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O espaço das bicicletas em Jundiaí

Publicada em 16/03/2014 às 09:44 | por Colunista Convidado

Artigo de George Savy <[email protected]>

Em 1997 estive na cidade de Patos de Minas, que possui em torno de cem mil habitantes. Circulei pela cidade toda e notei o hábito dos moradores de utilizar a bicicleta para locomoção. A região central é plana, mas os bairros possuem topografia acidentada, o que não impede a população de pedalar. O centro, por possuir trânsito carregado de veículos, possui ciclovias nas principais ruas (foto). Conclusão: na década de 90 já havia consenso em algumas cidades para incluir as ciclovias no Plano Diretor.

004Aqui em Jundiaí o assunto parece gerar desconforto diante do desafio de fazer o trânsito fluir e aumentar a velocidade média dos ônibus. Mas o projeto de ciclovias, se alavancado por etapas e com critérios técnicos, pode sim contribuir para melhorar a mobilidade e estimular o uso da bicicleta como mais uma opção.

Já temos pedidos e estudos para implantação de bicicletários nos terminais do SITU. O ponto nevrálgico está na reestruturação de nossas ruas para permitir que os ciclistas trafeguem com segurança, pois implicará em mexer sobretudo nas faixas de estacionamento de veículos. É inevitável, se hoje os carros são os donos das ruas, eles terão que ceder um pouco do espaço para as bicicletas. Por outro lado, existem espaços que não serão utilizados por veículos e permitem a implantação de ciclovias. Temos como exemplo as áreas ao longo de córregos e de torres de transmissão.

Na região leste da cidade, o lado oposto da Avenida Luiz Zorzetti comporta ciclovia com segurança, aproveitando uma área de vale, ao contrário da Avenida dos Imigrantes Italianos. O mesmo pode ser feito ao longo do espaço lateral ao Córrego das Walquirias. A ciclovia não causa o mesmo impacto que a abertura de ruas e avenidas, cuja legislação atual exige uma determinada distância do rio ou córrego. Ao longo de terrenos de propriedade das companhias de energia, existe também espaço de segurança que não fica embaixo da fiação; e como sabemos, é mais comum ocorrer acidentes com fiação nos postes das ruas do que em torres.

Como notamos, existem inúmeras possibilidades de se encontrar espaços para os ciclistas, é apenas questão de se debruçar sobre o estudo da malha viária da cidade e a utilização dos espaços vazios, espaços estes que estão em sua maior parte degradados. A implantação de ciclovias pode ser integrada à recuperação ambiental desses espaços, que não devem ser focados apenas como espaço de lazer, e sim de passagem para a locomoção cotidiana, para estudo e trabalho do cidadão.

Importante acrescentar que os estudos das ciclovias devem ter uma abrangência regional, estarem integrados aos projetos da Aglomeração Urbana. Várzea Paulista é conurbada com Jundiaí na região da Vila Cristo e de Ivoturucaia, e Itupeva (Bairro da Chave) com o Jardim Novo Horizonte. No futuro teremos mais pontos de conurbação, e não podemos deixar acontecer para depois reestruturar. A implantação de novos bairros e vias deve seguir um critério que permita a flexibilidade no quesito mobilidade urbana.

Colunista Convidado

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