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BRT: Votação de empréstimo para financiamento escancara clima pré-eleitoral

Publicada em 09/10/2015 às 09:36 | por Colunista Convidado

A Câmara Municipal de Jundiaí aprovou na sessão desta terça (06) projeto de lei do Executivo que autoriza operação de crédito com o Banco do Brasil para R$ 18,5 milhões de contrapartida da Prefeitura às obras do Transporte Rápido por Ônibus (BRT). Até aí tudo bem, já que um dia antes o líder do governo na Casa, Gerson Sartori (PT), havia previsto que a votação a favor do projeto estaria praticamente garantida. Afinal, na visão de Sartori, a matéria já havia passado pelas três comissões responsáveis da Câmara com parecer favorável. Só que alguns vereadores, dois deles que fazem oposição sistemática ao prefeito Pedro Bigardi (PCdoB), não só votaram contra o projeto – aprovado por 14 dos 19 parlamentares – como deixaram claro na tribuna que o clima pré-eleitoral, já observado nas últimas sessões ordinárias, veio para ficar.

O montante de R$ 18,5 milhões integra os R$ 28,5 milhões que a prefeitura deve aplicar na obra. Mais R$ 106 milhões serão entregues ao BRT pelo governo federal através do PAC 2. O primeiro trecho, de 4,1 quilômetros, é parte de um projeto maior que prevê outros corredores, principalmente na região Oeste da cidade. O traçado ligará o Terminal Colônia (na região Leste do Município) ao Centro, em terminal que será construído na região da avenida União dos Ferroviários.

Disseram não à proposta os vereadores Gustavo Martinelli (PSDB), José Galvão Braga Campos, o Tico (PSDB), Paulo Sérgio Martins (PPS) e Antônio de Pádua Pacheco, que acaba de trocar o PSB pela Rede Sustentabilidade. Martinelli e Tico apelaram para o lado político, afirmando que esse não é o momento para novo empréstimo em função da situação econômica do País. “Absurdo aprovarmos mais um empréstimo”, disse Martinelli. “Oxalá essa obra comece antes do meio do ano que vem. Aí a gente entra no clima pré-eleitoral”, afirmou um Tico, que, mesmo sendo oposição ao prefeito, e como vice-presidente da Câmara, substituirá o presidente Marcelo Gastaldo (PTB), em período de licença, por três semanas.

Já o médico Antônio Pacheco alegou que outras áreas do Município, como saúde e educação, exigem prioridade, sendo bombardeado pelo vereador-pastor Roberto Conde (PRB), o que causou surpresa. “Estive no Rio e vi “in loco” como funciona o BRT. É uma beleza”, declarou. Para os que votaram a favor do projeto do BRT não cabe, agora, discutir a validade técnica da proposta, vez que ela já havia sido votada e aprovada na Câmara por unanimidade em 2013. “Se o projeto está sendo discutido agora é porque a Prefeitura tem condição de levantar esse empréstimo. O projeto é positivo, não é alegórico”, disse a líder do PT na Câmara, Marilena Negro.

Prorrogação dos Trabalhos

Como já tem ocorrido há pelo menos quatro sessões, foi solicitada a prorrogação dos trabalhos por até uma hora, que acontece geralmente após
o tempo ocupado por várias suspensões, pedidas pelo presidente da Mesa, para atendimentos diversos. Seja de última hora, por munícipes que comparecem no dia, seja por inúmeras homenagens a pessoas e instituições prestadas pela Câmara, como a ocorrida na última sessão. Para comemorar o Dia do Nascituro e a Semana da Vida e dos Valores Familiares, em que gestantes receberam flores dos vereadores e tendo como convidados representantes dos vários segmentos religiosos da cidade, a sessão permaneceu suspensa por quase duas horas. Registraram presença nesse período de tempo o vice-prefeito Durval Orlato (PROS) e o secretário da Agricultura Marcus Brunholi.

Mesmo com poucos itens na pauta para serem votados e discutidos, o tempo regulamentar se esgotou, forçando a Mesa a solicitar a prorrogação. Logicamente o tempo se esvaiu e, das dezenas de pessoas que ocuparam grande parte das cadeiras da assistência no início, só três aguentaram firme até o fim dos trabalhos. A sessão, que teve início às 18h terminou às 22h47m, no encerramento registrava a presença de apenas quatro vereadores (Martinelli, Zé Dias (PDT), Natanael Onofre Matias, o Caé – que substitui o petista Paulo Malerba, também em período de licença – além do vereador-pastor Dirlei Gonçalves (PV). No apagar das luzes oito bravos funcionários ainda se esforçavam para aguentar o repuxo do Grande Expediente, onde os vereadores têm a palavra aberta para se manifestar sobre o que bem entender.

Cláudia Maria Petroni Muller (jornalista)
Márcia Pires (colaboradora)

Colunista Convidado

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