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Diálogo versus monólogo e despotismo

Publicada em 27/03/2012 às 15:06 | por Márcia Pires

Em seu último artigo publicado no blog do Voto Consciente Jundiaí, o professor e doutor em educação José Renato Polli escreveu com brilhantismo sobre um fenômeno que acomete os legisladores locais, em que o receber críticas produz cada vez mais comportamentos para além da postura defensiva e do espírito antidemocrático.
Na sessão ocorrida em seis de março, durante a consulta pública a respeito da lei de congelamento de novos empreendimentos na Serra do Japi e em um dos momentos mais tensos da noite, um cidadão que acompanhava do lado de fora da Câmara gritava em alto e bom som: “…a juventude é massa de manobra!…”
A juventude é massa de manobra? O adjetivo, utilizado em seu pior sentido faz supor, como bem escreveu o professor Renato que, ao olhar de boa parte dos ocupantes do poder público, os cidadãos nada sabem, entendem ou são capazes de modificar em se tratando do cuidar da pólis. Os cidadãos seriam “infelizes idealistas ( a juventude ) que vivem de fisgar o fígado alheio ( manobras às quais se subordinam as massas )”.
Ainda na sessão ordinária de quatorze de março, por ocasião da participação dos alunos de um colégio particular da cidade, o presidente da Câmara discursou em “nome da democracia” , dizendo que(…) esta se faz na base do diálogo, da não pressão, da não anarquia, do mais ouvir do que falar…” Uma clara alusão às ferrenhas manifestações populares nas sessões que discutiram o aumento dos salários de vereadores e prefeito e a consulta pública a respeito da lei de congelamento de novos empreendimentos na Serra do Japi.
Mais ouvir do que falar? “Não pressão, não anarquia?”, conforme declarou o presidente da Câmara? Pergunto: onde está o diálogo? Onde não há diálogo só existem duas possibilidades: o monólogo e o despotismo. São incontáveis os episódios na história da humanidade em que conquistas importantíssimas foram possíveis somente porque alguns, exatamente pela falta de diálogo, tiveram a lancinante coragem de gritar e dar voz aos direitos que acabaram beneficiando a muitos.
Se não houvesse o forçoso protesto, nossos nobres vereadores teriam recuado a respeito do aumento dos salários? Se a população de Jundiaí ficasse apenas na conversa, haveria consulta pública sobre lei de congelamento de empreendimentos na Serra do Japi? Ou será que tudo permaneceria no plano das – por vezes vergonhosas disputas – exclusivamente políticas, sem a menor chance de institucionalização dos debates? Fica a reflexão…

Márcia Pires

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