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O Simbolismo das Praças

Publicada em 24/10/2014 às 23:47 | por George Savy

praça JanczurAs praças nas cidades brasileiras sempre figuraram em cartões postais. Difícil encontrar uma cidade que não tenha cartão postal de pelo menos uma praça. Isso porque nas praças é que as famílias se reuniam para descanso, bate-papo, encontro com os amigos e lazer das crianças. Portanto as prefeituras davam atenção especial às praças, principalmente nos itens limpeza e paisagismo.

Com o crescimento desordenado das cidades nas últimas décadas, as praças começaram a receber mais pessoas. Mais pessoas exige maior atenção, o que o poder público não conseguiu oferecer em termos de segurança e limpeza. A “cultura shopping” também contribuiu para que as prefeituras se acomodassem. O apelo do marketing destes centros comerciais, com “segurança e limpeza”, fez a cabeça do cidadão, que definitivamente trocou os passeios ao ar livre pelo espaço fechado.

A “cultura shopping” é mundial. Mas em vários países as praças têm o devido cuidado das administrações municipais, especialmente em países europeus. Praças que são reformadas, porém as prefeituras levam em conta suas características originais; e o cidadão, mesmo frequentando shoppings, não deixa de passear pelas praças. Isto revela o sentimento de amor que o cidadão tem por sua cidade.

No Brasil muitas prefeituras mexeram em praças históricas nem sempre no intuito de melhorá-las ou adequá-las ao crescimento da cidade. Reformas foram feitas na intenção de deixar a “marca da administração”. Dessa forma, símbolos da cidade, como monumentos ou árvores nativas da região foram substituídos ou encobertos por outros monumentos e paisagismo que nada tem a ver com o histórico da cidade.

Em Jundiaí as duas praças centrais, em frente e atrás da Catedral, passaram por reformas que mudaram totalmente seus aspectos neste último século. Todo o entorno da igreja era composto por jardins no estilo francês. Veio a grande reforma, que diminuiu o verde e foi instalada a fonte luminosa. Anos depois outra reforma radical que retirou a fonte, deixando espaço maior para os pedestres. Finalmente, mais uma reforma, onde foi implantado o monumento às caravelas.

Enquanto as duas praças centrais – Governador Pedro de Toledo e Marechal Floriano Peixoto “sofrem crise de identidade”, as reformas na região do Largo São Bento respeitam a identidade histórica, preservando o calçamento de pedras portuguesas cujo desenho do Sr. Tomanik simboliza Jundiaí e suas cidades vizinhas.

O fechamento das praças com grades, que começou na Praça da Bandeira, também é uma agressão ao patrimônio, e revela o ponto extremo que nossas cidades chegaram na questão da segurança pública. Este tipo de medida é equivocado, pois o problema apenas muda de lugar, para outras praças e permanece nas ruas. Se fecharmos todas as praças, o problema dos furtos e dos moradores de rua, que dormem nos jardins e bancos destes logradouros, continuará presente nas ruas! Portanto, o problema não está nas praças, e sim na questão social, na segurança pública.

A situação das praças é o termômetro da cidade. O tipo de reforma feita revela cada tipo de administração, se é uma administração preocupada de fato com a qualidade de vida da cidade ou se apenas quer dourar a pílula e deixar sua marca registrada.

George Savy

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Uma resposta para “O Simbolismo das Praças”

  1. Na foto, a pequena Praça Barão de Jundiaí com seu chafariz! Lugar dos mais inspiradores e que merece uma boa dose de arte!

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