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A esfera pública

Publicada em 27/04/2011 às 22:35 | por Polli José Renato

Um dos mais expressivos intelectuais da atualidade, o filósofo alemão Jürgen Habermas, um herdeiro da tradição da Escola de Frankfurt e da Teoria Crítica da Sociedade, resgatou, em uma de suas mais importantes produções (Mudança Estrutural da Esfera Pública) a categoria de “esfera pública”. Abraçando esse conceito, proveniente das lutas da burguesia no início da modernidade para se fazer visível diante das ações do Estado, Habermas a ressignifica para as finalidades de uma sociedade contemporaneamente democrática.
A esfera pública se constituiria num espaço livre de debates, promovido por cidadãos autônomos, imunes à coerção do Estado e dos poderes constituídos, com a finalidade de colocar em dúvida e sob suspeita tudo o que não corresponde ao processo democrático e ao interesse público.
Com o advento de novos mecanismos de comunicação, sobretudo a internet e suas redes sociais, o livre acesso a opiniões e impressões sobre o que é o interesse público se torna notório. Cabe, no entanto, ressaltar que a simples manifestação de opinião, não constitui necessariamente um posicionamento crítico livre. Há que se criar mecanismos de dialogação que suplantem defesas incondicionais sustentadas por interesses que não correspondem ao bem comum. Nem sempre os meios de comunicação, inclusive a internet, contribuem para isso.
O papel das entidades do terceiro setor, neste aspecto, parece-nos salutar, mas apenas na medida em que sirvam de baliza, de guia para o debate público. Para manter sua coerência, devem afastar-se de qualquer vínculo partidário. Seus membros, no entanto, enquanto cidadãos têm o direito às suas próprias preferências.
Jundiaí, cujos destinos públicos estão há séculos submetidos a privilegiados grupos econômicos, religiosos, políticos (não é preciso ser um historiador para perceber isso), estava merecendo que algum grupo, além dos que já se mobilizam há tempos, encampasse a tarefa de tornar visível para a maioria o que talvez não esteja. Há múltiplos interesses em jogo na dinâmica de uma cidade “democrática”. Uma esfera pública de caráter popular, vive sob certos controles, não emerge no cenário dos tradicionais embates entre grupos políticos. Até mesmo a esquerda, que supõe representar os interesses populares, muitas vezes não contribui para organizar o debate público em torno desses interesses. Restringe-se à própria dinâmica do processo institucional.
Outros diferentes atores, como intelectuais, artistas, militantes da causa ecológica e o mais comum cidadão, precisam de novos espaços. Eis um grande e belo desafio a enfrentar. De certa forma, já está sendo enfrentando.

José Renato Polli

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