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A vez e a voz do pedestre

Publicada em 16/02/2014 às 12:53 | por Colunista Convidado

Artigo de George Savy <[email protected]>

Conhecer de fato uma cidade se faz ao caminhar. Diante de um mundo cada vez mais sobre rodas, as pessoas estão deixando de levar em conta o estímulo físico de uma boa caminhada, a perspectiva de estreitar e fazer amizades em grupo e descobrir detalhes de seu bairro e sua cidade que não são possíveis notar de dentro de um veículo.

Formou-se um círculo vicioso: as pessoas tem inúmeras justificativas para optar pelo veículo; rapidez, segurança, conforto…sobram reclamações para o ato de caminhar; calçadas estreitas, desniveladas, quebradas, inexistentes…e a desvantagem do pedestre em relação aos motoristas.

A soberania dos veículos é fortalecida com a facilidade de se adquirir um carro hoje e também pelo sentimento de ostentação. Diante dessa realidade, o poder público aplica o método da mídia: oferecer aquilo que a maioria vota. Então investe-se mais no espaço para os veículos. Hoje existe a consciência voltada para priorizar o transporte coletivo e não o individual, o que é um avanço. Mas o pedestre continua sendo o último a ser contemplado por grandes e médios projetos urbanos.

201212092145047388Graças ao fortalecimento da consciência ambiental, o cidadão tem observado a multiplicação das áreas verdes, parques, jardins e similares, que proporcionam espaços de lazer para a caminhada. É ótimo, mas não basta criar setores ou áreas em que os pedestres tem a preferência. O ideal no conceito de qualidade de vida é o equilíbrio e a integração entre as variadas formas de mobilidade. Portanto, quero focar na locomoção do pedestre pelas ruas e avenidas, justamente o ponto em que o poder público evita porque esbarra em vários interesses; dos motoristas, dos comerciantes, dos próprios moradores que não zelam pela calçada em frente às suas residências.

Para enfrentar este problema na raiz, faz-se necessário iniciar uma paulatina mudança cultural. Primeiro, que o pedestre ao andar pelas ruas, principalmente as centrais, não seja visto unicamente como consumidor, freguês do comércio popular, ou o empregado desse comércio. Seja consumidor, trabalhador ou não, é um cidadão, morador da cidade ou turista, que deve ter satisfação ao caminhar pelas ruas. Isto deve ser um pensamento universal, de todos nós. Em segundo lugar, cabe ao poder público resgatar o trabalho do fiscal de posturas. Toda cidade deve ter um código de posturas ativo, e não guardado no fundo da gaveta. Esse código, se bem trabalhado, não é um agente de punição, eliminador da liberdade.

Ele deve ser disciplinador, para resgatar o prazer perdido do cidadão viver plenamente ao ar livre em sua cidade. Para que isso se concretize, é fundamental que o governo municipal coloque-o em sintonia com as secretarias. Temos vários equipamentos públicos pela cidade. Como zelar por eles? Como trazer o cidadão para ser um zelador dos equipamentos públicos? Como o cidadão pode conhecer e se responsabilizar pela árvore em frente a sua casa, por sua calçada? Como ele deve fazer a calçada para proporcionar o bem estar dos pedestres? Quais locais necessitam de equipamentos de segurança para o pedestre, como grade de proteção? Como dialogar com os comerciantes, para que se conscientizem de que a grade não é obstáculo para o seu comércio?

Quais locais o estacionamento de veículos deve ser eliminado porque representa risco aos pedestres? Quais ruas podem ser calçadões, liberadas somente para pedestres durante um período do dia? Como devem ser os bancos das praças? São questões que se trabalhadas em conjunto com fiscais de postura, secretarias e representantes da sociedade, com certeza vão melhorar a vida dos pedestres e mais que isso, resgatar o prazer de caminhar por nossas ruas e avenidas, em segurança e convivência harmoniosa com as pessoas que fazem uso de bicicletas e veículos motorizados.

Praças e jardins são nomes que historicamente soam agradáveis a nossos ouvidos. O desafio agora é transformar o nome “rua” em sinônimo de lugar igualmente agradável para nossa locomoção diária.

Colunista Convidado

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