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Andar de bicicleta em Jundiaí é seguro? Sim, minhas considerações

Publicada em 07/01/2014 às 20:47 | por Gianlucca Hernandez

“É seguro se locomover em Jundiaí de bicicleta?”

Tenho 16 anos, minha profissão atual é ESTUDANTE rs. Integrante do grupo de voluntários Pedala Jundiaí (como voluntário, crio e organizo ações a serem executadas pelo grupo) e Bicicletada Jundiaí (como voluntário, luto para que as Bicicletadas aconteçam) desde 2009, colaborador da ONG Voto Consciente desde 2010 (apoio em ações públicas, panfletagens e divulgações em redes sociais e textos na coluna do site) e colaborador da ONG CP2 (cursinho popular Chico Poço) desde 2013 (como quebra galho).

Ghost bike, simboliza a morte de um ciclista

Ghost bike, simboliza a morte de um ciclista

Ando de bicicleta desde meus 3 anos de idade porém assumi a bike como meio de transporte aos 10, quando passei a ir para escola e todos outros lugares desejados, ‘by bike’. Atualmente uso minha bike para me locomover e mais que isso, para abrir meus olhos ao mundo e me levar até lugares que sem ela não iria, também vou ao trabalho pedalando (menos nos dias de chuva quando recorro ao ônibus) e ao finais de semana, para lazer e esporte, que se tornam o mesmo e isso com a mesma bike, apesar de ter mais de uma, apenas uma bicicleta é suficiente para andar todos os dias se o intuito não for competir.

Qual a importância da bicicleta como meio de transporte? Em minha opinião, a bicicleta como meio de transporte é importante para as vilas, pois possibilita que as pessoas cheguem até os lugares próximos sem grande esforço ou sem gastar muito tempo, além de contribuir para com algo que posso chamar de vitalidade urbana, que pode ser pensado como uma rua ou via cheia de pessoas e não somente carros e prédios por exemplo (aqui surge uma boa questão: porque novas vias  de Jundiaí ainda não recebem ciclovias, ciclo rotas ou áreas destinadas a bike mesmo não sendo exclusivas), ela é importante para os bairros pois integra um bairro a outro vizinho, levando até eles as pessoas (aqui podemos pensar em ciclovias cercadas de grama e flores, com sombra de árvores, que embelezam a cidade e contribuem para com a qualidade de vida de seus usuários e transeuntes locais), ela é importante para o centro da cidade pois, é facilmente estacionada, não ocupa espaço, nem paga estacionamento (e aí surge o problema da segurança e ordem pois não é em qualquer lugar que se ‘atraca’ uma magrela, até porque ela pode ser roubada ou desmontada com facilidade). A bicicleta como meio de transporte é boa para a cidade e para as pessoas, contribui positivamente com a saúde do cidadão, o que pode reverter gastos municipais com saúde, da vitalidade e beleza às ruas, movimenta o comércio local, é barata e não gera poluição, tampouco impostos (que no Brasil chegam a ser 1/3 de uma bike ou peça se ela for importada), declaro, bicicleta é um importante meio de transporte.

A tendência é que cresça o número de ciclistas? Vejo que seja uma tendência o número de ciclistas crescerem devido a diversos fatores, em Jundiaí por exemplo, com lojas grandes e tradicionais capazes de atender a todos os gostos e necessidades, o comércio influencia a compra e circulação de bicicletas pelas ruas, as próprias pessoas buscam pedalar entre amigos e se tornam mais conscientes da importância dessa prática viciante, assim como toda atividade física. (desconheço estatísticas de crescimento do uso de bicicletas nas cidades porém podemos analisar as fontes, em uma das diversas lojas da região, é possível perceber que as vendas aumentam assim como a qualidade dos produtos que se tornam mais acessíveis de acordo com a loja).

Os ciclistas em Jundiaí tem segurança para andar de bicicleta? Por quê? Sim, o ciclista tem segurança para pedalar na maioria dos lugares da cidade se, ele souber que ele próprio proporciona segurança a si, ou seja, mais do que seguir as leis de trânsito para carros, seguir o CTB para o ciclista e sempre, sempre estar na defensiva! Andar em calçadas não é permitido segundo o CTB (código de trânsito brasileiro) mas se for necessário, e respeitando os pedestres que tem a preferência sempre, não é algo ruim e nem gera multa, infração ou penalidade. É evidente que na cidade faltam incentivos ao uso massivo da bike como estrutura adequada e sinalização e é interessante analisar esse ponto a fundo. Uma estrutura viária adequada para o ciclista só é importante porque não está na cabeça das pessoas que a bicicleta também pode dividir o espaço das vias, sendo assim, poucos motoristas as respeitam, o que é ruim para todo ciclista e me causou diversos hematomas depois de 6 atropelamentos que por sorte não foram graves.

Outras cidades: Não sei muito sobre outras cidades porém posso comparar números básicos entre Jundiaí e Sorocaba. Quantos acidentes envolndo ciclistas aconteceram aqui no ano de 2013 e quantos lá? Jundiaí: 3 mortes noticidas em plena luz do dia. Sorocaba: bom, por lá ninguém quer morrer de bike. Mas porque Jundiaí e Sorocaba? Jundiaí não tem estrutura nenhuma para atender os pedaladores de plantão ao passo que devido a mudanças ocorridas no plano diretor da cidade de Sorocaba a alguns anos atrás, o uso da bike se tornou imenso, assim como a quilometragem de ciclovias -que são construídas com as novas vias e adequadas às antigas- e nem por isso o número de acidentes cresceu, os sorocabanos pedalam quase sempre em segurança (a não ser por algumas vias diga-se de passagem, nada a ver).

Uma cidade como Jundiaí tem estrutura satisfatória no que diz respeito a ciclovias? Não…

Qual seria o cenário ideal, o que deveria ser feito, melhorado? Voltando meus olhares para a ‘terra querida Jundiaí’, promover avanços no que diz respeito a mobilidade, tem a ver com o uso da bicicleta, seja ele integrado ao transporte municipal de ônibus (de preferência!) -e o que já foi sugerido anteriormente ao poder público pelo Pedala Jundiaí- ou seja ele feito como sempre foi, cada um com sua bike, aluguel de bicicletas e instalação de paraciclos (bicicletários) já são assuntos que permeiam as ‘nebulosas’ esferas públicas do poder tanto de Jundiaí quanto do mundo, estamos a caminho de promover uma mudança cultural nas pessoas, o que leva tempo mas tende ser feito. É por isso que existem movimentos como o Pedala Jundiaí, que incentiva o uso da bike e a Bicicletada, que é um manifesto livre a favor das magrelas. Estes só existem porque Jundiaí ainda não atingiu um grau desejável de estrutura satisfatória no que diz respeito a ciclovias e mobilidade ‘by bike’.

Quais melhorias seu grupo já cobrou do poder público? Conseguiu algum avanço? Desde o surgimento dos grupos relacionados a mobilidade que integro, bastante foi sugerido e talvez nem tanto fora cobrado mas desde 2009, diversas reuniões e planos para dominar o mundo (brincadeira) atividades para juntar e incentivar ciclistas a agirem foram feitas, exemplos são o desafio intermodal realizado em 2011 que teve a bike sendo vice ganhadora por menos de 10 segundos atrás de uma moto, criação de duas ciclofaixas (bem artesanais) na cidade: uma na 9 é outra no Almerinda Chaves, diálogo com gestores públicos a respeito do tema e o que mais deu certo mesmo sendo bastante questionável, um abaixo assinado que faz com eu e outros membros da Bicicleta Jundiaí e Pedala Jundiaí acreditemos que a única e pequena ciclofaixa da cidade tenha surgido depois desse trabalho. Isso é claro, sem tirar o mérito de outros grupos e figuras importantes para o ciclismo na cidade. Não falei das subidas que são parte de Jundiaí, não as considero problema pois a mesma Jundiaí das subidas, é comparada a Capital Nacional do mountain bike -que é MG-, justamente pelas subidas e pela incrível Serra do Japi.

Sendo assim, não é possível dizer que o ciclista está em segurança pois ele não tem proteção, nem as mínimas como placas, faixas pintadas no chão ou quaisquer outros tipos de barreiras físicas ou visuais. A ciclofaixa e as ciclovias não são nem de longe suficientes para quem quer ir trabalhar de bicicleta pois ficam em lugares de pouco trânsito de pessoas, além disso, a proposta delas acaba se tornando lazer.

Definitivamente Jundiaí precisa melhorar nesses aspectos.


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2 respostas para “Andar de bicicleta em Jundiaí é seguro? Sim, minhas considerações”

  1. Cara, gostei bastante! O título acabou me induzindo a achar que hoje a cidade é segura para pedestres e ciclistas, quando não o é nem para carros e motos. veja matéira de hoje: http://portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=1&Int_ID=219351

    No ano passado, matéria do mesmo JJ apontou que há um acidente com ciclistas a cada dois dias. Ou seja, a sinalização vertical e horizontal, além da diminuição da velocidade média de algumas vias, uma faixa de largada à frente dos carros é urgente e são todas medidas de curtíssimo prazo.

  2. Avatar Nildomar disse:

    Utilizo a bike diariamente para o trajeto casa trabalho casa, e confesso que me surpreendi com o trânsito pensei que seria mais complicado em Jundiaí, no entanto sinto falta de alguma ação do poder municipal em relação a promover maior segurança aos ciclistas, como placas, mensagens aos motoristas, etc.
    O trânsito é complicado e a falta de educação é generalizada, acredito que andar na defensiva é o melhor a fazer !!

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