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A rotina dos vereadores 24 horas por dia

Publicada em 19/07/2009 às 22:39 | por Voto Consciente Jundiai

LEGISLATIVO

19/7/2009

FABIANO MAIA MARILENA NEGRO, GUSTAVO MARTINELLI, SÍLVIO ERMANI, ZÉ DIAS, DOCA e LEANDRO PALMARINI

MARILENA NEGRO, GUSTAVO MARTINELLI, SÍLVIO ERMANI, ZÉ DIAS, DOCA e LEANDRO PALMARINI

O que a petista Marilena Negro, o tucano Gustavo Martinelli, o pedetista José Dias, os ´verdes´ Sílvio Ermani e Leandro Palmarini, além do ´progressista´ Antônio Carlos Pereira Neto, o Doca, têm em comum? Os seis vereadores da Câmara de Jundiaí deixaram de lado as profissões para se dedicar apenas ao trabalho parlamentar. A opção, de acordo com os legisladores, rende frutos. Um dos parlamentares, por exemplo, soma oito mandatos consecutivos.

Embora não pareça das mais árduas e seja recompensada com um salário de R$ 7,4 mil mensais para cada um dos 16 legisladores – “condizente com o tamanho da responsabilidade”, dizem – a tarefa de criar leis para o município e fiscalizar o Executivo exige dedicação extrema, de acordo com os entrevistados. Marilena Negro é assistente social e precisou se licenciar do cargo público desde que assumiu pela primeira vez, em 2004. “É uma exigência do Estatuto do Servidor Público”, destacou a petista. “Deixei o cargo, não a minha profissão! Aliás, minha formação e experiência profissional no servico público como assistente social têm influência direta na minha atuação política.”

A oposicionista fez questão de esclarecer que não considera “profissão o trabalho de vereador”, mas admitiu que, no caso dela, “não há como conciliar 40 horas de trabalho na Prefeitura com todas as ações decorrentes da vereança.”

Sem vantagem – Para Gustavo Martinelli (PSDB), 23 anos, não há vantagem dos ´vereadores 24 horas´ sobre aqueles que precisam se dividir entre o trabalho parlamentar e as ações exigidas pela profissão. “Toda a cidade sabe quem são os vereadores e onde eles estiverem sempre farão contatos. Não se perde isso, mesmo tendo outra atividade”, comentou. Martinelli foi administrador do centro esportivo Francisco Dal Santo, na Vila Rami, durante quatro anos. O trabalho, agora, envolve peregrinação pelos bairros e muita conversa. “Precisamos conscientizar as pessoas que trabalhamos de segunda a segunda e não apenas uma vez por semana.”

Sem citar nomes, o tucano fez críticas ao assistencialismo praticado na Câmara. “Não estou aqui para dar botijão de gás, pagar conta de energia elétrica. São vícios que alguns ainda têm e isso só mantém a população distante do Legislativo”, cutucou.

Mesmo ideal – Sílvio Ermani (PV), 42 anos, é administrador de empresas. Pela segunda vez no Legislativo, Silvinho usa novamente a tática de se dedicar exclusivamente ao cargo eletivo. “Quem continua exercendo suas funções leva mais vantagem, porque mantém contato com o público cativo”, ressaltou. “Mas admito que posso programar melhor o tempo, fazer visitas e ver problemas in loco. Sempre tive contato direto com as pessoas.” A exemplo do tucano Gustavo Martinelli, Silvinho fez questão de dizer que não faz média. “Frequento todos os locais, mas não pago cerveja para ninguém. Quem vem me pedir algo sabe que tem de ser pela comunidade. Se for pessoal, não pode ser nada financeiro.”

Com o povo – Ex-líder comunitário do Jardim São Camilo, José Carlos Ferreira Dias, o Zé Dias (PDT), demonstra orgulho pela dedicação em tempo integral à população. “Não tenho profissão paralela e, por isso, faço de coração esse trabalho. Tenho meu escritório mas, para mim, ele acaba sendo a rua.” O pedetista contou já ter atendido pessoas na porta de casa, inclusive de madrugada. “Já fui de guarda-chuva e chinelos em casos de desabamento. Quando ocorrem falecimentos, também me procuram.” Além dos assessores, o vereador também é auxiliado no trabalho pelos filhos. “Tenho quatro mandatos, o que mostra que a dedicação exclusiva acaba sendo reconhecida”, comentou.

Experiência – Antônio Carlos Pereira Neto, o Doca (PP), tem 72 anos e está no oitavo mandato. Aposentado do serviço federal desde dezembro de 1986, ele afirmou que “nasceu para o atendimento público”. “Trabalhei na Cooperativa Paulista, na Companhia de Estradas de Ferro e no Iapetec (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes de Cargas). Era procurado em minha casa, aos sábados, domingos e feriados, devido às viagens constantes dos motoristas”, lembrou. “Até hoje atendo os moradores da mesma maneira, agora como vereador.”

Perguntado se levaria vantagem sobre os outros legisladores por se dedicar exclusivamente ao mandato, Doca citou Deus. “Ele designa certas funções às pessoas. Tenho 32 anos de vida legislativa, não é vantagem ou desvantagem. O grupo de assistentes bons, bem treinado, também me ajuda a atender a população”, comentou o progressista.

É o bicho – Leandro Palmarini (PV), 35 anos, é servidor público municipal há 13 anos. Neste, entretanto, teve de se licenciar da atividade profissional para exercer o primeiro mandato. Apesar disso, o vereador tem de se desdobrar entre a atuação parlamentar e o trabalho voluntário na ONG Bicho Legal. “Tenho sempre de fazer adaptações na agenda devido ao trabalho de campo nos casos de maus-tratos aos animais, averiguações, mutirões de castração e campanhas”, contou. “Mas por poder me dedicar em tempo integral, tenho facilidade no contato com a comunidade.”

Divisão de tarefas – Os outros 10 representantes da Câmara de Jundiaí, que não têm este privilégio, se desdobram para conseguir cumprir as tarefas do dia. Em entrevista recente ao JJ Regional, os delegados Paulo Sérgio Martins (PV) e Fernando Bardi (PDT) admitiram ser procurados por eleitores nas delegacias onde atuam. A lista de profissões prossegue com cargos de radialista (Ana Tonelli/PMDB), comerciante (Domingos Fonte Basso/PSDC e José Galvão Braga Campos, o Tico/PSDB), engenheiro (Marcelo Gastaldo/PTB), administrador de empresas (Durval Orlato/PT e Enivaldo Ramos de Freitas, o Val/PTB) e pastor evangélico (Roberto Conde/PRB).

“Exceto pelo tempo que não é integral ao mandato, não vejo desvantagem. Quando estou no consultório, não deixo de fazer política”, afirmou o dentista Júlio César de Oliveira, o Julião (PSDB). “Eu gosto de ir à população, mas por conta da profissão preciso dividir isso com os assessores. Eles têm de ser a continuação do vereador.”

EMERSON LEITE

fonte: JJ

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