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Cidadonos: Cidadãos inspirados pelo Pão e Poesia

Publicada em 26/04/2011 às 18:25 | por Voto Consciente Jundiai

Por Flavio Gut

Cheguei ao lançamento do Cidadonos por uma dessas vias indiretas do destino. Ao entrevistar Rodrigo Bandeira para uma reportagem da revista Página 22, a respeito da lei de acesso a informações públicas, fiquei sabendo por ele de um exemplo muito bem sucedido em Jundiaí.

Justamente onde, entre 1993 e 1996, ocupei o lugar de diretor de redação de um dos jornais locais, o Jornal de Jundiaí. Naquela época, a cidade vivia uma cena cultural interessante. No “Paineiras”, simpático shopping da cidade, com o interior aberto, por onde cresce uma…Paineira!, algumas centenas de pessoas se reuniam em um clima de paz e amor, no final da tarde de muitos domingos, para ver apresentações dos grandes artistas locais.

Um deles, especialmente, me cativou como a tantos outros: Nando Nicioli, naquele tempo simplesmente Fofão. Carismático, ótimo cantor e instrumentista, o Fofão costumava (e ainda faz isso hoje) apresentar um repertório da melhor MPB brasileira. Fofão pra mim representava a cena jundiaiense. Um símbolo e uma orientação para os repórteres: “Temos que mostrar quem faz cultura em Jundiaí. Quem são essas pessoas”. E a capa do caderno de cultura deixou de ter novelas para ter entrevistas e reportagens com Nando Nicioli, Mário Maresias, Rudy e tantos outros protagonistas locais.

A Jundiaí interiorana já começava a mudar. A Prefeitura ganhava prédio novo. Novas avenidas tinham sido construídas, novos prédios e novas pessoas no poder. Na superintendência da Caixa Econômica Federal, por exemplo, estava Henrique Carlos Parra Parra. Filho de espanhóis hiper-boa-praça (e que até hoje continua superintendente da Caixa, mas na Zona Leste da cidade de São Paulo), não foi difícil fazer amizade. Na base da pirâmide (e bem ali abaixo do prédio da Prefeitura, pra quem conhece a área) outra figura se destacava como voz dos menos favorecidos: o santista e sambista Tomé Zabelê. Dono de uma energia poderosa, esse puxador de samba enredo era a voz da Favela da Fepasa e uma espécie de representante não oficial dos sem-tudo. Tomé Zabelê tratava a política no mesmo compasso dos ensaios da bateria: com energia e coração.

Nesse tempo, o saudoso Betinho — o irmão do Henfil –, lançou a campanha Cidadania contra a Fome. Herbert de Souza, ex-exilado político, fez o Brasil começar a pensar em ser solidário.

A mensagem tocou em cheio os corações do sambista Zabelê, do artista Fofão e do superintendente-poeta-ativista Henrique Parra Parra. Numa conversa debaixo de um pé de pêssego, os três decidiram fazer um grande evento com objetivo de arrecadar alimentos para quem mais precisava, mas também para satisfazer outra necessidade igualmente fundamental para o ser humano: a ânsia pela manifestação artística. Nasceu assim o Pão e Poesia.

Uma conjunção de fatores, entre eles o apoio da mídia, fez do evento um sucesso imediato. Desde o primeiro ano, centenas de toneladas de alimentos foram arrecadadas.

Mas a ação de cidadania se mostrou bem mais profunda que açucares e feijões para os menos favorecidos. O Pão e Poesia criou uma sensação de empoderamento que a sociedade jundiaiense ainda não tinha visto. Artistas, pessoas comuns, dirigentes políticos. Muitos perceberam que, de suas próprias mãos, emergira uma cidade nova.

Sentindo que havia concluído meu trabalho em Jundiaí, direcionei minha carreira jornalística, a partir de 1996, para outros lugares…

….

Henrique Parra Parra e Nando Nicioli

15 anos depois, porém, os assuntos cidadania e Jundiaí retornavam a mim na entrevista com o ativista e pensador Rodrigo Bandeira, idealizador do Cidade Democrática. Ao conversar com ele, Rodrigo me apresentou um dos cabeças do movimento Voto Consciente em Jundiaí, Henrique Carlos Parra Parra Filho.

O tempo havia passado rápido demais, e o Henriquinho, o filho, tinha se tornado também um líder. Falou-me do Cidadonos e me convidou para estar no evento. Eu fui.

A primeira pessoa que encontrei lá foi justamente Henrique Parra Parra, o pai, que conversava com o jornalista Milton Jung, da Radio CBN. Em seguida, revi Fofão, o Nando Nicioli. Ele trazia uma pasta com recortes do Pão e Poesia. Me mostrou, feliz: “Olha aqui um artigo seu”.

Lembramos juntos do saudoso Tomé Zabelê e as engraçadas histórias do Pão e Poesia. Um movimento que, indiretamente, deu origem ao Cidadonos e outras iniciativas que fazem de Jundiaí uma referência nacional no aspecto participação popular.

Esses meninos que hoje estão à frente do Voto Consciente, do Cidade Democrática e do Cidadonos estão fazendo uma revolução. Silenciosamente (nem tanto algumas vezes) vão tomando os espaços da sociedade, mostrando que esse país é de todos. Não há um só dono nem apenas uma só resposta.

Como disseram Rodrigo Bandeira e Milton Jung, é preciso trabalhar em conjunto com outras pessoas, pois ninguém tem a visão completa. Temos que nos apoiar e nos compreender para assim construirmos cada cidade, estado e o país que queremos.

Voto Consciente Jundiai

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Uma resposta para “Cidadonos: Cidadãos inspirados pelo Pão e Poesia”

  1. Avatar Helenice Rodrigues disse:

    Olá Flávio: Lembra-se da Helenice (Ufóloga) ?

    Deus lhe ajude a manter sua consciência tranquila, apesar de tudo!!!

    Bom final de ano!

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