de informações. Tomo como exemplo  minha experiência como coralista da Cia. Canto Vivo. Obviamente eu já gostava de música antes de integrar este coro, mas também foi através desta experiência  que tomei contato com outras pessoas que também gostam de arte, onde conheci novos repertórios e aprendi sobre outras referências musicais, que por sua vez me motivaram a estudar canto e teoria musical,  a ouvir novos discos e assistir a novos espetáculos.  O inverso também pode acontecer: ser tocado tão profundamente por alguma produção artística a ponto de querer aprender a pintar ou a dançar, desenvolvendo a partir daí um senso mais aprimorado de apreciação de arte.

Posso concluir, portanto, que esse tipo de experiência,   além de ser extremamente saudável em termos psíquicos, é uma importante forma de  produção e incentivo à cultura, contribuindo especialmente para a formação de público e socialização de conhecimento e experiências.

O desafio, contudo, é proporcionar esse tipo de vivência ao maior número de pessoas, evitando-se, desta forma, a elitização da cultura.  A escola (especialmente as de tempo integral) possui um potencial importante nesse sentido e pode ser um espaço para a descoberta da arte  como canal de expressão, auto-conhecimento  e prazer, afastando-se do conceito disciplinar e aproximando-se da experiência subjetiva, mas este é um tópico que deve ser desenvolvido em outra oportunidade.

Outro ponto importante são os espaços de participação cidadã na construção de políticas de cultura. Ao lado de ferramentas de webcidadania, temos na cidade o Conselho Municipal de Cultura(http://www.jundiai.sp.gov.br/PMJSITE/biblio.nsf/V03.01/smcc_conselhos_cultura/$file/dec_20888.pdf) cujas atribuições são as seguintes:

Art. 3º  – Ao Conselho Municipal de Cultura, de caráter consultivo, normativo e deliberativo, compete;

I – Representar a sociedade civil de Jundiaí, junto ao Poder Público Municipal, em todos os assuntos ligados à cultura;

II – Elaborar, junto à Secretaria Municipal de Cultura, diretrizes e normas da política cultural do Município;

III – Aprovar orçamentos, planos e programas referentes às atividades do Conselho;

IV – Apresentar, discutir e deliberar sobre projetos relativos à produção, ao acesso e à difusão dos bens culturais, bem como sobre os relativos à memória histórica, artística e cultural de Jundiaí;

V – Apoiar projetos e ações que estimulem a descentralização e a democratização das atividades de produção e difusão culturais do Município;

VI – Garantir a continuidade dos projetos culturais de interesse do Município, independentemente da mudança de governo e/ou do Secretário Municipal de Cultura;

VII – Emitir pareceres sobre questões referentes às prioridades programáticas e orçamentárias da pasta; as propostas de obtenção de recursos; as propostas de fundos de incentivo à cultura, a firmatura de convênios com instituições culturais e de outros interesses;

VIII – Mapear a cultura do Município, registrar os artistas, suas produções e suas manifestações, visando atualizar o cadastro da produção cultural de Jundiaí;

IX – Fazer circular, dentro e fora da cidade, à produção artístico-cultural do Município;

X – Avaliar a execução das diretrizes e metas anuais da Secretaria.

§ 1º – Ao Conselho Municipal de Cultura será garantido, no cumprimento de suas atribuições, acesso aos documentos e procedimentos da Secretaria Municipal de Cultura.

§ 2º  – O Conselho Municipal fará públicas suas resoluções, planos, diretrizes, metas e avaliações na Imprensa Oficial do Município

As competências acima mencionadas são de extrema relevância, mas  parece que ainda não atentamos para a  real importância dos conselhos, que é composto por membros da sociedade civil e do poder público, de forma paritária. Por conta de tantos anos vivendo sob ditadura, talvez ainda não aprendemos a lidar com a idéia de participação na vida pública de forma cooperativa, contudo, na minha opinião esta é uma construção em que vale a pena investir todos os nossos esforços,  tornando real a possibilidade de realização dos nossos sonhos culturais e democráticos. Um exemplo de uma possível conquista nessa articulação é a criação do Fundo Municipal de Cultura (https://www.polis.org.br/download/arquivo_boletim_73.pdf), cuja proposta cabe ao Conselho de Cultura nos termos do artigo VII do artigo supra mencionado.

Vivemos um tempo de crescimento econômico mas, parafraseando a banda Titãs,  ” a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” . A  cultura não pode ser tratada como questão de menor importância na sociedade pois através dela é possível combater a pior das misérias: a ignorância.

 

Simone Pligher

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