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As vitrines e o cinema

Publicada em 25/12/2012 às 19:41 | por Alberto Urbinatti

No contexto do que tem sido falado nos últimos anos sobre o sumiço dos “cinemas de calçada” e a migração de muitos deles para o interior dos shoppings, uma coisa é fato: se o shopping pode ser um “ato de ir ao comércio” ou mesmo um “centro comercial”, o cinema tem se transformado em mais uma mercadoria de vitrine, das mais caras e, muitas vezes, das mais banais.

Essa questão se mostra bastante complexa, por isso, proponho apenas uma direção do debate. Em primeiro lugar, sugiro a existência de dois processos de deslocamento do cinema: o primeiro é esse deslocamento físico, ou seja, aquele em que o cinema muda de local; o segundo, talvez oculto, é o deslocamento perceptivo, aquele que diz respeito a uma mudança do “ritual” ou do “clima” de assistir a um filme. Ambos, portanto, seriam interdependentes e contribuiriam para a configuração do cinema-mercadoria de vitrine.

A interdependência se revela no trajeto até o filme. Parece haver um processo de legitimação da tensão entre ir ao cinema ou ir ao shopping para ir ao cinema. Já se torna difícil separar esses dois atos. Da mesma forma, não é simples dissociar o consumo do cinema como mercadoria ou como arte em si. Mas, e aqueles que ainda se esforçam para resistir a esses deslocamentos e encarar o cinema como arte em si?

Em Jundiaí, ainda não se discute efetivamente esse processo aqui apresentado; no entanto, a resistência dos cineclubes nos responde na prática a essa questão. O Cineclube Consciência, o Cineclube na Cidade e o Cineclube Cinergia, dentre outras iniciativas, estão aí para serem ocupados por nós – sem dependermos da compra de ingresso. Pois, tudo leva a crer que essas são as possibilidades que temos para apressar o passo em frente à vitrine do cinema-mercadoria e contornar a imposição dos deslocamentos.

Cineclube Consciência e Cineclube na Cidade

Cineclube Cinergia

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4 respostas para “As vitrines e o cinema”

  1. Como construir a sustentabilidade destes projetos de cineclube em Jundiaí para encararmos juntos a tarefa de formar público? Como prototipar um “Faça seu próprio Cineclube” para envolvermos UMES, DCE, UJS, Assessoria da Juventude e outros atores capazes de estimular a formação de cineclubes em escolas?
    Como dialogar com o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa e construir mais um espaço que traga público e alie cinema e literatura?

  2. Avatar Erazê Sutti disse:

    Vai um boa notícia: o Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí vai entregar à região, juntamente com sua nova sede, um CINECLUBE para entrar no circuito cultural. Ele funcionará juntamente com o Museu do Metalúrgico. A previsão para a sua inauguração é para o primeiro semestre do ano que vem!

    • Erazê, como está o cronograma agora?
      Alguma previsão para este cineclube e para a nova sede?

      abraços do henrique

      • Avatar Erazê Sutti disse:

        Henrique, o CineArte dos metalúrgicos deve ser inaugurado com a nova sede ainda nesse ano de 2013. Terá 42 lugares e funcionará junto ao futuro “Museu dos Metalúrgicos” e ao auditório com 160 lugares no primeiro andar do prédio. Bons ventos para Jundiaí!

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