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Dois tropeços de uma escuta fraca

Publicada em 03/12/2011 às 11:43 | por Henrique Parra Parra Filho

Vindo do I Seminário Nacional de Participação Social, do qual tive a honra de participar como convidado, trouxe comigo um conceito aprendido; o de escuta fraca ou forte. Esta, quando construída como um projeto integrado de secretarias e poderes, construindo processos presenciais e digitais, dando respostas aos participantes e deixando claro o sentido da participação (como, quando e onde participar), bem como os resultados dessa participação (o que mudou, foi alterado e aperfeiçoado graças a cada participação). O primeiro, de escuta fraca, é quando eventos, reuniões e debates são feitos com o objetivo maior de “criar uma imagem de participação”, sem deixar claro o sentido e a efetividade da participação. A diferença está em reconhecer, valorizar e estimular as lideranças sociais ou, por outro lado, cansar e criar a sensação de que a reunião chata e demorada não serviu para nada.

Tenho pensado como esse conceito ajuda a enxergar nossa cidade e, mais rápido do que pensava, dois acontecimentos ilustram bem o que seria uma “escuta fraca”.

Dividir para conquistar?

Há muita discussão para saber qual peça é mais importante, se o Orçamento ou se o Plano Diretor. Não há ninguém, por outro lado, que não reconheça que ambos são a expressão máxima de um projeto de cidade e que, por esse motivo, precisam ser cuidadosamente pensados e construídos. Além disso, que precisam ao máximo envolver, ouvir e responder aos moradores, afinal, uma cidade não se constrói sem os que nela vivem e sonham. Choca (aqui serei concreto) receber a notícia de que a Audiência do Plano Diretor da Serra do Japi será no mesmíssimo dia e hora da Audiência do Orçamento de 2012. Será impossível acompanhar as duas e nesse atropelo cidadania de Jundiaí pode ficar perdida nos curtos quilômetros que separam a Câmara da Prefeitura.

4 dias para construir a cidadania

Prometida desde o começo de 2010, a ampla e participativa revisão do Plano Diretor da Serra do Japi tem convivido com confusões e parece perdida, como em mata fechada e sem condições de ler os sinais da natureza e da sociedade, indispensáveis para um caminho seguro. Com projetos e versões novas a cada semana, o projeto final foi prometido para amanhã, quando será divulgado na internet. Outra divulgação, presencial, está marcada para o dia 06/12. Caros jundiaienses, vizinhos de Japi, teremos quatro dias para uma verdadeira expedição pelas incontáveis páginas, índices e artigos da lei! A que tudo indica, o projeto será enviado para a Câmara e, na noite de Natal, será votado! O chiste não é sem motivo: em 2004 a mesma lei foi aprovada em 29 de Dezembro, na correria e dificultando o acompanhamento cidadão.

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2 respostas para “Dois tropeços de uma escuta fraca”

  1. Aqui em Várzea Paulista o que se assistiu na alteração do plano Diretor é igual ou pior do que esta havendo em Jundiaí. Aqui na cidade o Plano Diretor foi construído com ampla participação da população porém está sendo dilacerado sem NENHUMA participação popular. E para que serve a participação popular ? Ela deveria servir para contrapor o interesse social ao interesse econômico , equiparar o interesse de TODOS ao interesse de todos.
    É válida a abertura concedida pelo prefeito aqui de Várzea Paulista e pelos vereadores mas é preciso deixar de lado os métodos de cochico ( escuta fraca) , os governantes de uma modo geral , de todos os partidos precisam parar de tentar PARECER DEMOCRÁTICOS E PASSAREM A SER DEMOCRÁTICOS DE VERDADE.

    Infelizmente nossos esforços continuam aplicadas e falar alto o bastante para que possamos ser ouvidos, quando na verdade o ideal seria podermos falar baixo e aprimorar a qualidade dos nossos argumentos… Mas infelizmente sem gritar eles ainda não conseguem nos ouvir. Mas ainda assim as vezes se fazem de surdos.

    Vamos em Frente.

  2. Avatar Rosana Lucas disse:

    Sabe Henrique. Eu e o Cesar Tayar ja sabemos disso tudo a mais de 15 anos, por isso desistimos desse governo e passamos a lutar do outro lado. Eu fico sempre encantada com a postura da Voto consciente e sua persistencia. Porque isso é processo, já não é mais so a vanguarda que luta, são voces, jovens sérios e visionários que enxergam também a cidade como um todo. Um mundo coletivo que precisa ser respeitado pelas lideranças ativas. As articulações da situação para desviar foco, desvirtuar noticias, e porque não dizer claramente, engambelar o povo vem desde os romanos, passa por outros maquiavelistas que tem por objetivo, se perpetuar custe o que custar. Mas eu vejo uma luz no fundo deste túnel. E são voces, jovens sérios e comprometidos com a cidadania e com o coletivo. Somente voces tem o poder de banir os corruptos da política. De alguma forma, se eu puder ajudar estou a disposição. Abçs e força nesse projeto que tem tudo pafra dar certo.

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