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Amofinados

Publicada em 26/06/2012 às 09:13 | por Simone Pligher

Segundo o dicionário Caldas Aulete, amofinado significa aborrecido, irritado. Vem de mofino, que significa doentio. Não encontrei nada a respeito, mas, pedindo a licença imaginativa concedida aos que escrevem, deve estar relacionada a mofo, que é a aquela camada cinzenta esverdeada que recobre coisas velhas e úmidas. Pode provocar alergia (para mim, pelo menos, que não topo velharia e imutabilidade).

Gosto das palavras, as vezes leio dicionários como quem consulta um oráculo, os conceitos nos fazem ampliar a forma de “legendar” sentimentos, fatos, enfim, a realidade. Quando a palavra não consegue, existe a dança, as artes plásticas, a música.

Voltando para amofinado, essa palavra pode expressar o que sinto pela política. Nunca me interessei por discursos ideológicos e fujo desses “uniformes de olhos” porque tenho como princípio a liberdade de pensamento e o cultivo pelo senso crítico, o que não quer dizer não se comprometer com nada, pois não me considero niilista, apenas seletiva.   Embora goste de Nietzscheacho perigosa a postura de não se envolver ou não se comprometer, mas devemos saber (ou ao menos tentar ter a maior consciencia) o porquê e o sentido de nossas escolhas.

Voltando ao mofo, à irritação e tristeza, escrevo a partir da ótica de uma mulher de 43 anos, que já perdeu muitas das ilusões (ainda bem, porque os budistas falam que todo sofrimento vem do apego ou da ilusão) e não tem mais paciência para bla-bla-bla, mas que ainda acredita ser necessário fazer faxinas regulares para jogar fora  ou   colocar ao sol as ideias mofadas, o imobilismo e fazer a vida vibrar.

Essa faxina pode servir para muitas coisas em nossa vida, mas este espaço é para falar de política e política não se resume a partidos, alianças, Tribunal Eleitoral, voto proporcional ou distrital. Política é, principalmente, a vida da cidade (a palavra vem do grego  polis, que significa cidade). Da minha, da sua, da nossa cidade. É muito importante trazer esse conceito para perto, pois percebo um certo distanciamento das pessoas provavelmente causado pela náusea provocada pela politicagem, pela falta de ética, pelos escândalos e todas essas coisas mofadas que se apresentam na mídia todos os dias.

Talvez a mensagem provocada pelo mofo político seja mesmo essa “alergia”, afinal, quem vai querer colocar a mão nessas coisas poeirentas e cheias de ácaros? Mas se pararmos para pensar, para sentir, vemos que nossa cidade, nosso país e nosso mundo está ficando recoberto desse mofo e é necessário fazermos alguma coisa, já que estamos falando de nossa própria casa. E quem gosta de casa suja?

Claro, as vezes tenho vontade de arrumar a mala e ir para  Marte ou mesmo para o Butão, onde uma pesquisa detectou ser o lugar com maior índice de Felicidade Interna Bruta (https://planetasustentavel.abril.com.br/blog/felicidade-interna-bruta/para-entender-o-butao/), mas acho que não me adaptaria, porque não sou marciana ou butanesa, ficaria com saudades dos meus filhos, pais e amigos, então, se pretendo ficar, resolvi que preciso ajudar na faxina.

O movimento Voto Consciente para mim tem cara de novidade, ninguém fica falando de alianças, de partido, mas estamos nos propondo a discutir  a cidade onde vivemos,   como podemos, cada um, melhorar o seu próprio “quintal” e inovar. Não gosto de falar dos problemas, prefiro focar nas soluções e acredito que fazer uma horta numa praça pública (como fizeram o Henrique e o Marcelo lá na Rua Brasil) faz muito mais sentido do que horas intermináveis de debates.

Escolher candidatos e controlar suas ações é importantíssimo, estamos num momento de decisões por conta das Eleições e é hora de parar para  pensar em nossas escolhas, avaliar racionalmente as propostas e ficar “no pé” dos políticos, cobrando suas funções republicanas. Para isso estamos construindo a Ficha Pública e iremos promover debates, com financiamento dos próprios cidadãos jundiaienses (https://catarse.me/pt/projects/699-cidadonos-eleicoes

Lembrando, contudo, que política é muito mais do que isso. Para que o novo aconteça,  é preciso abrir as janelas de nossa mente, tirar o pó de nosso senso de participação, renovar nossa fé, jogar fora os sentimentos derrotistas,  deixando o sol e o ar puro aquecer e iluminar a vida comunitária,  pois  aí que a vida pode  florescer .

 

Simone Pligher

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