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O progresso e o Beija Flor

Publicada em 03/11/2011 às 19:10 | por Simone Pligher

Uma das coisas mais agradáveis no meu bairro, o Jardim da Serra, é a tranquilidade. É um bairro pequeno, com poucas ruas de acesso e transito insignificante, o que possibilita conviver com as maritacas, joão de barro e beija flores que habitam as árvores e telhados locais.
Todavia, para minha tristeza (e dos demais moradores), esse sossego está com os dias contados, pois oito torres de apartamentos estão sendo construídas nas imediações e provavelmente uma via de acesso será aberta, aumentando de forma vertiginosa o fluxo local.
Há quem fale que isso se deve ao desenvolvimento e progresso da cidade, mas será mesmo que Jundiaí possui uma demanda de moradias nessa proporção? Seria isso sinal de desenvolvimento? Quem serão esses moradores, pessoas locais ou oriundos de outras cidades? Que benefícios esse tipo de projeto trará?
Atualmente tratamos como sinônimos crescimento econômico e desenvolvimento, contudo, embora seja possível e desejável a existência de correlação entre ambos (pois o dinheiro deveria servir para melhorar a qualidade de vida das pessoas, tanto individualmente como coletivamente), nem sempre isso acontece.
Falo do meu bairro porque o que esta acontecendo aqui simboliza uma visão de mundo bastante presente em nossa cultura, onde  as coisas consumíveis passaram a ter um valor por si mesmas, desvinculados do bem estar que possam proporcionar.
Ostentar uma cidade cheia de prédios e com um grande shopping, ainda que amarguemos nosso preciosos tempo no trânsito passa a ter um sentido de “riqueza” para muitas pessoas, inclusive para os governantes, que reproduzem esse discurso.
Contudo, se pararmos para refletir o que de fato nos deixa felizes, certamente descobriremos que o bem estar está relacionados a outros valores. Obviamente  as pessoas precisam de conforto, mas uma cidade próspera vai muito além do PIB e da renda “per capita”.

Lamentavelmente, deixamos de ser cidadãos e passamos a agir como mero  consumidores, anulamos a qualidade de vida em detrimento do crescimento financeiro, perdemos a capacidade de nos vincular uns aos outros para a construção do bem comum em nome de uma falsa sensação de segurança individual.
O poder econômico parece brotar do asfalto como grandes edifícios,  fazendo sombra  nas ruas e intimidando os indivíduos.
Nesse mundo, parece mesmo não haver lugar para beija flores.

Simone Pligher

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Uma resposta para “O progresso e o Beija Flor”

  1. Avatar Edison Prado de Andrade disse:

    De fato consumimos a vida ao invés de a degustarmos como a um bom e velho vinho… Simone nos brinda com suas palavras eivadas de verdade e compromisso com a terra querida… Obrigado.

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