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Jundiaí, Cidade de Escritores

Publicada em 20/06/2014 às 01:15 | por George Savy

livros A literatura jundiaiense vai bem nos quesitos qualidade e quantidade. Mais de cem nomes figuram na cidade, privilégio que não se encontra facilmente na maioria dos municípios brasileiros. São principalmente na linha da poesia, mas temos historiadores, romancistas e autores nas áreas jurídica e religiosa, inclusive de autoajuda.

Jundiaí possui duas academias de letras; a Jundiaiense e a Feminina (AFLAJ). Tem o Grêmio Cultural Professor Pedro Fávaro que completará 10 anos em agosto próximo e a recém-formada Associação dos Poetas e Escritores de Jundiaí e Região (APEJUR). Portanto, essa categoria a qual também pertenço está muito bem representada, possui seus devidos espaços e sempre teve o apoio da Secretaria de Cultura na realização das atividades literárias em Jundiaí. No entanto ainda existem desafios a superar, possivelmente com algumas mudanças de posturas. Em 2008 realizei uma inédita pesquisa sobre hábito de leitura em toda a cidade de Jundiaí, onde foram ouvidos 1270 moradores. No questionário de sete perguntas na época, uma delas referia-se a nomes da literatura local. Somente 213 pessoas das 1270 citaram um ou mais nomes. A maior parte dos que conheciam nomes de autores da cidade estava na faixa dos 30 aos 70 anos de idade, vindo em sequência as crianças. Portanto, o desconhecimento acerca dos escritores da terra concentrava-se no público adolescente e jovem. E esta continua sendo a nossa realidade.

Anos atrás tivemos o programa “Cidade que mais lê”. Funcionou parcialmente e acabou. Em Sorocaba o projeto surgiu, funcionou e existe até hoje. Por que em Jundiaí, tão privilegiada de escritores, boa parte da população desconhece os autores?

Encontraremos as respostas analisando como e onde as atividades culturais foram realizadas nas últimas décadas. O primeiro passo é descentralizar as atividades, e isto começou recentemente a acontecer, com os eventos chegando aos bairros e espaços de leitura sendo formados, como o da UBS na região do Almerinda Chaves e Novo Horizonte. O segundo, os escritores devem sempre, na medida do possível, marcar presença nas atividades e nos espaços. Por fim, todas as escolas, sejam municipais, estaduais e particulares, deveriam abrir suas portas aos escritores para realização de feiras literárias e palestras. As escolas podem ser espaços transformadores dos bairros a partir do momento em que inovam, quebram a rotina. Temos casos pontuais, de algumas escritoras que desenvolvem atividades com crianças em determinadas escolas. A falta de expansão deste trabalho se dá basicamente por duas questões: escolas sem as devidas condições para receber os autores; bibliotecas fechadas e desorganizadas, falta de bibliotecária (o) e falta de pessoal ou de interesse da própria escola em trabalhar num projeto conjunto com os escritores. A segunda questão está em boa parcela dos escritores também, que por um ou outro motivo não dão valor a realização de um trabalho nestes moldes. Existem aqueles que ainda não aceitam popularizar seus trabalhos, sair da redoma do círculo acadêmico elitista. Por isso citei no início deste artigo “algumas mudanças de posturas”.

Jundiaí possui a faca e o queijo nas mãos para inovar na área literária e tornar os nossos autores mais conhecidos não só na cidade, mas na região. O desafio está lançado.

George Savy

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