Voto Consciente Jundiaí | https://votoconscientejundiai.com.br

Jundiaí deve ter um novo modelo de desenvolvimento: chega de comunidades bunker e comunidades muradas, deformações segregacionistas com a pretensa promessa de segurança.

Publicada em 10/05/2015 às 17:31 | por Marcelo Pilon

Acho que não apenas Jundiaí, mas o Brasil precisa rever seu modelo de crescimento. Primeiramente devemos nos reunir: encontrar alternativas, entender e compreender a situação de nossa cidade e buscarmos caminhos. Acredito que a única forma é através de uma construção horizontal, do voluntariado, e de contribuição espontânea.
Vivemos em um momento conturbado onde impera o sentimento de intolerância, do hedonismo que resvala em muito ódio, uma aliança maldita entre ostentação e o apelo pelo eu. Que se resume ao “nós-contra-eles”, o “eles” podendo se referir aos negros, ao diferente, às pessoas vistas como pobres. É muito comum vermos políticos e autoridades fomentar este ódio, direcionando a culpa ao outro, achando que a responsabilidade é sempre do outro.
Há uma filosofia milenar africana, que vem dos reis Núbios, a cinco mil anos atrás, que consiste no seguinte: a ética UBUNTU, que representa o rompimento com o individualismo. UBUNTU é pertencimento à comunidade, interdependência e colaboração. Diálogo, consenso, inclusão, compreensão, compaixão, cuidado, partilha, solidariedade. “Eu sou porque você é” – “nós somos porque você é e eu sou”. Importa a dignidade de todos. Assumir UBUNTU é colocar emancipação e cidadania em novos patamares. E sua filosofia vem lá da África.
Em contrapartida à ética UBUNTU, vemos um aumento do mercado imobiliário das comunidades bunker ou comunidade murada, com a pretensa promessa de segurança. Notamos também muitos políticos abraçarem a “causa” da mentalidade de muros e do afastamento social, tenta-se transformar esse código social segregacionista em lei. Quando se sanciona leis que abarcam esta mentalidade segregacionista é apenas uma questão de tempo para que as forças públicas se alimentem deste sentimento vigilante, cria-se o perfil “suspeito”. Ser visto como jovem, negro, aparentando desocupado ou pobre – um quadro que vai além do racismo clássico.
Recentemente participei de uma audiência pública – um instrumento de participação popular garantido pela Constituição Federal. Fiquei chocado pelo tom ácido do autor da proposição, um projeto de lei para a criação de mais deformações segregacionistas, que tanto combato. Deparei-me com uma perversa linguagem imobiliária que permeia as comunidades mais abastadas que defendem uma mentalidade segregacionista. Vi moradores expressarem um medo exagerado do crime, pela busca de autossuficiência e zelosos na sua exigência por “segurança”, mas não ouvi nenhuma manifestação solidária, daqueles que se colocaram a favor das deformações segregacionistas para com os bairros vizinhos ao seu, muito pelo contrário, ouvi vozes segregadoras e preconceituosas. Jundiaí é um exemplo negativo de poder público com visão especulativa; por décadas, as ruas e os bairros viraram um estorvo para os empreendedores imobiliários.
Um exemplo que deveríamos seguir em futuras audiências públicas é a filosofia TEKO PORÃ – Bem Viver que significa viver em aprendizado e convivência com a natureza. Somos “parte” da natureza e, para nossa própria sobrevivência como espécie, há que romper de uma vez por todas com a ideia de que podemos continuar vivendo “à parte” da natureza. Ele também se expressa na articulação política da vida, através de práticas como assembleias locais, espaços comuns de socialização, parques, jardins e hortas urbanas, cooperativas de produção e consumo, e das diversas formas do viver coletivo e harmonioso.
Professor Marcelo Pilon.

Bibliografia: Carta cidadanista. Disponível em < https://www.raizmovimentocidadanista.org.br/>. Acesso em: 24 de maio 2015.???????????????????????????????

Avatar

Leia mais sobre Outros

Uma resposta para “Jundiaí deve ter um novo modelo de desenvolvimento: chega de comunidades bunker e comunidades muradas, deformações segregacionistas com a pretensa promessa de segurança.”

  1. Avatar Marco disse:

    Quero parabenizá-lo pela visão, parece que alguns agentes na sociedade colaboram para que o clima de segregação impere, veja que alguns Planos Diretor, propõe criar ZEIS Zonas Especias de Interesse Social, que acabam sendo fora do eixo valorizado do município, e o poder dos especuladores imobiliários, que já se transformaram em verdadeiros latifundiários urbanos, impedem que a terra cumpra sua função social, possuem lotes e mais lotes como se fosse um ativo financeiro, impedindo que menos favorecidos tenham condições de morar nos bairros mais valorizados. Temos instrumentos para controlar este abuso, que é o IPTU, progressivo, porém, quem têm interesse em aplicá-lo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Link original: https://votoconscientejundiai.com.br/jundiai-deve-ter-um-novo-modelo-de-desenvolvimento-chega-de-comunidades-bunker-e-comunidades-muradas-deformacoes-segregacionistas-com-a-pretensa-promessa-de-seguranca/