Voto Consciente Jundiaí | https://votoconscientejundiai.com.br

Eu, Cidadonos

Publicada em 24/09/2015 às 12:29 | por Alberto Urbinatti
Publicado originalmente na Revista Apê Zero1: https://www.apezero1.com.br/eu-cidadonos/

beto-563x353

Eram quase seis horas da tarde quando perdi o ônibus no terminal central e desisti de esperar o próximo por conta da demora. Pensei no motivo daquele terminal ser tão cheio e daqueles ônibus serem todos da mesma cor dificultando diferenciar qual seria o certo. Resolvi ir a pé. E ao andar pelas ruas mais movimentadas da cidade quis fotografar o último instante que restava de pôr-do-sol. Tive dificuldade de achar um bom ângulo, pois os postes cheios de fios emaranhados tiravam minha visão do horizonte. Pensei no motivo daqueles fios não estarem por baixo da terra. Mas a saída era simples: precisava atravessar o cruzamento em que eu estava para ter um cenário diferente.

Não foi. Os minutos em que aguardei a luz verde piscar para mim em dois momentos distintos e dois ônibus amarelos de linha parados sobre a faixa de pedestres por conta do trânsito foram suficientes para o sol ir embora. Percebi que um deles era o ônibus que eu aguardei por algum tempo no terminal. Pensei no motivo de eu não poder atravessar diretamente para o outro lado do cruzamento, numa espécie de “X”, e no motivo daqueles ônibus não terem uma faixa própria pra eles para chegarem mais rápido no terminal. Mas tudo bem, me culpei por ter olhado para o céu tarde demais.

Não foi tão tarde assim. Consegui perceber o quanto a cidade estava diferente de décadas atrás. A cidade me pareceu densa demais e pensei no motivo de a especulação imobiliária ter transformado tanto o cenário onde eu estava. Vou explicar: o céu já não era o mesmo céu porque os prédios não deixavam.

Deixei a minha imaginação me contar o quanto Jundiaí ainda precisava melhorar seu planejamento urbano. Pensei no motivo de não termos mais espaços para as bicicletas, para os skates, entre outros transportes menos agressivos ao meio ambiente. Então me aprofundei em um velho questionamento: a culpa dos problemas da minha cidade é do governo ou de nós, cidadãos? A resposta veio pronta pra confundir: dos dois.

Sem culpa, inverti a lógica e resolvi pensar menos em problemas e mais em soluções. Minha equação era simples: para solucionar problemas eu precisaria de conhecimentos e para ter conhecimentos eu precisaria de educação. Pois bem, pareceu tão óbvio quanto animador.

Imaginei que poderíamos ter escolas mais capazes de ensinar a resolver problemas. Pensei no motivo de ainda não resolvermos o problema do lixo fazendo a compostagem, no motivo de não resolvermos conflitos mudando a forma de se fazer justiça, no motivo de não dar mais atenção àqueles que têm dificuldade de aprendizagem, entre tantos outros motivos. Além disso, pensei no motivo de não preservarmos a memória da cidade e de aprender com ela para fortalecer a cultura local. Tive certeza de que todas essas ideias deveriam ser pensadas em rede e seria necessário ocupar os espaços disponíveis pelo poder público para conseguir dar um passo adiante. Por qual motivo ainda não fizemos?

Imaginei um movimento de cidadãos transformando esses motivos em melhorias para a cidade a partir da mobilização dos seus familiares, amigos e também desconhecidos. Imaginei que elas mesmas fiscalizariam o governo para que suas ideias ganhassem espaço nas agendas políticas da cidade. Cheguei a uma conclusão própria depois de muito imaginar: entre tantos motivos, eu me motivo.

Voltei meu pensamento ao cruzamento onde eu estava, dei alguns passos pela calçada e resolvi fotografar a lua com a mesma animação de antes. Naquele momento, o dia não era mais dia, era noite. A cidade não era mais problema, era solução. Eu não era mais eu, era vários. Eu era Luana Durante, Marina Duarte, Felipe Cereser, Liso Pride, Carmem Lúcia da Silva, Geane Barbosa, Rodrigo Mendes Pereira, Jean Camoleze, Henrique Parra Parra Filho, Situ da Depressão, Instituto de Arquitetos do Brasil (Núcleo do Aglomerado Urbano de Jundiaí), Rede de Proteção Integral da Criança e do Adolescente de Jundiaí e Rede Social Jundiaí. Eu era Voto Consciente Jundiaí. Eu era Cidadonos.

…………………..

Esta crônica foi motivada pelo aniversário de nove anos de Voto Consciente Jundiaí e pelas doze propostas vencedoras do 3º Concurso Cidadonos. Os nomes citados ao final são os autores vencedores que criaram as ideias apresentadas ao longo do texto. Convido os leitores a comemorarem esta data importante conhecendo as propostas do concurso através do link: https://www.cidadedemocratica.org.br/competitions/8-cidadonos-2015-qual-sonho-voce-deseja-construir-na-nossa-cidade

Avatar
Últimos posts por Alberto Urbinatti (exibir todos)

Leia mais sobre Outros

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Link original: https://votoconscientejundiai.com.br/eu-cidadonos/