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“Ideologia de gênero” domina sessão e Plano Municipal de Educação é aprovado

Publicada em 29/06/2015 às 00:37 | por Colunista Convidado

Mesmo com a retirada da expressão “ideologia de gênero” no texto do projeto encaminhado pela Prefeitura de Jundiaí para apreciação, os vereadores tiveram muito trabalho para aprovar o Plano Municipal de Educação na última terça (23), durante sessão ordinária. Muita gente até esperava que o projeto passaria batido pelo crivo dos vereadores, o que realmente aconteceu, já que havia consenso sobre o assunto antes da sessão. Mas o que ninguém imaginava era o comparecimento de público ligado, de um lado, a setores religiosos da cidade – leia-se católicos e evangélicos, em sua ampla maioria – e de outro os representantes do movimento LGBT na cidade. O embate entre os grupos transformou a plateia em verdadeira praça de guerra, já que a ala LGBT foi levar o seu protesto pela exclusão da “ideologia de gênero”. Os religiosos, por sua vez, compareceram para defender ferrenhamente a retirada do termo.

A sessão durou cerca de três horas, com a aprovação de outros quatro projetos de autoria do Executivo e outras três moções apresentadas pelos vereadores Rogério da Silva (PHS), Gerson Sartori (PT) e Paulo Malerba (PT). Porém o que deveria ser uma discussão que contemplasse os vários itens contidos no projeto, acabou se resumindo no embate dos dois grupos. Os que tentaram usar a tribuna mal conseguiam expor opinião, principalmente os vereadores-pastores, que fizeram questão de tocar no assunto, sendo ao mesmo tempo aplaudidos e vaiados quando defendiam que “a ideologia de gênero” deturparia os conceitos de homem e mulher, destruindo o modelo tradicional de família. Os que defendiam a manutenção dessas referências acham que as escolas precisam estar preparadas para combater a discriminação de gênero e para dar formação básica sobre sexualidade e, evitando, entre coisas, o conhecido “bullying”.

O presidente da Câmara, Marcelo Gastaldo (PTB), perdeu o controle da sessão várias vezes. “Não queremos de maneira nenhuma que essa noite se transforme numa guerra”, disse ele, sendo obrigado a suspender a sessão por cerca de meia hora na tentativa de apaziguar os ânimos. A vereadora Marilena Negro, chegou a dizer que o “respeito tem que ser mútuo” ao ser interrompida abruptamente pelo vereador Rogério da Silva quando, entre outros aspectos, falou sobre o Conselho Municipal de Educação, que apreciou o plano. “Em Jundiaí o Conselho não tem caráter deliberativo”, afirmou Marilena, momento em que Rogério declarou:” Os ‘vereador’ é a favor da família”, disse, saindo totalmente do assunto tratado por Marilena. “A intolerância deixa às vezes as pessoas surdas e cegas”, devolveu Marilena, pedindo mais respeito ao presidente da Mesa. No final dos trabalhos foi aprovada rapidamente emenda de autoria de Marcelo Gastaldo, substituindo a palavra “gênero” por “sexo” no projeto, evidenciando ainda mais a preocupação da bancada religiosa com o assunto.

Cláudia Maria Petroni Muller
Jornalista e professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileir
Colunista Convidado

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