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O que nos diz a inteligência coletiva jundiaiense

Publicada em 03/11/2013 às 20:48 | por Henrique Parra Parra Filho

A inteligência coletiva é um conceito que descreve um tipo de inteligência compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos em suas diversidades. É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na humanidade, já que, ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa.

Boa parte das propostas de cultura apontam para os bairros, para a necessária territorialização das ações culturais. Depois de pautar a necessidade de leis de incentivo que fortalecessem os recursos destinados à cultura – propostas em destaque em 2011 – agora as propostas apontam para espaços que favoreçam a cultura em bairros como o Vianelo/Vila Arens, Engordadouro/Tulipas, Retiro/Guanabara/Gramadão e o Centro, que já em 2011 despontou como bairro de vocação cultural e que, além do circuito permanente, agora recebe ideias sobre um cinema, sobre sinalização turística e zoneamento de interesse cultural para virar zona criativa. Complementando a lista, a proposta de um Atelier Público que viabilize e facilite a produção cultural quer aproveitar a reforma do Glória Rocha e criar um novo Paço das Artes.

E boa parte destas propostas, pensadas para os bairros, também apontam para meio ambiente. Na Vila Arens, por exemplo, a proposta é de um Parque Linear do Rio Guapeva. No Retiro, um Jardim Botânico e no Engordadouro, estimular ações culturais no Parque do Tulipas. Sobre meio ambiente, as propostas continuam com um novo olhar para as áreas verdes e de lazer, estimulando a intervenção de moradores para florescer hortas, pomares e agroflorestas que se conectem com a Serra e potencializem a educação ambiental. Esta ideia fica ainda mais forte com a proposta de Corredores Agroflorestais e se conecta com uma nova agricultura na cidade. Fechando o tema, a proposta de alteração do código de obras e edificações para incorporar critérios e incentivos para a construção verde e a sustentabilidade!

As propostas de cidadania, nesta edição, apontam para a garantia ou promoção dos direitos de crianças e adolescentes. De forma ampla, abrem uma agenda de articulação entre Estado e Sociedade e entre os Três Poderes. Apontando a necessidade de uma Vara da Infância, da promoção de uma Justiça Restaurativa e da Promoção da Saúde Mental. Acabam por criar uma agenda embrionária que, ao tratar de tema tão complexo, indica a necessária intersetorialidade e abordagem sistêmica nas ações. De forma mais pontual, também aparece a proposta de implementação local da Lei de Acesso à Informação, em especial na transparência da Câmara Municipal.

Os temas de educação e saúde aparecem como dimensões chave de propostas culturais, de cidadania, de meio ambiente e nos bairros. Menos do que pedir equipamentos específicos ou qualidades genéricas, os participantes parecem apontar para espaços de convivência que promovem a saúde ou para uma formação educacional que contribua com as artes e a saúde mental. Chamam atenção três propostas mais específicas; para saúde, a que pede a construção de uma Casa de Parto (humanizado). Para educação, a que pede apoio e atenção para que os estudantes de escolas públicas noturnas passem a receber merenda. Também para os jovens de escolas públicas, há proposta para que a preparação voltada ao vestibular/ENEM seja reforçada.

O debate sobre a tarifa de ônibus também aparece, na dúvida entre um modelo gratuito (tarifa zero) e outro que cobre pelo km usado. No concurso realizado em 2011, 5 das doze propostas vencedoras eram no tema de mobilidade e todas elas foram acolhidas e assumidas como compromisso do Programa de Metas de Pedro Bigardi. Parece que os cidadãos e coletivos ligados a este tema se encontram num compasso de espera e cobrança, mais focados nestes cinco compromissos antes de formular novas ideias.

Apenas de 01 de Maio de 2013 a 03 de Novembro de 2013 foram 645 comentários, sendo 59 ideias, 93 perguntas e 43 respostas. Desde o início das ações de #webcidadania promovidas pelo Voto Consciente e importantes movimentos sociais da cidade, em 2009, já são cerca de 4200 jundiaienses participantes, sendo que 48% deles têm entre 14 e 29 anos. Construímos, na base do voluntariado, uma poderosa ferramenta de inteligência coletiva e um dos principais espaços de participação social da juventude jundiaiense.

Estamos consolidando em nossa cidade, uma nova forma de participar politicamente e uma grande oportunidade de tomar decisões dialogando com a inteligência coletiva e aprendendo com esta sabedoria! Quando olhadas em conjunto, conseguimos perceber grandes agendas e transformações que podem mudar o ponto em que estamos hoje, construindo políticas que aproveitem toda a emoção, afetividade e amor contidos nas pessoas que compartilham seus sonhos.

Cabem três grandes desafios para que este amor não seja anêmico, ou seja, para que haja poder e transformação social; a construção de uma aliança entre lideranças que acreditam nesta inteligência e queiram fortalecer a participação social; o debate mais profundo em torno de algumas destas agendas, construindo base mais clara e técnica; e finalmente a resposta dos governantes, com ações concretas que, acima de tudo, seja endereçada aos coletivos e participantes.

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Uma resposta para “O que nos diz a inteligência coletiva jundiaiense”

  1. […] Em momento de retrospectiva e reflexão – não para lamúrias, mas para saber onde estamos e para onde queremos ir – observo, ao ler os artigos anteriores, que um dos desejos apontados no concurso Cidadonos 2013 é a implementação local de Lei de Acesso á Informação (https://votoconscientejundiai.com.br/cidadonos/o-que-nos-diz-a-inteligencia-coletiva-jundiaiense/). […]

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