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Com sua licença

Publicada em 21/08/2011 às 18:26 | por Patricia Anette

Assumi para mim mesma, recentemente, um sentimento de quase-humilhação que tenho ao passar em frente às lojas Kopenhagen: sempre tive vontade de comer aqueles chocolates, mas como meus pais me diziam que é uma loja cara e que a gente jamais poderia comer daquilo, eu nunca entrei, com vergonha até mesmo de perguntar o preço das coisas!

Com as “coisas públicas”, o constrangimento é bem parecido e generalizado. Passei a notá-lo depois de uma Sessão Ordinária que acompanhei, em 2008, na Câmara Municipal de Jundiaí, onde existe uma plateia com uns 60 assentos, separada do plenário onde os nossos representantes (que verbo usar?) legislam. Alguns meros mortais aproveitam a Sessão Ordinária para pedir favores aos vereadores: foi o caso de uma mulher que me perguntou, por eu estar sentada perto da entrada:

– Moça, eu posso sentar aqui?

Meus olhos se encheram de água e eu nem pude gritar para essa mulher: “sim, você pode, você deve se sentar e prestar atenção ao que os vereadores estão fazendo, e deve contar isso aos seus vizinhos, porque dentre outras razões, seus impostos vêm prá cá e para um monte de lugares que esses caras aí escolhem, e é também culpa deles você ter que vir pedir favores!”. Respondi “sim, claro”, tendo em mente que depois daquele dia, eu não poderia parar de fazer o que aprendi no Voto Consciente, que hoje formulo assim: lembrar aos cidadãos que eles são cidadonos e fazer isso ser entendido por empresas e poder público.

Desde então, não sei quantas vezes já respondi baixinho “sim, claro” a amigos, a familiares e a mim mesma quanto às barreiras silenciosas ou ditas de boca cheia pelo poder público jundiaiense. Agora, sinto que é a vez de esse poder público – com suas câmaras, secretarias, bibliotecas, praças e teatros muito pouco acessíveis –, é a vez da iniciativa privada – com suas Kopenhagens endinheiradas –, e é também a vez de cidadãos que ainda não se sentem donos da res publica dizerem “sim, claro” ao que os 3500 cidadonos jundiaienses articularam para Jundiaí nesses últimos meses.

Estar presente no dia 26 de Agosto de 2011, data da Premiação das 12 ideias vencedoras do Concurso Cidadonos, bem como viabilizar a implementação dessas ideias nos meses que se seguem, são atitudes que ecoam Oswald de Andrade: “a massa ainda comerá do biscoito fino que fabrico”. Agora, se eu comerei Kopenhagen um dia, já não faz tanta diferença.

 

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3 respostas para “Com sua licença”

  1. Avatar Vinícius Whitehead Merli disse:

    Adorei, Patrícia. Ótima analogia.

    E tem toda razão, é direito e dever (ao mesmo tempo) do povo acompanhar e cobrar os legisladores e o executivos. Afinal, eles ganharam nosso voto na urnas e de “confiança”.
    Continue nessa, terá o meu apoio sempre.

  2. Avatar Rodrigo disse:

    Parabens pelo texto!!!

  3. Márcia Pires Márcia Pires disse:

    Paty,

    Belo texto!Quem sabe não esteja tão longe o dia que a maioria dos cidadãos jundiaienses provarão do “biscoito fino” da participação legítima e direta na administração pública.Parabéns!

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