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Os tijolos centenários do Polytheama em uma catarse rock-sinfônica

Publicada em 06/11/2014 às 09:09 | por Thiago Secco

  Quase 40 anos após o lançamento original de “Os Mitos e Lendas do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, obra grandiosa e conceitual do tecladista inglês Rick Wakeman, os tijolos centenários do teatro Polytheama, em Jundiaí, receberam a peça em sua integralidade. Dá pra acreditar?!

  A apresentação, tendo à frente a Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, movimentou a cidade no último domingo (2). Um bom público já se formava à frente do teatro sob o sol forte das 13h30 para retirar o ingresso – gratuito – que começou a ser entregue na bilheteria pontualmente às 14h, como anunciado.

  Ali estavam jovens, não tão jovens assim e aqueles que tiveram a oportunidade de comprar o disco de Wakeman quando do lançamento original, lá em 1975. Nesse encontro de gerações e sonoridades, óbvio, também faziam-se presentes fãs confessos do vocalista André Matos, uma das vozes escaladas para o show. Não raro, camisetas do Viper e do Angra (ex-bandas de Matos) eram vistas transitando pra lá e pra cá. Aliás, a foto do rock star brazuca foi exaustivamente usada como chamariz ao show.

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  Mesmo não sendo nada chegado ao timbre característico de Matos, nem tampouco ao som duvidoso dos ex-grupos dele, tenho de admitir: o cara é um exemplo de profissionalismo e simpatia.

  Polytheama tomado por mais de mil pessoas, a apresentação somou ainda mais de 50 músicos sobre o palco em alguns momentos de pura catarse rock-sinfônica. Tudo muito grandiloquente, bem ao gosto do gênero nos idos de 70.

  Lá estavam a Banda Sinfônica, sob regência segura da maestrina Mônica Giardini, os vocalistas André Matos e Rubinho Ribeiro (que roubou a cena com sua voz poderosa) e Theóphilo Augusto Pinto, com a dura missão de assumir o posto de Rick Wakeman.

  Para ajudá-lo nessa inglória tarefa, dois minimoogs originais, que são sintetizadores analógicos surgidos no finalzinho dos anos 60 e que lapidaram a estética musical do rock progressivo. Faltou mesmo o tradicional Hammond, mas – vamos combinar – seria pedir demais.

  Escondidos pela Banda Sinfônica, um combo de rock tradicional dava números finais à apresentação, com o guitarrista Marco Prado, o baixista Itamar Colaço e a baterista Lilian Carmona.

  Na saída lenta após dois bis, fiquei com a sensação de ter ouvido o disco pela primeira vez, ainda que já o conhecesse com certa intimidade há quase 15 anos. O poderio instrumental de uma sinfônica ao vivo elevou o detalhamento das nuances da composição a um degrau que dificilmente pode ser reproduzido, quiçá pelo melhor sistema de som doméstico do mundo. Some-se à experiência uma das melhores acústicas de todo Estado.

  Uma noite que fica na lembrança de quem estava sentadinho por lá: após a derrocada do rock progressivo e de sua opulência ainda nos 70, lá estávamos nós, atônitos com o dialogismo cirúrgico do minimoog e a música orquestral, respaldados por uma competente e eletrificada banda. Por pouco mais de duas horas, o progressivo foi exumado de seu habitat e reinou soberano no centenário Polytheama. O público, jovens em sua maioria, não pareceu entediado com a ideia, como poderia sugerir alguns entendidos no assunto.

  Para não dizer que não falei das flores, Pirates, composição do Emerson, Lake and Palmer em sua fase declinante, também estava no programa, responsável por fazer Jundiaí voltar ao tempo em que a música era grande demais para entrar num pen drive do tamanho de um botão de camisa.

Thiago Secco

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