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O eterno conflito entre os Cidadãos e Árvores Urbanas

Publicada em 11/09/2014 às 13:41 | por George Savy

1512231_10201197236521219_1318934976_oSe animais selvagens não tem vez nas áreas urbanas, as árvores plantadas pelos cidadãos também geram discussões e atritos, ainda que tenham sido plantadas dentro de critérios técnicos, de acordo com as normas da área urbana.

Isso se deve em grande parte a desinformação da população, que desconhece tanto as tais normas como nunca teve a devida educação ambiental na grade curricular. Hoje toda essa enxurrada de informações rotuladas de “ambientalismo” ajudam em parte a desabrochar a consciência, como no que se refere a reciclagem e o controle da poluição. Mas as árvores ainda são vistas como “estorvos”, por mais que sejam proclamados seus benefícios. É semelhante ao que ocorre com as lombadas: todos querem uma lombada em sua rua, perto de sua casa para conter a velocidade dos veículos, mas ninguém quer a dita cuja em frente a sua casa. Idem ponto de ônibus. Perto, mas não em frente de casa.
As intrigas entre cidadãos e poder público revelam a falta de compromisso de ambos os lados. Trincas em calçadas e muros, queda de galhos sobre fios de alta tensão e sobre veículos, podas feitas sem critérios e fora de época, para tudo isso existem soluções, mas o famoso jogo de empurra prevalece.
As prefeituras dizem que hoje todas as informações estão na internet, no site. Lá o cidadão pode saber o tipo de árvore adequada para a calçada, medidas do nicho (que é a abertura em torno do tronco) e como proceder para todo tipo de solicitação, como poda, remoção, etc. Porém nem toda a população está dentro da chamada inclusão digital. E boa parte dos inclusos, não busca tais informações por questões que já sabemos de cor e salteado. Dessa forma, assistimos em todos os bairros a prática danosa às árvores urbanas: poda feita de qualquer jeito pelo morador, fechamento do nicho e até os casos extremos, como corte ou envenenamento.
O que o poder público precisa fazer é se aproximar do cidadão. Técnicos e voluntários irem aos bairros para conversar com os moradores. Espaços existem: escolas, igrejas, clubes e associações de bairro. Por sinal, as associações de bairro carecem de reuniões e palestras do gênero. Normalmente são lembradas somente nos anos eleitorais. Aí as pessoas marcam presença no local.

Além deste ponto importante, outra situação crítica e longe de solução é após a remoção, quando ficam os tocos na calçada. Jundiaí poderia ser chamada de “cidade dos tocos” devido a quantidade de árvores que foram retiradas há anos e os tocos permanecem nos nichos. Da parte da população, existe o descaso e o comodismo. A árvore “incômoda” foi retirada da frente da casa do fulano, “problema resolvido”. O morador não tem a consciência de que o nicho com o toco podem proporcionar acidentes com pedestres. O poder público poderia desburocratizar a questão. A árvore foi retirada, entra com a chamada máquina “destocadeira”. Afinal, está registrado que a árvore foi retirada. Mas não, o morador precisa fazer nova solicitação. Burocracia do poder público, mais descaso do cidadão, a cidade está cheia de obstáculos nas calçadas. Também falta um projeto urbano de arborização. Quais as ruas que devem receber arborização e que tipo de árvore? Temos muitas ruas com árvores embaixo de fiações e do lado que não existe fiação não tem árvores. São enormes incoerências, que podem ser resolvidas a partir da atitude dos cidadãos e da vontade do poder público em levar a sério esta questão.

George Savy

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Uma resposta para “O eterno conflito entre os Cidadãos e Árvores Urbanas”

  1. Avatar isidro Lopes disse:

    Pelo que vejo as cidades simplesmente não foram pensadas para as arvores, tanto é que em fotos antigas de centros urbanos as arvores estão ausentes. A qualidade de vida das cidades necessita de arvores e de preferencia das grandes, que fazem sombra, abrigam passaros, ajudam a controlar o clima e a qualidade do ar, mas infelizmente nas areas mais antigas as calçadas são estreitas e as pessoas intolerantes com as arvores, houve um tempo que eu fazia mudas de arvorés nativas e distribuía, as pessoas perguntavam coisas ridiculas como “não cresce?”, “não caem folhas?” e a maioria simplesmente não queria árvore alguma porque o espaço que dispunha seria uma futura garagem ou passagem para algum auto. As cidades podem remediar a inadequação que existe para a existência destes belos seres, algo que pode ser feito é transferir essa horrivel rede de fiação para vias subterreneas, isto é possivel tecnicamente e esteticamente agradável. Quanto aos tocos que ficam no local onde uma árvore foi removida, alem do risco aos pedestres, fica a tristeza por mais uma parte da vida natural que foi removida do nosso convívio.

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