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Mobiliário urbano: as lixeiras da cidade. Um olhar mais atento para o Centro.

Publicada em 14/01/2013 às 00:01 | por Marília Scarabello

O termo “mobiliário urbano” é utilizado para se referir a objetos e equipamentos instalados, de modo geral, em áreas públicas, para uso dos cidadãos e como suporte às redes urbanas fundamentais, tais como: rede de água, luz e energia, coletores diversos, lixeiras, telefones públicos, etc.

Este artigo trata especificamente das lixeiras, fundamentais para o correto armazenamento temporário do lixo produzido diariamente pela cidade, pois mantêm o meio urbano limpo, evitam a proliferação de animais transmissores de doenças e o entupimento de bueiros, que causam eventualmente alagamentos e enchentes.

Apesar de possuírem todas as funções citadas acima, nem sempre as lixeiras estão adequadas à demanda do local onde estão instaladas. Muitas vezes elas estão mal dimensionadas, apresentam um projeto falho ou pouco funcional, estão instaladas de forma equivocada no meio urbano, prejudicando a circulação de pessoas e a própria coleta de lixo.

Se observarmos de forma genérica as lixeiras espalhadas pela cidade de Jundiaí, veremos que em muitos pontos existem problemas. Obviamente, mapear e apontar todos os pontos e problemas exige tempo, um olhar cuidadoso e bastante apurado. Portanto, elegi o Centro como o objeto de estudo para este artigo, por possuir características que se repetem em vários pontos da cidade, por ser um bairro já estruturado (e que teoricamente não deveria apresentar problemas), por ter uso misto e bastante intenso, ser conhecido e frequentado pela maioria dos jundiaienses e principalmente, por ter um grande fluxo de pedestres (que necessariamente fazem uso das lixeiras).

Ao caminhar pelo Centro da cidade de Jundiaí, é possível perceber que as lixeiras são bastante utilizadas e que existe uma boa quantidade delas espalhadas pelo bairro. Apesar disto, existe também bastante lixo jogado no chão, nos canteiros e dentro dos bueiros. É possível verificar que, em determinados horários, muito lixo é colocado nas ruas em locais onde não há lixeiras disponíveis, ao mesmo tempo em que em outros locais, as lixeiras existentes não dão conta da quantidade de lixo depositada. Nos dois casos, o lixo que fica na rua, largado nas calçadas, muitas vezes acaba aberto, vazando e sujando de forma definitiva o espaço público. Enquanto isso, em alguns locais próximos aos pontos onde há muito lixo, algumas lixeiras ficam praticamente vazias durante todo o dia.

A partir destas simples observações é possível levantar algumas questões:

  • Como está nosso mobiliário urbano? As lixeiras instaladas nos diversos pontos da cidade são adequadas?
  • Faltam lixeiras? Elas estão bem localizadas?
  • Como podemos melhorar a distribuição deste equipamento tão importante para a cidade?
  •  As pessoas se apropriam das lixeiras ou as ignoram? Existe o cuidado de manter a cidade limpa?

Se as lixeiras instaladas fossem adequadas, certamente os problemas citados acima seriam menores ou não existiriam. A maioria delas apresenta o mesmo desenho e tamanho, sendo que em cada ponto existe uma demanda diferente. Além disso, poucas são as lixeiras pensadas para separar o lixo orgânico do reciclável. A cidade possui uma coleta seletiva, que poderia ser aprimorada e facilitada se houvesse, além dos dias certos de coleta, locais corretos e específicos para depositar cada tipo de lixo. Neste sentido, tornar o mobiliário mais inteligente, com tamanhos diferenciados para as demandas diferenciadas, seria um ganho bastante relevante para a cidade, pois o lixo acumulado pelas calçadas e ruas diminuiria.

Em um passeio pelo Centro da cidade é fácil encontrar lixeiras posicionadas em locais questionáveis, que atrapalham o fluxo dos pedestres, já que boa parte das calçadas é estreita. O ideal seria posicioná-las em locais com um pouco mais de amplitude, para que pudessem inclusive ser maiores (quando houver esta necessidade).

A população utiliza bastante o equipamento, mas não suficientemente. Prova disso é a quantidade de lixo jogado no chão. Em alguns pontos realmente faltam lixeiras de pequeno porte e as pessoas jogam o lixo em qualquer lugar sem se preocupar. Muitas reclamam que não existem lixeiras suficientes, quando na verdade são elas que não se propõem a dar alguns passos a mais até encontrar alguma.

Nenhuma cidade pode ter lixeiras a cada metro quadrado. Então cabe a população se conscientizar de que nem sempre é possível haver um ponto de descarte de lixo na porta de sua casa ou de seu comércio (principalmente quando o imóvel está localizado em uma rua estreita e movimentada, com calçadas estreitas), e adquirir o hábito saudável de se dirigir a lixeira mais próxima e adequada à demanda do local – desde que localizada a uma distância confortável.

Boa parte das lixeiras em Jundiaí apresenta cor e modelo padrão, com espaço para publicidade. Seria interessante utilizar este espaço para conscientizar a população da importância de jogar o lixo no lugar certo, através de anúncios educativos, ao invés de ocupá-lo com anúncios particulares.

A soma destas ações, pontuadas neste texto para o Centro, podem evidentemente ser pulverizadas por toda a cidade e melhorariam consideravelmente a situação que envolve o lixo em Jundiaí.

Existem muitos desafios em torno da coleta de lixo e alguns foram inclusive apontados, neste início de ano, pelo site Oa Jundiaí*. Todos os problemas exigem da cidade um estudo apurado, um plano estratégico e logístico, conscientização e comprometimento da população.

Sem comprometimento, não há estratégia e infra-estrutura que solucione completamente a questão. E tudo começa pelo lixo que é depositado nas lixeiras, ou que deveria ser. Por esta razão, repensar este mobiliário urbano (desde seu desenho, tamanho, até a sua localização) é importante, senão fundamental, para o correto funcionamento  de todo o sistema.

foto (1) foto (2)

fotos do Centro: Marília Scarabello

-sacos de lixo depositados ao lado da lixeira- por serem maiores que ela/ lixo depositado na calçada no meio da tarde para ser coletado, ocupando parte do espaço destinado a circulação de pedestres/ A calçada bastante manchada pelos resíduos do lixo (novamente fora da lixeira)/ lixeiras absolutamente cheias na metade do dia.

*Oa Jundiaí: oajundiai.com.br.

Links das matérias citadas:

www.oajundiai.com.br/cidade/cotidiano/lixo-2

www.oajundiai.com.br/cidade/cotidiano/recolhimento-do-lixo-e-conservacao-ganharao-plano-de-manejo

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8 respostas para “Mobiliário urbano: as lixeiras da cidade. Um olhar mais atento para o Centro.”

  1. Avatar Lígia Luciene Rodrigues disse:

    Olá Marília! Parabéns pela estréia!
    A questão do mobiliário urbano é essencial para o funcionamento da cidade, como você colocou no texto, no caso das lixeiras, acredito que é uma questão que só precisa de um pouco de atenção e cuidado pelo poder público para funcionar bem. Quando caminho pelo Centro da cidade sinto falta de mais lixeiras, a mesma coisa acontece na Vila Arens. Por exemplo, ao lado de pontos de ônibus uma lixeira é imprescindível.
    Sobre a questão de uma lixeira por metro quadrado, agora em alguns bairros de São Paulo tem ruas com lixeiras fixadas em todos os postes, aí também é um exagero, super desnecessário, imagine a lojística para a coleta do lixo de todas essas lixeiras… além de criar um clima que parece que estão chamando toda a população de porcos e preguiçosos. Não podemos caminhar até a lixeira mais próxima? Acho um absurdo!
    É isso aí, um mobiliário urbano inteligente é fundamental.

  2. Marília, parabéns pela estreia e pelo debate levantado!

    Se me permite, acertou a mão! Olhou para uma questão local, aprofundando o tema e buscando soluções. Acaba por construir um artigo que nos inspira a imaginar ideias, a olhar com mais atenção e sermos mais questionadores!

  3. Marília, quero agora debater com teu artigo!

    Gostei do panorama que traçou e de ter analisado com um pouco mais de atenção o nosso centro.

    Aponta um ajuste de planejamento olhando para o nível de descarte/ produção de resíduos em algumas áreas e a adequação com lixeiras maiores.

    Também traz a necessidade de construirmos, com este mobiliário, uma energia de educação ambiental e cidadania: com os anúncios nas lxieiras, com mapas dos pontos de descarte, com lixeiras para resíduos orgânicos e para os recicláveis etc.

    Quero ressaltar dois pontos marcantes na cidade: Em média, as praças têm poucas lixeiras. As praças do centro seguem um pouco este padrão, com lixeiras nas calçadas (quando há). Chamo atenção deste outro mobiliário que, no centro de ruas estreitas, poderia ser ponto de coleta de lixo reciclável, para que não tenha o mau cheiro do orgânico (reforçando a relação das pessoas com a praça, criando um ponto de foco do Poder Público que fará a coleta etc etc).

    O segundo ponto: Desenvolveu-se, com a cultura dos saquinhos, o hábito de se colocar o lixo na calçada. Ainda não construímos uma política que avançasse neste tema e falta relacionar isso com informações mais ricas. Esta é uma prática ótima? Há margem para aprimorar? O lixo na calçada é um ponto de proliferação de pestes?

    Daí, assim como trouxe a necessidade de termos melhores práticas em locais de grande passagem de pessoas (centro), há pontos de acúmulo de água da chuva (com possibilidade de alagamento) que também precisaria de mobiliários específicos.

    abraços!

  4. Marília, o tema que você traz é pauta de muitas propostas e problemas relatados no Cidadonos, ou seja, anima o debate!

    Quero compartilhar os links para que você veja e interaja por lá!
    Em cada tópico, pode deixar um comentário breve com o link de seu artigo e dialogar com @ [email protected]!

    Que acha?

    http://www.cidadedemocratica.org.br/topicos/estado/sp/cidade/jundiai/tags/120/relevancia

    e

    http://www.cidadedemocratica.org.br/topicos/estado/sp/cidade/jundiai/tags/37/relevancia

    Pode ser uma forma de dialogar com pessoas interessadas, ouvir opiniões, colher informações e interagir em torno de propostas! Quem sabe não amadurecemos algo para lançar! Uma campanha, uma solução etc etc!

    Bora?!

  5. Avatar Marilia disse:

    Ligia, obrigada pelo comentário! Faltam lixeiras em diversos pontos da cidade. Isso é um fato. Mas é fato tbm que mesmo com a presença delas, muito lixo se vê no chão, nos canteiros, nas guias. Isso significa que o mobiliário por si só não faz milagre. É preciso educar as pessoas. Morei muito tempo no centro e me acostumei de certa forma a ver como algumas pessoas tratam o lixo. Agora estou morando em outro bairro, totalmente residencial, e mesmo assim vejo certas situações se repetirem, mesmo com lixeiras razoáveis a disposição. Mas eu acredito que com um mobiliário bacana e uma política mais cuidadosa é possível aos poucos ir corrigindo certos hábitos da população. É preciso haver um exemplo. E neste caso, qto maior for o cuidado da própria prefeitura com o mobiliário urbano geral da cidade, maior ficará a percepção das pessoas em relação a ele. Ao menos é o que eu espero! rs Abraço.

  6. Avatar Marilia disse:

    Henrique, obrigada pelo retorno! Sim, concordo e muito que as praças são carentes de lixeiras…mas na verdade, muitas praças em Jundiaí são carentes de tudo..rsrs…Algumas mal têm uma manutenção razoável. Em boa parte delas falta mobiliário urbano geral: bancos, lixeiras, iluminação que as favoreça, lugar para acomodar bicicletas. É fato que algumas estão recebendo muitos equipamentos, há varios exemplos espalhados pela cidade. O desafio é elas pararem de ser exemplos e se tornarem MODELOS. Sobre o lixo, eu acho que pensar essas lixeiras deveria vir junto com as novas estratégias logisticas, e não ser pensado antes ou depois delas. São coisas que precisam ser construídas juntas para funcionar. E para terminar, muita gente coloca o lixo na calçada pq o lixo simplesmente nao cabe nas lixeiras. Isso é ruim. Daria para fazer um estudo só disso. Atrapalha a circulação, “enfeia” a cidade e facilita a abertura dos sacos por animais, por pessoas, etc. Qdo chove, alguns sacos se vão com as corredeiras e acabam nos bueiros. Então, não é nem de longe uma prática positiva, principalmente para um município que almeja se tornar mais inteligente, sustentável. Não acha? Abraços!

  7. Avatar Eco Hábito disse:

    Se falta lixeiras nas ruas precisamos criar uma mobilização junto as prefeituras de nossas cidades para adquiri-las coleta seletiva de lixo é assunto sério. è preciso alertas a popilação para jogar o seu lixo no lugar certo prefrencialmente na lata do lixo.

  8. Avatar maria regina silva disse:

    Por favor,

    Gostaria que me informassem qual o espaço ideal entre uma lixeira e outra num mesmo quarteirão?

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