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A praça que eu quero (con)viver

Publicada em 25/12/2012 às 19:35 | por Silmara Meireles

Alguns jovens com sua banda tocando na praça

A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores o mesmo jardim”. Lembro-me da minha mãe cantarolando em casa esta música, memórias de minha infância.

As praças já fizeram mais sentido na vida das pessoas do que fazem hoje. Eram lugares de encontros, namoros, convívio dos mais velhos, lazer das crianças, protestos, manifestações.

Passo ao menos duas vezes por semana por algumas praças do centro da cidade, gosto deste caminhar, aproveito para observar o movimento, os barulhos e olhares da cidade e sempre penso que história cada olhar guarda em si.

Corto a Praça das Rosas, talvez você não saiba qual é a Praça das Rosas, afinal já não há rosas nesta praça, mas vou te ajudar a se localizar; Praça Dom Pedro I ou, se preferir, “aquela em frente ao hospital São Vicente”. Em seguida passo pelo Largo São Bento, e depois a praça do fórum que pra dizer a verdade não sei o seu nome. Poderia citar também a Praça dos Andradas onde levava meu primeiro filho para brincar. Mas o que me chama a atenção nas praças é que todas têm algo em comum, o descuido por parte do poder público que entende como cuidar, cortar o mato de tempo em tempo.

Buracos e remendos no piso são quase um convite a evitar o caminho, as praças ocupadas por pessoas marginalizadas entregues aos vícios e ao ócio de ver a vida passar, tal qual como o lugar que ocupam, tudo entregue ao abandono comum e a indiferença pública.

É pertinente lembrar que faltam locais de lazer e diversão para os jovens, que querem se encontrar e se expressar com suas músicas, cabelos e ideias. Os jovens da nossa cidade não conhecem o footing nas praças. Hoje encontram-se em shoppings num frenético vai e vem envolto a grifes que sugerem como condição “parecer” e não “ser”.

Talvez você também tenha uma lembrança de praça na sua história (ou história na sua praça?). Se a lembrança, a praça e a história são suas, por que temos a tendência de delegar para o outro a responsabilidade por cada uma delas, sem nos dar conta de que, assim, estamos descuidando do nosso convívio em sociedade.

Como vamos ensinar nossos filhos a conviver, se relacionar com pessoas fora da escola e compartilhar se não garantirmos espaços para isso?

Praças revitalizadas, programas de lazer e cultura podem ser também boas alternativas de educação, prevenção e inclusão nos bairros.

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11 respostas para “A praça que eu quero (con)viver”

  1. Avatar Heber Lourenção disse:

    Parabéns Silmara, muito bem colocado.

    Aqui na praça do bairro (Traviú) não posso reclamar da estrutura, porque está bem cuidada e teve manutenções recentes.

    O problema são as pessoas que permanecem por ali. Nem precisa falar o porque elas permanecem ali né?

    Depois que todas as notícias mostraram que praça é um lugar que serve de “habitat” para mendigos, usuários de drogas, traficantes, assaltantes, etc, o povo deixou de apreciar uma tarde de bate papo e as crianças deixaram de brincar.

    • Avatar Silmara Meireles disse:

      Olá Heber,
      Agradecida por seu comentário e contribuição. Bom saber que a praça do seu bairro está bem cuidada, hoje postei outro artigo sobre este mesmo tema, trás a experiência de um movimento paulistano de revitalização e utilização das praças nos bairros. Vale a pena conhecer! Mas você trás uma questão muito importante, a sensação de insegurança atribuída as praças, lugares que se tornam “terra de ninguém” acabam por ser ocupados pela marginalidade. Praças, prédios, pontes, ruas serão ocupados enquanto não houver políticas públicas eficientes que tratem a prevenção contra as drogas, a educação, cultura e lazer com mais seriedade. A segurança é o bônus quando se tem este tripé.

  2. Avatar Vanderlei Vieira disse:

    Silmara, você já deve ter percebido que os “homens públicos” não são públicos ou melhor, não são vistos em público. Isso em parte deve explicar a falta de percepção (e sensibilidade) deles em questões como essa que você aborda. A praça é do povo, já disse o poeta, logo, a chance dos homens públicos conhecerem a precariedade desse espaço comum, plural e democrático é zero. O prefeito não passa por lá. O vereador não passa por lá. O deputado não passa por lá. O promotor público de justiça não passa por lá. Nossas praças (em sua quase totalidade) se transformaram em uma terra sem lei. A praça que deveria ser o centro (de convivência, lazer, cultura) está à margem (drogas, prostituição, violência, degradação social e do espaço). Boa iniciativa. Parabéns.

  3. Avatar Silmara Meireles disse:

    Grata pela contribuição! Observando, através deste seu olhar para a questão das praças públicas, me faz pensar a importância da promoção dos espaços democráticos que estabeleçam a possibilidade de interlocução, poder público e sociedade, sejam eles em tribunas livres, blogs, redes sociais, manifestações que façam frente a organização permanente da sociedade apontando a relevância das necessidades em seus bairros e comunidade.

  4. Olá, Silmara.

    Gostei do seu texto… meu avô me contava histórias sobre o “footing”, um hábito muito comum que vc cita… me contava que os jovens ficavam caminhando nas praças de uma ponta a outra, homens separados das mulheres, mas trocando olhares de paquera. Hoje, como vc disse, o cenário são os shoppings ou nem isso.

    Faço parte do grupo Mão na Praça, estamos começando algumas ações, e muito inspirados pelo Boa Praça e outros grupos daqui de São Paulo. Estarei de olho nos artigos que vcs publicarem aqui.

    Visite o nosso blog. Estamos buscando expor reflexões, fotos e textos sobre o assunto.

    • Avatar Silmara Meireles disse:

      Oi Mariana, agradecida por sua contribuição, vivi um pouquinho do “footing” quando visitava meus avós em uma pequena cidade do oeste paulista. Mas como era muito criança, preferia mesmo, tomar sorvete e brincar na praça. Certamente irei acompanhar o blog “Mão na Praça”e desejo sucesso a todos nas ações desta agradável empreitada.

  5. Gostei do texto, Silmara. Meus pais nunca me deixaram brincar nas praças perto de casa e eu nunca digeri isso bem. Jundiaí poderia revitalizar todas as praças, como fez com a famosa “praça do passa mal” perto do Mc Donalds (excetuando as grades). Assim as pessoas de toda a cidade teriam direito ao espaço público.

    • Avatar Silmara Meireles disse:

      Olá Patrícia! Concordo com você, é preciso revitalizar as praça da cidade e priorizar as praças dos bairros onde se tem poucas opções de lazer e diversão. Junto com isso, criar uma nova relação com a praça, trazer as pessoas, promover encontros , bate-papos, música, diversão, etc. As pessoas precisam de uma cidade em que ela se sintam seguras e esta segurança não está só na mão do poder público e sim no como eu, cidadã (ão), me relaciono com o meu bairro, meu vizinho, minha praça. A medida que ocuparmos nosso lugar de direito, nos apropriarmos deste espaço e criar oportunidades de encontros culturais e lazer, conhecer e reconhecer as pessoas de nossos bairros a segurança será de fato instalada!

  6. Avatar Rose disse:

    A praça sempre me traz boas recordações. Uma pena que não seja de interesse da administração cuidar como se deve, revitalizar e entregar a população bons motivos para sentar no banco da praça e ver a vida passar. (para ler um livro, ouvir musica, conversar com amigos, namorar…) há muito tempo atrás era possivel e seguro ir à praça no horário de almoço, tomar sorvete com o namorado(hj meu marido). Qtas vezes Edson era chamado como testemunha de noivos que iam marcar a data de casamento no cartório da Vl Arens que ficava numa praça. Não precisa tanto equipamento (caro) para atrair pessoas para as praças. Lembro que as praças simples eram as mais alegres com bancos e jardins. Hj revitaliza 1 ou 2 praças em bairros nobres, onde precisa por grades e cadeados. O pessoal vizinho dessa praça faz academia em seu condominio ou frequenta clubes… não vejo nenhum deles na praça. Estão igualmente trancados em seus apartamentos com medo do mundo lá fora… Silmara, achei ótima sua iniciativa. Concordo com tudo que vc disse nos artigos. E acredito que e possivel resgatar a convivencia saudavel nas praças da cidade. Um pouquinho de vontade da administração, um olhar cuidadoso dos moradores e vontade de ser feliz é um ótimo começo. Um abraço. Parabéns pelo texto, muito bem escrito.

    • Avatar Silmara Meireles disse:

      Querida Rose, grata por compartilhar conosco sua vivência na praça. Escrever sobre este assunto, falar sobre ele, é trazer à luz do nosso dia a dia, a lembrança que podemos viver e conviver com mais qualidade de vida, certamente o João Pedro irá se alegrar em poder brincar nas praças.
      Um beijo carinhoso,
      Silmara

  7. Avatar Ricardo disse:

    Moro bem próximo da praça das rosas e “curtia” ela com minha berlineta caloi antes de ela ser cimentada. Agora, realmente ela está toda descuidada. Talvez ela só seja melhor cuidada quando algum dos “donos da cidade” resolverem construir um prédio naquele quarteirão da família Traldi que serve de estacionamento em frente dela.

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