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Afinal, uma sessão digna de se acompanhar

Publicada em 27/03/2015 às 22:20 | por Colunista Convidado
Deu gosto de assistir à última sessão da Câmara jundiaiense, realizada na noite da última terça-feira, 24 de março. Não faltou debate e opinião contrária entre os vereadores, cuja prática anda meio em desuso na Casa, haja visto o excesso de cavalheirismo observado entre os pares pelo menos durante as sessões deste ano. A ética e a educação foram garantidas na ocasião, não se trata disso. O que se observou, na verdade, foi a saudável prática do exercício democrático, que prevê, entre outros aspectos, o direito de simplesmente discordar da proposta alheia, com vistas ao bem comum, salvo os interesses políticos sempre embutidos nesse tipo de questão.
Durante boa parte das pouco mais de três horas gastas no debate, os vereadores rejeitaram por oito votos a sete, com três abstenções, projeto de lei do vereador José Dias (PDT), que define e penaliza o desperdício da água na cidade. O ponto de divergência do projeto, que já foi vetado por duas vezes e que agora estaria livre do vício da ilegalidade, visto alterar lei já existente quando da criação da DAE, foi a aplicação de multa ao munícipe que desperdiçar água dentro dos limites citados no texto de autoria de Zé Dias. Alguns vereadores foram contrários à criação de uma nova taxa ao munícipe, o que resultou na apresentação de quatro emendas ao projeto. O calor das discussões obrigou a mesa diretora a suspender os trabalhos por vinte minutos – na sessão do último dia 17 foram cedidas quase duas horas para apresentação da Campanha da Fraternidade 2015.
Antes da votação,  outro momento que despertou o interesse do público presente, e que não raro se esforça para não tirar um cochilo diante das exaustivas justificativas de denominação de ruas e moções de louvor, congratulações ou pesar, foi registrado quando o munícipe Carmelito Ferreira de Jesus, da Vila Arens, usou a Tribuna Livre para criticar o que entende por postura dos vereadores. “A Câmara Municipal está muito diferente, não tem oposição. Até os vereadores do PSDB não fazem oposição”, disse ele. Para completar: “Todo mundo diz amém ao prefeito. Como a população pode se beneficiar?”.
Carmelito pediu mais atenção às feiras livres, uma campanha de orientação ao trânsito e sugeriu que a Guarda Municipal se responsabilize pela vigilância aos pichadores  que emporcalham os prédios da cidade. E finalizou, depois de esgotar os cinco minutos  previstos para a fala na Tribuna:”É preciso trazer o debate à Câmara, senhores vereadores!”.
Durante os trabalhos o presidente da Câmara, Marcelo Gastaldo (PTB) manifestou-se com relação aos ataques do munícipe, dizendo que os vereadores possuem um bom relacionamento. “Nem o PT nem o PMDB compõem a mesa diretora da Câmara” – Carmelito criticara a ausência de oposição na eleição da mesma mesa, escolhida desta vez por unanimidade entre os 19 vereadores. “Estamos demonstrando o que é democracia na nossa cidade por não fazer uma oposição sistemática, mas que mostra o que tem de ser feito”, defendeu-se Gastaldo. Tudo depende do ponto de vista…
Cláudia Maria Petroni Muller
Jornalista e professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira
Colunista Convidado

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