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As impressões que trago da Rua

Publicada em 23/06/2013 às 19:19 | por Colunista Convidado

Escrito por João Victor Menegatti

Tomadas pelo povo, o asfalto se tornou um templo de cidadania, novamente.

E confesso que é gratificante ver tantos e tantos jovens saindo às ruas protestar.

Mas a pergunta que fica no ar é: protestar contra o que, afinal?

Claro que protestar contra tudo é melhor que ficar no sofá fazendo nada…Mas chegamos a um momento chave do movimento.

Movimento este que, se logra ter êxito, é necessário promover um aprofundamento no debate sobre as pautas. Não dá mais para protestar ‘contra a corrupção’, esse que é o típico inimigo da classe-média burguesa. Mas ela não enxerga que é, ao mesmo tempo, um inimigo invisível. Ninguém é a favor da corrupção, dizer-se contra ela é chover no molhado, é encenar um ataque Quixotesco a um grande moinho de vento.

Nossa primeira vitória foi conquistada porque o alvo era muito claro e objetivo: a revogação das tarifas. Qual é o próximo passo? Eu não sei, não tenho a arrogância de achar que, sozinho, posso indicar o caminho. Mas é preciso criar pontes de diálogo entre os setores da sociedade. Esconder-se atrás do anti-partidarismo dizendo-se ‘apartidário’ é outro erro, pois, afinal, o povo unido NÃO governa sem partido.

A propósito, a frase que melhor sintetizou o meu sentimento quanto à hostilização de militantes de partidos de esquerda é curta e grossa. “Quem não gosta de partido é ditadura”. Não que os manifestantes dos atos sejam autoritários ou fascistas, mas, ante ao descrédito em relação aos partidos ‘tradicionais’ (tais como PT, PSDB, PMDB, etc) as pessoas acabam criando um ambiente perigoso em que uma extrema-direita fascista poderia se beneficiar com um discurso moralizante e demagógico.

Na história recente do Brasil, o discurso de afastar a Ameaça Comunista e apelar para um nacionalismo exacerbado acabou resultando, no frigir dos ovos, em uma ditadura militar. Enfim, o debate tem que incluir, sim, movimentos sociais, sindicatos, movimentos estudantis e partidos políticos. É, inclusive, salutar a presença desses atores políticos, em prol de maior pluralismo no debate, da representação das minorias, da liberdade de expressão e, sobretudo, em prol da própria democracia.

A agenda de reivindicações tem que ser clara e construída coletivamente…Senão, corremos o risco de ter como única conquista os 20 centavos (o que já é, por si só, um motivo de orgulho), ao invés alcançar transformações profundas na estrutura de poder que realmente beneficiem o povo brasileiro.

Colunista Convidado

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Uma resposta para “As impressões que trago da Rua”

  1. Avatar G Penteado disse:

    parabens pela matéria!estou preocupado com o rumo sem rumo que esta sendo tomado

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