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A Esplanada Monte Castelo como espaço urbano de permanência

Publicada em 29/03/2013 às 22:52 | por Lígia Luciene Rodrigues

Mês passado escrevi sobre como o desenho da cidade muda com o passar dos anos e que muitas vezes não conhecemos a cidade na qual viveu a geração anterior. Um dos meus locais preferidos de Jundiaí é um lugar que sofreu muitas mudanças com o passar dos anos, a Esplanada Monte Castelo, sitio mais conhecido pelo nome de Escadão.

Considero-o um local de grande potencial para um bom espaço público de permanência, pois fica em um ponto estratégico e de grande circulação na cidade, entre Vila Arens e Centro. É lá também que começa o corredor cultural da Rua Barão de Jundiaí, formado pela Pinacoteca Municipal de Jundiaí Diógenes Duarte Paes, o Polytheama e sua Galeria de Arte Fernanda Perracini Milani, o Museu da Energia e mais a frente o Museu Histórico e Cultural de Jundiaí e o Centro das Artes.

A vista da Esplanada Monte Castelo 9Escadão), 1950. Cartão Postal do Acervo do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.

A vista da Esplanada Monte Castelo (Escadão), 1950. Cartão Postal do Acervo do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.

Vista da Esplanada Monte Castelo (Escadão) para Vila Arens, 1959. Acervo  Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.

Vista da Esplanada Monte Castelo (Escadão) para Vila Arens, 1959. Acervo Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.

Esse ponto da cidade, que conta ainda com os dois prédios da Câmara dos Vereadores, tem o nome tirado da Batalha de Monte Castelo, na Itália, em homenagem aos jundiaienses que lutaram na Segunda Guerra Mundial, em 1945. Apesar da importância histórica e cultural, como espaço de passagem, frequência e uso do cidadão jundiaiense, essa localidade atualmente encontra-se largada pelo poder público. O projeto do Parque do Rio Guapeva, que pretendia revitalizar a Esplanada Monte Castelo, além do entorno do rio, restaurar a Ponte Torta e instalar iluminação adequada, foi abandonado no ano passado, inacabado, mas sem antes destruírem parte da calçada e de uma escada em zigue-zague, que passava pelo meio do morro para chegar à Esplanada.

Esplanada Monte Castelo, janeiro de 2013.

Esplanada Monte Castelo, janeiro de 2013.

Calçada da Esplanada Monte Castelo, janeiro de 2013.

Calçada da Esplanada Monte Castelo, janeiro de 2013.

 

No dia 16 de julho de 2012, o Polytheama foi tombado pelo CONDEPHAAT como bem cultural de interesse histórico, arquitetônico, artístico, turístico e paisagístico, isso quer dizer que além da preservação da edificação do teatro, o seu entorno também recebe proteção. Sobre esse aspecto o texto no site da entidade estadual diz: “O Teatro é uma das principais referências, ainda observável à distância, na paisagem da colina central e mantém até hoje sua tipologia arquitetônica característica e parte significativa de seus elementos antigos preservados.” Ou seja, como um bem cultural de interesse paisagístico, a área da Esplanada Monte Castelo está protegida pela lei estadual. Ali nada pode ser demolido ou construído sem ser aprovado pelo Conselho Estadual do Patrimônio ou estar permitido pelo texto da resolução de tombamento.

 

O Escadão e a vista da Vila Arens, anos 1950 - 1960. Acervo do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.

O Escadão e a vista da Vila Arens, anos 1950 – 1960. Acervo do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.

Calçada e canteiro com a planta "coroa-de-cristo", Esplanada Monte Castelo. Janeiro de 2013.

Calçada e canteiro com a planta “coroa-de-cristo”, Esplanada Monte Castelo. Janeiro de 2013.

 

Apesar do Escadão ter mudado muito com o tempo e necessitar há alguns anos de uma revitalização, como a reforma das calçadas, nova iluminação, jardinagem e bancos, durante o dia, especialmente na hora do almoço, o espaço da calçada é usado pela população, mesmo não possuindo um único banco, pessoas de todas as idades, principalmente os jovens alunos da vizinha Escola Estadual Antenor Soares Gandra, acomodam-se no canteiro, nas falhas da “coroa-de-cristo”, planta inconveniente e agressiva, aproveitando a sombra das árvores. O local torna-se espaço de convivência, mesmo em condições adversas e sem estar adequado para isso, simplesmente porque a presença das pessoas, a sua permanência e a sua vontade de ficar ali, embaixo das árvores é mais forte que os cuidados do poder público para aquele lugar.

 

Mais do que proibir ou permitir alterações naquele local, a determinação do CONDEPHAAT destaca a importância daquele pedaço para a nossa cidade. Acho essencial o cidadão e o poder público olhar para lá com os 12 critérios para determinar um bom espaço público em mãos. Seguir esses critérios será a única maneira do local ter todo o seu grande potencial como espaço público atingido.

 

Referências do texto:

Site do CONDEPHAAT: https://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.bb3205c597b9e36c3664eb10e2308ca0/?vgnextoid=91b6ffbae7ac1210VgnVCM1000002e03c80aRCRD&Id=3db93658a41eb310VgnVCM1000008936c80a____

Link para a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo na qual foi publicada o tombamento do Polytheama: https://www.imprensaoficial.com.br/PortalIO/DO/BuscaDO2001Documento_11_4.aspx?link=/2012/executivo%2520secao%2520i/agosto/10/pag_0096_BU92CAK4G49PBe0G31UCAF0I41T.pdf&pagina=96&data=10/08/2012&caderno=Executivo%20I&paginaordenacao=100096  e página seguinte.

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2 respostas para “A Esplanada Monte Castelo como espaço urbano de permanência”

  1. Avatar Ede Galileu disse:

    Artigo muito bom Ligia, adorei saber estas curiosidades sobre este local, também acho que lá é um lugar fantástico…

  2. George André Savy George André Savy disse:

    Dali tem-se uma vista esplêndida da Vila Arens e Vianelo. No entanto é um local em que muitas pessoas tem medo, principalmente de assalto. Muitos moradores da cidade sequer passam a pé por ali para desfrutar da paisagem.
    Se a Esplanada passar pela devida revitalização, pode vir a ser de fato um ponto turístico, pois dali tem-se a visão do Rio Guapeva, o segundo maior da cidade depois do Rio Jundiaí, e da Ponte Torta. Apesar do projeto do Parque do Guapeva estar truncado, muito ainda pode ser feito para tornar toda aquela região atrativa e preservada. Imagino a Ponte Torta restaurada e iluminada a noite, contrastando com os prédios do Vianelo e Vila Arens.

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