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A Res Pública (Coisa do povo)

Publicada em 05/04/2013 às 13:58 | por Maurício Ferreira

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Nasci literalmente no interior da Prefeitura Municipal de Jundiaí, mais precisamente no depósito Municipal que funcionou durante décadas na Avenida Dr. Amadeu Ribeiro no Anhangabaú, entre o “Bolão” e o “Parque da uva” ,meu avô e meu pai eram funcionários públicos nessa época e moravam nas casas da Prefeitura ,nasci numa dessas e vim ao mundo pelas mãos de uma parteira muito conhecida em Jundiaí e região,a Dona Rita, as mulheres tinham tanta confiança nela que preferiam o risco de fazer o parto em sua residência do que no hospital, tive uma infância livre e feliz, pois o “meu” quintal era o Ginásio esportes Dr. Nicolino de Luca e o Parque Comendador Antônio Carbonari, o primeiro uma homenagem ao grande médico de nossa cidade e outro um bravo imigrante italiano que introduziu o cultivo de uva em nossa terra e a tornou a “Terra da uva”.
Meu avô Zeca, o “seo” Zé Ferreira, Zé do oito (Número do Caminhão que dirigia) um homem com pouco estudo, pois naquele tempo as famílias precisavam do trabalho dessas crianças para poder subexistir e quando aprendiam ler e escrever tiravam da escola para trabalhar, trabalhou muito tempo no campo,ingressou na Prefeitura e iniciou na como motorista, passou a ser administrador do depósito Municipal e se aposentou como escriturário, autodidata seu português se tornou impecável.Durante o longo período o Zé Ferreira foi administrador desse depósito que era o local onde abasteciam os veículos da Prefeitura, guardavam ferramentas, lâmpadas,material de apreensão do comércio e também os cavalos,pois até o final dos anos 1960 alguns serviços públicos ainda eram feitos com tração animal e foi nesse tempo eu apenas com 6 anos de idade fui testemunha em ver um homem com espírito público e com  respeito pelas coisas do povo, pois numa noite qualquer uma das lâmpadas de sua casa havia “queimado” e minha avó que também era pessoa reta sugeriu que retirasse uma lâmpada do estoque da Prefeitura e que logo pela manhã ele fosse até a vendinha do “seo” Tomé e comprasse uma lâmpada e recolocasse no depósito ,minha avó sugeriu pois era uma mulher prática, mas o velho Zé Ferreira respondeu : “a honestidade não pode esperar até amanhã ,as lâmpadas não são minhas e nem são do Prefeito Omair (Dr. Omair Zomignani), são da população de nossa cidade”.
O que é afinal ser honesto?
Seria só não desviar verbas públicas como vemos enojados todos os dias em qualquer mídia jornalística e vemos acontecer em todas as esferas de governo? Seria não mentir ? não dissimular ? ou simplesmente repudiar qualquer tipo de malandragem da “Lei de Gerson”?
É muito mais do que isso, a honestidade nos dá alegria, paz, cabeça erguida , no caso de quem ocupa um cargo público, nos dá uma vida mais digna, mais educação, mais saúde, segurança e queremos muito, mas muito mesmo que  todos políticos de nosso País tenham essa alegria e essa paz que nós temos e que se espelhem não só no Zé Ferreira,mas em todos os nossos ascendentes que foram pessoas de bem,retas e honestas ,trabalhadores que com suor e sangue construíram e fizeram jus a a frase ao pé do escudo de Jundiaí que está escrita em latim “Etiam per me Brasilia Magna”: “Também graças a mim o Brasil tornou-se grande”.

Maurício Ferreira.
Professor,especialista em legislação trabalhista e gestão de pessoas,adovogado, historiador e proprietário do Sebo Jundiaí.
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3 respostas para “A Res Pública (Coisa do povo)”

  1. Avatar ARLETE disse:

    Belíssimo texto Maurício. Infelizmente parece que a honestidade é “produto fora de linha”. Bons tempos em que honestidade fazia “parte do pacote” do ser humano. Hoje em dia a impressão que se tem é que ser honesto, é estar fora do padrão. Ainda bem que o caso ainda não está generalizado, ainda existem milhares de pessoas honestas. Continuemos a expressar nossa indignação, quem sabe um dia nos tornemos um número muito maior de honestos do que somos.

  2. Avatar Lígia Luciene Rodrigues disse:

    Exemplos de honestidade precisam sempre serem compartilhados.
    Linda história, Maurício!
    Muito obrigada!

  3. Avatar Luana Martinelli disse:

    Muito bonita história. Verdadeira e infelizmente não tão comum.
    Por esse e outros motivos que as pessoas estão perdendo valores, porque o que está faltando é o mínimo, honestidade, pessoas de bem….que precisam ser vista em histórias antigas como esta.

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