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O caminho se traça ao caminhar

Publicada em 21/01/2012 às 22:29 | por Simone Pligher

Passada a turbulência de final de ano, chega o momento de planejar e refletir sobre a manutenção ou ruptura de projetos,  planejamento de ações, declaração de sonhos. Num ritual que demarca mais um ciclo, é comum faxinarmos armários, jogarmos coisas foras, reorganizarmos prioridades, estabelecermos metas.

O Voto Consciente também fez esse balanço, vimos o que foi construído desde sua fundação, as contribuições de cada um, os avanços, as idéias a serem aprimoradas, o papel de cada um.

Não vou repetir o conteúdo de outros artigos escritos neste blog  a respeito das mobilizações e projetos do Voto no ano de 2011,  mas acho que vale a pena fazer algumas considerações sobre o concurso Cidadonos,  sem sombra de dúvidas, o evento que marcou a trajetória do movimento no ano de 2011.

De fato, o concurso inovou na forma e no conteúdo, conseguindo reunir,  tanto na plataforma de sugestões concorrentes como na cerimônia de premiação, pessoas dos mais variados segmentos sociais e políticos, demonstrando ser possível driblar diferenças e incompatibilidades na convergência de propostas de interesse comum.

Essa linguagem pluralista faz da participação no  Voto Consciente uma experiência muito rica,  pela necessidade de escutar e respeitar diferenças e de construir apesar e a partir de variadas visões de mundo, pois  cada um tem sua história, sua perspectiva, sua experiência.  Na minha visão pessoal,  é muito interessante perceber a horizontalidade das decisões tomadas pelo grupo,  talvez fruto de uma  visão de poder trazida pela nova geração,  muito mais voltada para a autonomia e  cooperação do que para a velha fórmula “sigam o chefe”.   Novos olhares e perspectivas  são necessários para tentar resolver velhos problemas,  mas é preciso abertura e flexibilidade para abraçar o novo sem abrir mão do que já se construiu e conquistou.  A idéia é agregar e não excluir.  Não é um caminho fácil, tampouco  previsível,  mas é um caminho necessário para quem se dispõe a sair da “zona de conforto” por entender ser necessária a participação efetiva na construção da cidadania.

O ano de 2012 será especialmente desafiador pela realização das eleições municipais e as consequentes manifestações passionais que permeiam as disputas políticas.  Confesso que não tenho a mínima vocação para esse espetáculo que mais parece final de campeonato de futebol, muitas vezes tenho vontade de ignorar completamente as questões políticas,  escolhendo o candidato no palitinho e viajando para a praia no “feriado” das eleições, ao melhor estilo Hatuna Matata do Rei Leão da Disney. Mas esse é o caminho mais fácil e sabemos que a vida adulta não é fácil, temos consciência de como a política pode afetar nossas vidas e de como é necessário em nosso país trabalhar para o fortalecimento da Democracia, da Legalidade e da Ética.  É preciso ter paciência de Jó para não se irritar com os discursos maniqueístas que demonizam ou endeusam uma parte em detrimento de outra, num jogo estúpido de desqualificação que não leva a nenhuma reflexão profunda e somente empobrece a discussão.

Para mim, que não tenho afinidade com a política partidária mas que entendo ser crucial fazer alguma coisa para o envolvimento da sociedade nas questões públicas,  o  Movimento Voto Consciente é uma forma de tentar dar algum tipo de contribuição, seja através de atividades como “ficha pública”, seja através de promoção de debates entre candidatos ou de discussões no blog, sempre primando pela diversidade e respeito as diversas opiniões.

Como muitos brasileiros,  sou constantemente tocada pela  desesperança, pela descrença e pela impotência, mas como dizem por aí, brasileiro não desiste –  temos que continuar a construir um caminho possível para que a democracia seja algo concreto, para que novas idéias possam florescer e as pessoas possam de fato ocupar seus espaços de cidadania.

 

 

Simone Pligher

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2 respostas para “O caminho se traça ao caminhar”

  1. Simone, querida!

    Gostei bastante de seu artigo e nestes últimos dias ficou claro pra mim como o Voto Consciente pode contribuir muito para uma falsa polarização da política jundiaiense, que em vez de confrontar ideias e ideologias (algo bastante saudável), cria um ambiente agressivo, de boatos e denuncismos.

    Individualmente, não estamos alheios a isso. Afinal, a dinâmica eleitoral é intensa. Mas além de tomar os cuidados necessários e refletir em nossas ações, como grupo, podemos contribuir de forma muito especial para um novo paradigma. Para um ambiente e para uma democracia cooperativa.

    Cada um, saltimbanco e líder ao mesmo tempo, pode contribuir para uma cidade mais fértil ao evitar estes conflitos vazios e polarizações ao estilo “FlaxFlu”. Como diz Benevides, construir a possibilidade de fazer política sem ter de ser, necessariamente, de A ou B.

    abraços do henrique

    • Avatar Simone disse:

      Obrigada, Henrique!

      A parte mais legal do Voto Consciente, para mim, é o “Consciente”. Hoje vemos derrocar muitos de nossos antigos sonhos e parece que estamos vivendo em sistemas mortos, por isso é tão importante esforços para reinventarmos um novo jeito de olhar e resolver problemas.
      Acredito que tudo que possa levar o ser humano a uma maior consciência de si e do mundo que o cerca é saudável e com certeza traz desenvolvimento e prosperidade no sentido mais legítimo.
      Claro que todos nós temos nossos “pontos cegos”, por isso mesmo é tão importante escutarmos e olharmos uns aos outros sem julgamentos precipitados e desenvolvermos a capacidade de experimentar andar com os sapatos alheios.

      bjs

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