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Não é problema meu!

Publicada em 11/04/2013 às 21:25 | por Ede Galileu

Este mês, queria escrever sobre algo que me incomodou muito esta semana, só que ao mesmo tempo estava pensando que não é exatamente a “minha praia”, foi um caso ocorrido na Secretaria de Saúde aqui da cidade. Mas refletindo um pouco mais, percebi que o assunto diz respeito a mim também.

Bom deixe-me começar explicando o ocorrido:

Na semana passada me deparo com uma notícia na capa do jornal sobre um pastor ter sido contratado para prestar um trabalho de apoio espiritual no hospital São Vicente de Paula aqui na cidade. Juro que demorou um tempo pra “cair a ficha”, não queria acreditar naquilo, só a manchete do jornal já me fez pensar no monte de coisas sem sentido naquele caso.

Qual foi o critério adotado pra escolher a religião? Este pastor é formado em que? Foi concurso público? Mas e o princípio de caridade? Será que não existe nenhum ser iluminado o suficiente pra prestar este serviço como voluntário de acordo com os preceitos de seus dogmas religiosos? Será que irão contratar um representante de cada religião existente?

Eu sei que religião é um assunto delicado, mas não estamos falando exatamente dela, e sim de mau uso de dinheiro público e desrespeito à nossa constituição que diz que o Estado é laico.

Quando se diz Estado laico (ou secular), significa que ele é neutro em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. Um estado secular trata todos seus cidadãos igualmente, independente de sua religião ou a falta dela, e não deve dar preferência a indivíduos de certa religião.

Felizmente a pressão da população fez com que o tal pastor fosse exonerado na semana seguinte.

estado_laico

Então eu me pergunto o que este secretário de saúde estava pensando quando cometeu este ato impensado? Será que ele conhece a constituição? Será que ele não pensou no que as pessoas poderiam pensar disso? Meio difícil não pensar nessas coisas em momentos como estes onde outros pastores como Silas Malafaia e Marcos Feliciano tentam a todo custo nos impor sua crença e consequentemente acabam sendo os mais comentados em todo jornal, página de internet ou redes sociais.

Mas um caso como este nos faz pensar sobre a falta de preparo de algumas pessoas ocupando cargos públicos.

Infelizmente no nosso congresso hoje, temos um grande número de fanáticos religiosos do tipo que acredita naquilo que lhe foi “pregado” e em nenhum momento, duvida daquilo ou pense por outro ponto de vista.

Sim, eu sei que o assunto é chato e gostaria muito de ficar tranquilo vivendo minha vida e só fazendo o que eu gosto e deixar que os políticos se encarregassem destes casos, como se o problema não fosse meu.

Só que não… O problema é meu sim, consigo raciocinar claramente e defendo o que acredito, acho que a religião e a política não devem se misturar, afinal temos uma ótima referência no que diz respeito a países onde existe uma teocracia que é o caso do Irã.

Pra finalizar, fica uma pequena historinha que ouvi uma vez.

Certa vez, um rato olhou pelo buraco da parede e ficou aterrorizado quando viu o fazendeiro armando uma ratoeira. O rato saiu correndo para comunicar aos outros animais. Quando avisou a galinha, ela disse: 

– Mas isso não é problema meu, não me incomoda nem um pouco.

O rato foi avisar o porco, mas ele também disse que nada podia fazer, pois não era problema seu. O rato foi, então, avisar a vaca sobre o perigo da ratoeira, mas ela pouco lhe deu atenção. Também não era problema dela. 

Naquela noite, a dona da casa foi à cozinha para ver se algum rato havia ficado preso na ratoeira, mas como estava escuro, ela não viu uma cobra venenosa, que a picou. A mulher adoeceu e, no dia seguinte, amanheceu com febre. Resolveram matar a galinha porque o doente se recupera com uma boa canja. No fim de semana, muitos amigos foram visitar a mulher doente e, para servir-lhes o almoço, o fazendeiro resolveu matar o porco. A mulher não melhorou, vindo a falecer. Tanta gente compareceu ao enterro que o fazendeiro foi obrigado a matar a vaca para poder alimentar os amigos. 

 

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2 respostas para “Não é problema meu!”

  1. Avatar Rafael Kaen disse:

    Eu canso de falar que religião não é oxigênio e vejo que tenho razão, cadê o estado laico? A Dilma foi assistir a primeira missa do novo Papa e ao invés de ficar no consulado que é grande e belo, resolveu fechar um hotel e ficou 3 dias hospedada com a comitiva, gastou mais de 300 mil reais! Fazer o que deve fazer eles não fazem, só fazem as coisas para beneficiar panelinhas ou a si mesmo, o cara só foi exonerado porque muitos reclamaram, se todos votarem certo e cobrarem certo, dá pra melhorar.

    • Avatar Ede Galileu disse:

      Concordo, e é por isso que admiro cada vez mais o Presidente da Bolívia,José Mojica que preferiu não ir para esta primeira missa, foi só o seu vice, entre outras atitudes dele.

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