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O carnaval de rua e as metas legislativas

Publicada em 13/02/2013 às 13:01 | por Márcia Pires

refogado

Depois de ficar em sincera e cruel dúvida sobre o tema do artigo deste mês, entre discorrer sobre o carnaval de rua da cidade e as metas legislativas, decidi que podia falar sobre ambos, num mesmo texto, já que uma linha em comum os une até o final deste apanhado. Há tempos não se via em Jundiaí o que se assistiu nos últimos dias. Uma Jundiaí alegre, festeira, ativamente participante dos movimentos em blocos organizados para comemorar o Carnaval. O tradicional bloco do centro da cidade, o Refogado do Sandi, há duas décadas puxando o cordão da folia na sexta-feira de carnaval, já chegou com sabor de festa, saudado pela magnífica abertura feita pelo bloco Chupa que é de Uva, na semana anterior. Vila Progresso e Vianelo deram continuidade à festa no sábado. Com seus bolinhos, sua alegria e cerveja gelada, o conhecido Bar do Dito viu em poucas horas mais de mil bolinhos de carne se esvaírem por entre os componentes e simpatizantes do  bloco Carne com Queijo, estreante nas ruas da Vila Progresso. Acabaram os bolinhos, acabou a cerveja. Só não acabou o fôlego dos foliões, que partiram na sequência para o bairro do Vianelo a fim de continuar o desfile no bloco da Ponte Torta e se refrescar com as geladas do Bar Natura.

E tinha até concorrência! O Bar do Baiano, em frente à concentração do bloco, do outro lado da rua, também entrou na dança e aproveitou para ajudar a abastecer os sedentos foliões jundiaienses e de outras cidades da região. Depois de um domingo de descanso, o bloco Continuamos na Nossa, retomou a fome por samba, marchinhas, risos e porres pelas ruas da Ponte São João, onde tudo começou. O gosto triste de fim de festa tinha ainda que ser compensado: o bloco Concentra mas não Sai, na terça-feira, no mesmo bar Natura, encerrou a folia  deixando todos os fantasiados já com saudade e com sentimento de “o ano que vem tem mais”… Mas o que toda esta narrativa tem a ver com metas legislativas? Tem a ver a partir do momento em que passamos a refletir sobre a excepcional e histórica adesão popular aos blocos de rua e como a população foi estimulada a participar. Que a sociedade se organiza cada vez mais em redes é fato.

Isso porém, por si só, não exclui outro fato: o de que desta vez está muito clara a necessidade do que costumo chamar de “existir em comunidade” ou ainda, um “sentimento de pertencimento”. Não apenas isto, como faz-se muito presente também o clamor por mudanças. Mudanças que começaram com a renovação política na cidade. E não como num passe de mágica, mas como uma afirmação de crença no que está por vir, as pessoas tomaram as ruas numa vigorosa demonstração, inconsciente até muitas vezes, de que – agora sim – poderão fazer parte daquilo que sempre lhes pertenceu. Agora sim, poderão finalmente estar no centro das decisões tomadas pela administração pública municipal e, mais que isso, se encontram estão libertas para falar, cobrar, reivindicar, fiscalizar e apontar.

Desde 2011, quando foi criado o Programa de Metas Legislativas, a cidade de Jundiaí conta com onze propostas construídas e validadas a partir da união de importantes organizações sociais jundiaienses com a interlocução da ONG Voto Consciente. Algumas dessas metas, como a criação da tribuna livre e o estímulo aos debates públicos, além da realização das sessões no período noturno encontram-se em adiantada fase de estudos para posterior implementação. Mas é preciso muito mais. É preciso um esforço contínuo e conjunto em busca do avanço para o cumprimento dessas metas. Juntas, elas constituem a grande base de uma administração alicerçada no atendimento às verdadeiras necessidades do município e seus cidadãos. Ao ir para as ruas curtir intensamente tudo o que a festa do carnaval de rua tinha a proporcionar, a população também demonstrou que, sim, basta saber convocá-la, basta saber como chegar a ela. Com isso essa mesma população abrirá, certamente, o necessário canal de cobrança pelo cumprimento do programa de metas legislativas.

 

 

Márcia Pires

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Uma resposta para “O carnaval de rua e as metas legislativas”

  1. Avatar reinaldo oliveira disse:

    Salve ….

    Muito legal a costura ligando os dois fatos. Continuo sendo fã dos seus escritos. Tbém tive esta sensação de mais alegria na cara do povo. E, de maneira particular, mas também colaborativa, em algumas participações no Face, fiz a sugestão que depois desta alegria dupla, é necessário começar a discutir a liberação das praças públicas. Abaixo a cerca nas paraças públicas. A praça é do povo!!

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