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Plano de Educação deve ser aprovado sem o tal “gênero”

Publicada em 19/06/2015 às 09:15 | por Colunista Convidado

O polêmico projeto que trata do Plano Municipal de Educação, a ser apreciado na sessão ordinária da próxima terça-feira (23), não deve provocar grandes discussões em plenário pelos vereadores de Jundiaí, salvo questão de última hora. A matéria deve ser aprovada pela maioria, já que a Prefeitura – após muita pressão dos políticos, de representantes de igrejas e da ala mais conservadora da sociedade local – decidiu retirar a palavra “gênero” do texto, que acabou mais verbalizada que a ampla maioria dos termos contidos no projeto.

A discussão, na verdade, resultou em verdadeira “caça às bruxas” nas últimas sessões da Câmara, ocasião em que grande parte dos vereadores chegaram a ameaçar não votar o projeto caso a “palavrinha” chegasse à Câmara embutida no texto da matéria, sem no entanto, em qualquer momento, tentar explicar à plateia, de forma mais profunda, o motivo de tanta rejeição ao tal “gênero”. Palavras e expressões como “preservação da família”, “absurdo”, “vai contra a lei natural das coisas” foram proferidas insistentemente nos microfones, ganhando, mesmo tempo, aplausos e vaias da assistência.

Muito se falou, mas pouco se explicou. Então vamos lá: os Planos Municipais, Estaduais e Nacional de Educação contêm diretrizes para a educação brasileira para os próximos 10 anos, incluindo propostas de diminuição do número de alunos por sala de aula e investimento dos governos nas escolas públicas. Isso inclui, segundo a proposta, a “identidade de gênero” e orientação sexual. As alas da sociedade descontentes com os projetos fizeram pressão para que eles (os projetos) fossem reescritos, suprimindo qualquer menção a gênero, orientação sexual e sexualidade. Os contrários acham também que seus filhos serão ensinados a fazer sexo, que aprenderão que não são homens nem mulheres, e serão influenciadas a serem gays, lésbicas, bissexuais e por aí vai.

Especialistas que se aprofundaram no assunto declaram que os planos não apontam – ou apontaram, já que a questão foi excluída dos planos – qualquer orientação sexual a ser seguida nem trazem qualquer menção sobre como exercer a sexualidade. Segundo eles, não é possível influenciar alguém a ser bissexual, ou qualquer outra coisa nessa linha, bem como não se pode forçar alguém a ser hétero. Os planos contemplam, na verdade, uma educação livre de preconceitos – inclua-se nisso o velho e conhecido bullying – que ensine as crianças não só a passar no vestibular, mas a se respeitar e saber lidar com as diferenças. E evitar, com isso, que jovens com grande potencial para a vida abandonem a escola muito cedo, cortando seu sonho pela metade.

Cláudia Maria Petroni Muller
Jornalista e professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira

Colunista Convidado

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