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Cidadania Viva

Publicada em 03/04/2011 às 19:06 | por Simone Pligher

“A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído a vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social” (Dalmo Dallari).

” Tudo o que acontece no mundo, seja no meu país, na minha cidade ou no meu bairro, acontece comigo. Então eu preciso participar das decisões que interferem na minha vida. Um cidadão com um sentimento ético forte   e  consciência de cidadania não deixa passar nada, não abre mão desse poder de participação” (Herbert de Souza, o Betinho).

Apesar de termos uma Constituição “Cidadã” que nos instrumentalizou com meios legais de proteção de direitos e incentivo à democracia participativa, a sociedade civil ainda deixa muito a desejar em termos de organização e participação na vida pública. Achamos o máximo quando os europeus saem às ruas para reivindicar direitos mas temos preguiça de pesquisar a vida pregressa dos nossos candidatos, não conseguimos lembrar em quem votamos e não temos a mínima paciência para audiências públicas, ou seja, em termos de democracia participativa ainda somos “café com leite”. E ainda requeremos a “dupla cidadania” (italiana, espanhola, etc) – mal damos conta de uma!!!!!

Contudo, quando pensamos na altíssima carga tributária que pagamos e nas lamentáveis estatísticas brasileiras em assuntos da mais alta relevância como  o analfabetismo funcional e a violência urbana não dá para ficar inerte. Como disse Fernanda Montenegro numa entrevista:   – já está na hora do brasileiro perder a paciência!.

Reclamar de políticos pode trazer um certo alívio, mas não passa disso.  É preciso que cada um se comprometa de verdade com o bem comum e faça sua lição de casa. Somos, sim,  sujeitos de direito mas também temos nossa cota de responsabilidade na construção dessa convivência coletiva. Ainda que se  viva dentro de um condomínio fechado e se atravesse a cidade com carro blindado para se divertir no Shopping Center,  não se estará livre de   ficar “na mão” se a babá não aparecer para trabalhar por falta de creche para o filho,  de ser  atingido por uma bala perdida enquanto atravessa a rua, de ter o filho vitimado pelo tráfico de drogas. Se for um pouco mais sensível, como eu, terá o sono perturbado por histórias aterrorizantes de chacinas e crianças de dez anos viciadas em crack.

Infelizmente não podemos fazer muito por aqueles que estão distantes ( exceto assinar petições que circulam pela internet e apoiá-los pelas redes sociais) mas talvez dê para fazer alguma diferença em nossa cidade, que ao final, é onde vivemos.

Nossa cidade é linda, temos belos parques onde podemos caminhar em belas paisagens e andar de caiaque na represa (gratuitamente),  curso de idiomas mantido pelo Município, esgoto tratado, creches de qualidade (pena que ainda não seja para todas as crianças), ou seja, temos sim do que nos orgulhar. Como servidora municipal  posso testemunhar quantos funcionários públicos estão empenhados em fazer seu trabalho da melhor maneira possível e se orgulham do que fazem, apesar das dificuldades em driblar as questões políticas que invariavelmente permeiam o serviço público, independentemente do partido político do governo. Mas isso é outra história…

Contudo, não podemos fingir que não vemos o que vemos .  Se não sairmos da letargia, se não amadurecermos em termos de cidadania, seremos sempre sujeitos passivos, tratados como crianças que não sabem ou podem fazer escolhas, seremos sempre conduzidos por alguma autoridade (para aprofundar o assunto, leiam Freud em “O Mal Estar na Civilização). Por outro lado, as autoridades não podem enxergar nas participações populares uma afronta ou manobra partidária, mas o exercício de um direito legítimo.

Queremos crescer? Então temos que saber o que realmente nos é importante  enquanto sociedade, começando por um escrutínio pessoal, o que é importante para mim enquanto cidadão jundiaiense? Como posso participar das decisões que afetam o mundo em que vivo? É essa, na minha visão,  a proposta deste blog, um espaço de reflexão onde jundiaienses poderão trocar informações e idéias com outros jundiaienses,  fortalecendo esse tecido social que hoje nos parece tão fino e esburacado.


José Saramago – Democracia Sequestrada

 

Simone Pligher

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