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Avanços importantes

Publicada em 18/07/2013 às 13:37 | por Polli José Renato

Sem quere desmerecer o trabalho de ninguém, ocupo pela primeira vez este espaço na condição de agente público para avaliar o trabalho do primeiro semestre da nova gestão municipal. Todo grupo político tem por trás de sua forma de atuação, concepções de gestão, visões de mundo, ideologias, maneiras de encaminhar acordos e estratégias específicas para lidar com o planejamento de suas ações. Nenhum grupo está imune a erros de avaliação, percalços políticos e invasões ideológicas que comprometem o interesse público. A atuação política é feita por pessoas. E as pessoas nem sempre constituem blocos homogêneos nas organizações partidárias e alianças políticas. Há também a possibilidade de divergências na interpretação sobre o como agir. O importante, sempre, num governo comprometido, é o esforço pela manutenção do princípio fundamental da honestidade na condução dos interesses públicos. E como todo valor ético, a honestidade é uma construção, depende da trajetória de vida das pessoas, de sua experiência. Em geral, ninguém dirá que é desonesto, o desonesto é sempre o outro. No entanto, creio que a honestidade está sempre no horizonte dos que não se deixam capitanear por interesses privados.

Conhecendo o atual prefeito desde 1995, tendo com ele uma relação de amizade, atesto, pela minha própria trajetória de vida, sua marca carismática e agregadora. Nunca quer desgostar ninguém e com a experiência política adquirida ao longo dos anos mantém seu perfil conciliador e quase sempre foge de enfrentamentos públicos desnecessários. É uma pessoa de diálogo e aproximação, mesmo com os adversários. Nunca reage a ataques de forma a cair na armadilha de perder a postura, na mesma linha do que fazia meu mestre, Paulo Freire, figura sempre atacada pelos adversários.

Algumas diferenças já se podem perceber na atuação do governo e das secretarias. Em primeiro lugar, destacaria o rápido esforço por mobilizar diferentes setores sociais no debate de causas antes esquecidas, através de conferências, encontros, formas de diálogo. Já foram realizadas as Conferências da Igualdade Racial, das Cidades, do CONAE-livre, da Cultura e está em preparação a de Assistência Social. Já está em curso, nos diferentes conselhos municipais, um debate sobre o fortalecimento da participação no acompanhamento destas instâncias da elaboração das políticas públicas. O próprio prefeito tem participado de outros debates, organizados por entidades as mais variadas. Atende até pessoas na calçada, no gabinete, se for o caso. Não foge ao diálogo nunca.

Na Cultura, a mudança de foco está na opção por um viés mais popular, incentivador da autonomia produtiva em polos descentralizados, como o projeto Cirandar, em lugar da simples terceirização de projetos. Haverá sim, pelo que tenho acompanhado, espaço para todos, mas o foco não é  mais a visão de cultura como promoção de eventos e espetáculos. Faz-se necessário, por exemplo, no que se refere ao patrimônio histórico, fomentar discussão e a produção de análises sobre os diversos  bens imateriais ignorados na história oficial, geralmente relegados a segundo plano, nesta saga por preservar espaços físicos.

É visível o esforço por mudar a cara da cidade do ponto de vista urbanístico, da melhoria da manutenção de ruas, avenidas e praças. Estão em processo novos procedimentos para coleta de lixo, redimensionando trabalhos de seletividade antes existentes. Várias obras que já estavam em curso estão sendo concluídas. Já há encaminhamentos para a construção de um novo hospital, fora a construção de novas unidades de atendimento e a parceria com o governo do estado para a conclusão da obra do hospital regional.

Especificamente na minha área, a educação, as mudanças foram muitas. Em primeiro plano a forma de diálogo instituída com os servidores, através do projeto Papo Escola. Antes não havia essa prática. As visitas pessoais do secretário a cada unidade escolar também se constituem como nova maneira de olhar os problemas. Para o conjunto dos professores, assumiu-se a responsabilidade da implantação no município, da lei que define um terço da jornada dos docentes fora da sala de aula. A formatação deste dispositivo legal ainda está em curso e um modelo já foi proposto para os servidores. A partir de 2014 nenhum professor ficará sem este direito. O desdobramento será a realização de novos concursos para contratação de novos professores.

Outro avanço importante tem sido os esforços para amenizar os impactos do crescimento gradual do número de crianças atendidas em creches. A compra de vagas em escolas particulares tem sido medida paliativa, mas a meta é atingir 2 mil crianças num prazo de 4 anos, ou seja, uma ampliação de cerca de 500 vagas por ano. Só em 2013 a meta dos quatro anos já foi contemplada em cerca de 20%. Insuficiente ainda, o que gera muitas insatisfações, naturais e legítimas, mas não se pode alegar que não há o esforço em resolver este problema complexo, que exige construção de novas creches, o que não era feito nos últimos anos. Serão pelo menos 10 creches em 4 anos, 3 já em processo de elaboração de projetos.

Todos os programas, materiais didáticos e planos para a educação estão sendo reavaliados, aproveitando aspectos já consolidados e aprimorando o discurso em direção a uma educação humanista, progressista.

Certamente também vieram muitas críticas, algumas legítimas, outras apelativas, mas o importante é que se garanta o espírito democrático sem se perder de vista o horizonte ético da cobrança. Tarefa não tão simples, já que estamos todos acostumados a defender sempre os próprios interesses e deixar de pensar no interesse coletivo.

Fechando a análise, diria que para alguém que está em vias de aposentadoria, como eu, o trabalho tem se constituído como um coroamento de tudo que fiz e acreditei ao longo de minha militância social de 37 anos, desde a atuação nas pastorais da igreja católica, até o movimento cultural como músico, o sindicalismo e a atuação partidária. Hoje sem partido, atuando mais como técnico, não deixei de lado as bases de minha formação: a esperança esperançosa de que há coisas boas por construir.

José Renato Polli. Filósofo, historiador e pedagogo. Professor universitário e assessor especial educacional da Secretaria Municipal de Educação de Jundiaí. Autor de 12 livros nas áreas de filosofia, história, educação, crônicas e literatura infatojuvenil.

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Uma resposta para “Avanços importantes”

  1. Zé, mais uma vez, reforço a importância de artigos como este, vindos dos gestores e atores políticos. Sempre pontuei como isso é necessário para amadurecer a participação social. Continue!

    Gostei a construção em torno da busca pela honestidade, na gestão e na cidadania. Tenho tentado tal honestidade.

    Trouxe muitas das realizações, mas vou debater sobre as Conferências. É de se pontuar este avanço, realizando mais conferências em sete meses do que foi realizado nos últimos quatro anos. Tenho lido um documento do IPEA (fatores de sucesso na organização de conferências) e digo que ainda precisamos qualificar bastante a organização local.

    Entendo que não tínhamos – muitos de nós e a cidade como um todo coletivo – cultura de conferências. Vamos tentar aprofundar este debate para que as próximas, provavelmente no biênio 2015-2016 sejam mais qualificadas (no processo de mobilização intersetorial e de formação política).

    um abraço do henrique

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