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Olhos e ouvidos às margens da Câmara Municipal de Jundiaí

Publicada em 25/04/2016 às 12:13 | por Marina Di Fiore Segre

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Começo este texto com um questionamento que encontrei no livro “A era da Iconofagia”, do professor Norval Baitello Jr.: “será que, nesse mundo de inflação da visualidade, ainda estamos vendo ou apenas imaginamos estar vendo?” Acrescento, ainda, o verbo ouvir nesta pergunta: estamos ouvindo ou apenas imaginamos estar ouvindo?

Após um longo período de “hibernação” com os fatos políticos e sociais do país, decidi acordar para a vida e pensar no coletivo como solução de muitas questões práticas, sociais e emocionais. Não culpo minha família por não ter me dado um direcionamento melhor na política, tampouco por eu ter vivido a maior parte da minha vida em uma cidade provinciana. A culpa sempre foi minha de não estourar a bolha do comodismo e libertar o espírito do que não condizia com minha essência.

Com o questionamento acima, posso dizer que estamos sufocados. Sufocados de ícones, logotipos, imagens desconectadas do nosso ambiente, entorno, história. Muitas vezes achamos que estamos ouvindo e vendo com muita nitidez, mas não estamos. A carga de informações é tanta que não conseguimos discernir de que lado estamos, de qual opinião compartilhamos. Eu realmente estou entendendo o que eles estão falando? Respira.

O que isso tem a ver com o Movimento Voto Consciente? Tudo. A experiência de vivenciar as sessões da Câmara Municipal de Jundiaí desperta e conecta o ouvir, o manifestar, o chorar, o riso, a fúria, os aplausos, a vontade de gritar, de ir embora, de ficar, de abraçar, de tentar entender o porquê, de entender que somos plurais, que nossas opiniões se divergem e que tudo isso não quer dizer que exista uma verdade só.

Essa experiência sensorial me fez refletir o quanto é importante colocarmos a empatia em prática, o quanto precisamos nos unir e fazer da política um lugar mais convidativo para o progresso social e humanitário.

As redes sociais são um grande caminho para a informação, mas, também, geram ruídos na comunicação. Esse consumo exacerbado de imagens que vemos a todo instante em nossa timeline pode nos cegar quando não entendemos os dois lados da moeda. Nenhuma verdade é absoluta, a apuração dos dados e o simples ouvir são gestos grandiosos perante o caos que vivemos nos tempos atuais. Questionar a chuva de informações que recebemos diariamente é o primeiro passo para a formação de opiniões coesas.

Vivenciar essa experiência me fez mais cidadã do meu próprio mundo, possibilitando a mudança de dentro pra fora, como deve ser. (Marina Segre)


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