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Miguel sonha em acabar com as favelas de Jundiaí

Publicada em 31/05/2010 às 16:56 | por Voto Consciente Jundiai

Naquela que talvez tenha sido a semana mais agitada de seu governo este ano, com o lançamento de diversos projetos — entre eles, o pioneirismo do fim da sacola plástica, o Consórcio da Serra, Hospital Regional etc. —, Miguel Haddad (PSDB) conseguiu abrir espaço na sua agenda para receber o Conselho de Leitores do BOM DIA. O combinado era uma hora de conversa, mas o próprio prefeito quis continuar o entrevistão, que foi bem além desse tempo.

Quando a situação é boa, como a de sua administração… o papo flui fácil. Não que os conselheiros tenham evitado qualquer assunto, pelo contrário. Miguel até reconheceu problemas, como no trânsito, e falou de diversos assuntos. Confira:

Orestes – Se tivesse que refazer sua trajetória política, o que mudaria?
Miguel Haddad – Toda administração tem acertos e erros, é natural. Mas não faria grandes mudanças. Na minha vida pública não mudaria nada.

Por que os políticos não admitem erros?
Miguel -Vai um pouco de cada um. Falo por mim: não tenho problemas em rediscutir temas. Para desenvolver ações, ouço a população sempre. Para mudar é importante saber o que pensa quem tem filho na escola, usa o hospital, anda de ônibus… Veja o caso do trânsito da Vila Maringá. Fizemos consulta, mudamos e depois voltamos atrás.

Zilda – Antes não era assim, os secretários é que iam ouvir as pessoas. O que mudou?
Miguel – Não tenho resistência em mudar coisas, mas faço hoje o que fazia em governos anteriores, embora com novas práticas, como o Café da Manhã com o Prefeito, o Jundiaí é Bom Viver Aqui. Tenho o hábito de visitar obras, ir aos bairros, conversar com todos.

Vinícius – Política se faz na rua ou no gabinete?
Miguel -Tem de ter gestão. O político deve seguir um viés administrativo, mas sem perder o compromisso com o social. Temos esse compromisso de levar oportunidades para todos, uma boa gestão. Do oitavo andar não dá para ter a sensibilidade, saber das carências…

Matias – Essa visão de gestão de resultados vem de promessa de campanha ou é algo novo na administração?
Miguel – São duas coisas que se completam. Temos de buscar a excelência em prestação de serviços. Muitos têm a visão de que o governo é construtor, mas na essência ele é prestador de serviços.

Edu – Água e esgoto são questões resolvidas?
Miguel – Fizemos um planejamento de longo prazo e hoje somos referência nacional. E vamos sair de 5 bilhões de litros de água na represa para 12 bilhões, pois estamos pensando daqui a 15, 20 anos. Jundiaí está em uma zona de conforto. Todos dizem que prefeito não gosta de investir em obra que não aparece, mas fizemos galerias e passamos ilesos dos alagamentos que vimos em tantas cidades este ano.

Edu – Nessa mesma linha de planejamento, como você vê o trânsito hoje e o que precisa ser feito para o futuro…
Miguel – Qualquer lugar no mundo tem graves problemas de trânsito. Fui para Seul (Coreia do Sul) e acabei optando por usar metrô em alguns momentos. A solução lá fora ou aqui é transporte público de qualidade para que o cidadão deixe o carro em casa e migre. Estamos trabalhando a possibilidade do VLT (veículo leve sobre trilhos), mexendo com os ônibus e fazendo investimentos viários.

Cite exemplos…
Miguel -Na Vila Arens, estamos mexendo na rua José do Patrocínio. Em outros pontos, fizemos diversas desapropriações e recapeamos muitas ruas, tudo com prioridade nos corredores de ônibus. No Centro vamos mexer, com o fim de algumas áreas de estacionamento nas ruas e pequenas desapropriações também. Estamos em um esforço pela mobilidade.

Vinícius – Novos terminais estão nos planos?
Miguel – É uma possibilidade. Mas agora vamos implantar o cartão Ganha Tempo. Começa no Jundiaí-Mirim. Na teoria, ele substitui terminais. Se não avançar, mudamos os rumos. Mas acredito que dará certo.

Zilda – Haverá reavaliação do Situ?
Miguel – O sistema de transportes é um longo caminho a percorrer. Há 15 dias, estive no BNDES e eles adotaram o nosso Situ como modelo para o país. Antes, lá atrás, só tinha ônibus ligando bairro ao Centro. Interbairros era coisa tímida, de qualidade operacional muito baixa. Hoje ainda enfrentamos o percurso negativo, no qual a pessoa volta um trecho. Mas com o Ganha Tempo queremos evitar isso. E acho que dará resultado. Também o GPS está muito próximo de ser implantado. Enfim, o transporte vai ter avanços. Já houve nos últimos 17 meses, mas queremos muito mais ainda.

A tarifa de ônibus na cidade é muito cara…
Miguel -Esse caro é relativo. Você não pode comparar o preço de uma cidade com outra simplesmente. Essa valoração de forma simplista é errada. Há governos que subsidiam a passagem, mas nós optamos por não fazer isso e investir no social, na saúde… Tem ainda que ver número de passageiros, idade da frota, e a nossa é muito boa. Comparar sem essa avaliação não reflete a realidade.

Zenilton – Temos ônibus lotado, alguns pontos foram retirados… Complicado falar em migrar do carro para o transporte público…
Miguel Haddad – Deixei claro que é preciso qualidade. A cidade é estreita, o trânsito difícil… Precisa melhorar? Sim. Mas estamos fazendo esforços. Sobre os pontos, são opções técnicas. Avaliamos todos os argumentos e se tiver de voltar atrás, sem problemas.

Tânia – Nessa política de pensar o agora e o futuro, o boom imobiliário preocupa?
Matias – Emendando: o sistema de transportes melhora de forma mais lenta que a ocupação imobiliária?
Miguel – Não há inchaço em Jundiaí. Todos os indicadores mostram que a qualidade de vida acompanha o desenvolvimento. Temos problemas, mas a qualidade se desenvolve também e de forma dinâmica. Não podemos deixar que a velocidade de ocupação seja mais rápida que as ações do poder público. Por isso, não descuidamos do monitoramento.

Parimoschi pede a palavra: “É preciso avaliar a política nacional de crédito para carros novos. Já são quase 250 mil veículos na cidade.”

Miguel – O acesso ao crédito e a melhoria de renda beneficia nossa população, o que é ótimo. Por isso, estamos trabalhando para melhorar o fluxo. Vamos construir uma ponte na divisa com Várzea, outra na altura da avenida dos Imigrantes. Teremos duas passagens por baixo da linha do trem na Vila Graff. Haverá outra ponte no Maxi. São 5 pontos de transposição para breve. Vamos desapropriar uma pequena área da Duratex para facilitar o acesso a quem vai para Várzea… Estamos agindo.

Edu – Qual foi a ‘sacada’ da Saúde, o que mudou?
Miguel – Você acha, então, que está melhor? Que bom (e solta o riso). Fizemos mutirões, mudamos procedimentos e trabalhamos na humanização do atendimento nas UBSs. Saúde é prioridade nossa. Vamos abrir concurso para mais funcionários na área, até setembro teremos o AME e logo assinaremos o convênio do Hospital Regional (o que foi feito na última sexta).

Orestes – O Hospital Regional vai desafogar o São Vicente?
Miguel – Sim. O AME não, mas o novo hospital com certeza. E virá o PA da Ponte, que tem verba de R$ 4 milhões, a UBS do Tamoio e outras ações.

Elis – Isso vai atrair mais gente de outras cidades.
Miguel – Claro. A fila só se resolverá quando os demais municípios cuidarem da sua Saúde. 35% da fila do São Vicente é de gente de fora, alguns até de outros estados. E se antes um-terço dos gastos era nosso, agora, mudou. O governo federal arca com um-terço e o município com dois-terços.

E o que fazer?
Miguel – Ninguém reclama da qualidade do São Vicente, mas sim da lotação, que é verdadeira. A AutoBan diz que não, mas a gente sabe que qualquer acidente a vítima vem parar aqui, mesmo se for perto da Capital. Isso congestiona. Cada cidade deveria ter a capacidade de cuidar de seu cidadão como nós fazemos.

Mas você cobra das outras cidades?
Miguel – (Risos) Vou contar um caso: conheci uma senhora de perto do Recife que vem periodicamente pra cá na casa de parentes só para se tratar. É um direito do cidadão: não tem atendimento na cidade, vai e busca onde tem. O poder público peca em não oferecer Saúde lá e ela achou um caminho vindo aqui.

Maria – Há projetos para a qualidade de vida dos idosos? Não só dar remédios, mas ajudar na nutrição, orientação física…
Tânia Pupo pede a palavra: 13% da população estão acima dos 60 anos. Hoje já há um trabalho de educação física para a terceira idade que será estendido para todas as UBSs. Vamos integrar o trabalho com educação, transportes…
Orestes – De zero a 10, uma nota para o Miguel pai e marido.Miguel – Deveria perguntar para a Maria Rita (risos). Imagino que ela me daria 10 (mais risos). Tenho duas filhas, de 21 e 24 anos, e as acompanho de perto. É uma convivência familiar intensa. Faço questão disso, de almoçar junto, esperar quando elas voltam à noite para casa, até discutir trabalhos escolares.

Elis – Como pessoa pública recebe muitas reclamações. Faz terapia? Qual a válvula de escape?
Miguel – Gosto dessa relação direta com a população e vejo como natural as reivindicações. Não me estresso. Nervoso eu fico com obra inacabada. Mas faço pilates, gosto de correr e tenho equipamentos para fazer exercícios em casa.

O que o deixa feliz?
Miguel – Fui ao São Vicente e uma senhora veio dizer que estava tratando de um câncer de mama revelado no mutirão que fizemos. Isso mostra que a ação foi correta, ajudou. Isso me deixa feliz. Ir ao encontro da melhoria de vida das pessoas.

Edu – E a Serra do Japi, o que se pode esperar na luta da preservação?
Miguel – Cada ano desapropriamos 1 milhão de m. Em 2004, fizemos uma das leis mais importantes, pois preserva mais que a estadual. Em 2009, houve novo passo com a ação consorciada dos municípios. O agora aprovado consórcio é fundamental.

Orestes – Hoje Jundiaí tem 250 guardas. Há previsão de aumento?
Miguel – Segurança é competência federal, mas como há um vácuo, agimos. Quero guardas na porta da escola, intensificando o Anjos da Guarda. mas estamos estudando sim a possibilidade de aumentar o efetivo.

Maria – Você já priorizou algum dos pedidos dos artistas feitos no Café da Manhã com o Prefeito?
Miguel – Não tenho ainda uma posição. Isso foi só há 15 dias. Mas tudo foi encaminhado e a secretaria está avaliando possibilidades técnicas, financeiras.

Orestes – Jundiaí pode ganhar um museu?
Miguel – Estamos avançando na educação, com novas 1.125 vagas em creches, isso sem contratar e sem construir. É gestão mesmo. Temos escolas-piloto com aulas em tempo integral, uma proposta pedagógica única e um critério de avaliação também único. Levamos dois professores ao primeiro ano. Museu é importante, mas dentro de nossa escala de prioridade, planejamos uma grande biblioteca primeiro.

Avalie seu governo.
Miguel – Fiz o café da manhã e uma senhora me presentou com produtos em conserva. Ela é do Terra Nova, fez um curso na Semis na minha outra gestão e hoje emprega pessoas, produz e vive disso. Ou seja, demos oportunidade. Avalio o governo em dois aspectos: que a cidade se desenvolva e todo mundo seja contemplado, ninguém fique para trás. Minha gestão é por resultados e meu compromisso em primeiro lugar é com quem precisa mais.

Orestes – Qual a obra de seu sonho?
O desfavelamento total de Jundiaí. Fazer dessa uma cidade sem barracos e com as pessoas morando com dignidade no mesmo lugar. Shangai era em cima de um rio, não tinha espaço, por isso não conseguimos. Mas fizemos isso na Fepasa, Vila Ana. E vamos ampliar.

Em 30 anos de política, uma mágoa e uma emoção.
Miguel – Não sei se é mágoa, mas precisamos construir um processo político no qual se discuta programas, pautas. Jundiaí e o Brasil precisam avançar. Uma emoção é dar credibilidade ao poder público. Fomos a segunda cidade a implantar a compra aberta, com o que reduzimos em 20% nossas contas. Agora, lançamos o Portal da Transparência.

fonte: BOMDIA. publicado em: 29/5/10

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