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Investimentos em Jundiaí

Publicada em 09/02/2013 às 18:09 | por Nikolas Schiozer

Fonte:https://blogs.estadao.com.br/link/tag/foxconn/

Uma das principais características da economia global de nossos dias é a grande liberdade de movimentação de capitais pelo globo. Essa liberdade é o resultado de avanços tecnológicos nos setores de comunicação, informática e transportes e de um processo político de liberalização das economias por todo o globo desde a década de 70. No Brasil, o processo de liberalização da economia teve início com o governo Collor.

Uma parte do aumento dos fluxos de capital é explicado pelo fenômeno do contínuo processo de internacionalização das empresas pelo globo, dividindo sua cadeia de produção em etapas realizadas por diversos cantos do planeta. Mesmo empresas de um mesmo país podem possuir unidades de produção espalhadas por várias regiões do mesmo.
Outro fenômeno que se pode observar é o desaparecimento de grandes empresas nacionais ou regionais que não conseguem competir com os novos competidores exteriores. Em Jundiaí isso é marcante, podemos citar várias grandes empresas que existiam na cidade, brasileiras e que desapareceram, como a Argos, Vigorelli, ou várias multinacionais que se instalaram na cidade nas últimas duas décadas, como Siemens, Ambev ou, mais recentemente, a Foxconn.

Sendo assim, a competição capitalista cada vez se resume a um número cada vez menor de gigantescas corporações que competem globalmente e, por outro lado, observa-se o acirramento da disputa interestatal para atrair os investimentos externos. Por outro lado, essa disputa também existe entre os estados federativos brasileiros e suas regiões. Essa competição de Estados se deve porque os investimentos externos hoje são uma importante via para desenvolver economicamente uma região, criando novos empregos, direto e indiretamente, e aumentando a renda per capita.

Uma empresa, quando decide abrir uma nova unidade de produção, busca o local mais vantajoso para a sua atividade. Ela considera os recursos de uma região (custo e produtividade da mão-de-obra, acesso à matéria prima), a proximidade com mercados consumidores, infraestrutura, política fiscal, arranjos institucionais, etc…

Jundiaí não está de forma alguma fora dessa realidade.  Por isso, deve ser preocupação dos governantes da nossa cidade observar se nossa cidade oferece vantagens competitivas suficientes para atrair investimentos externos e termos uma política econômica ativa, apesar de os instrumentos de política municipais serem limitados. No caso do poder executivo local, essa função está diretamente relacionada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que, como está descrito no site da Prefeitura, “procura divulgar as características favoráveis do Município para a atração de novos investimentos, promove estudos e estreita laços com as entidades públicas e privadas, bem como com as demais Secretarias Municipais, visando prover a cidade, permanentemente, das condições que propiciem a continuidade de sua trajetória de desenvolvimento econômico associada a padrões elevados de qualidade de vida e justiça social”.  Porém, indiretamente, varias Secretarias são importantes. Uma cidade com uma boa infraestrutura; com elevados níveis de saúde e educação; com serviços públicos eficientes, sem burocracia, e com baixos níveis de corrupção, contribuem para a atração de investimentos. Essas qualidades são consideradas no cálculo empresarial no momento do investimento. Nessa hora é importante ressaltar o importante papel fiscalizador do legislativo municipal para garantir que a Prefeitura cumpra seu papel.

É evidente, no entanto, que a vinda de investimentos externos deve ser condicionada, para que o crescimento gerado se torne concretamente em desenvolvimento. Ou seja, que o crescimento econômico não seja selvagem, mas socialmente benigno, gerando empregos que sigam as leis trabalhistas e renda, e ambientalmente sustentável. O papel de condicionar novos empreendimentos se deve principalmente ao Legislativo Municipal através da Lei Orgânica. O Plano Diretor é outra importante ferramenta que o município possui para pensar sobre isso. Por exemplo, um tema que sempre está em pauta na cidade, vale a pena liberalizar a construção de novas indústrias, que vão gerar renda e emprego, em áreas de mata nativa? Nós, enquanto sociedade jundiaiense, achamos que vale a pena ou não?

Assim sendo, em conclusão, garantir que a cidade tenha vantagens competitivas deve ser sempre um objetivo do governo já que nos encontramos em uma economia capitalista globalizada e com cada vez mais competição, seja entre governos (e nos seus níveis nacional, estadual ou municipal) ou corporações.

Dessa forma vamos garantir a futura instalação de futuras empresas em nossa cidade, garantindo uma importante fonte de demanda de empregos para nossos cidadãos e o contínuo aumento da renda per capita da cidade. Buscando, evidentemente, que esse crescimento econômico seja socialmente benigno e ambientalmente sustentável.

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Uma resposta para “Investimentos em Jundiaí”

  1. Avatar wandir disse:

    esclarecedor, muito bom!

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