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Por uma cidade mais verde.

Publicada em 14/02/2013 às 23:48 | por Marília Scarabello

Em 19 de Dezembro de 2012  foi publicado, em diversos meios de comunicação, o ranking das 20 cidades mais verdes do estado de São Paulo. Jundiaí apareceu nesta lista em vigésimo lugar e isso foi motivo para comemoração, afinal, a posição da cidade no ano de 2011 era a de qüinquagésimo sexto lugar.

Essa posição realmente é um avanço, visto que a cidade está crescendo bastante e a tendência neste caso é que os vazios urbanos, muitas vezes com alguma vegetação, sejam ocupados por novos empreendimentos que normalmente suprimem parte da vegetação existente.

Muito se fala a respeito da preservação da Serra do Japi, sobre as leis vigentes e em como melhorá-las. A população já reconhece a Serra como um patrimônio da cidade, algo que precisa ser cuidado e acompanhado de perto. No entanto, poucos se preocupam com as áreas verdes e com a arborização no meio urbano, que são fundamentais para que a cidade possua um conforto térmico e até acústico, além de torná-la muito mais agradável e bonita.

Vários bairros da cidade não são tão arborizados como poderiam ser. Normalmente é uma soma de fatores que torna uma região mais “árida”: falta de espaço público (calçadas mais largas e canteiros) para o plantio de árvores, falta de uma política pública forte o suficiente para esta questão, falta de cuidado ou atenção da população, que muitas vezes prefere cortar uma árvore para evitar a “sujeira” que elas geram, a forma como a mídia noticia quedas de árvores durante tempestades (em sua maioria árvores doentes que não receberam cuidado adequado), fazendo as pessoas crerem que árvore na rua é sinal de perigo, a preferência das grandes construtoras por palmeiras ao invés de árvores justamente porque as primeiras não “sujam” as calçadas e por aí vai.

Hoje em Jundiaí existe um procedimento para quem quer remover uma árvore isolada doente ou que atrapalhe uma construção nova e que não esteja em uma Área de Preservação Permanente (APP). Este procedimento inclui o preenchimento de um requerimento (o modelo é oferecido pelo site da prefeitura) e o pagamento de uma taxa (chamada de doação) por cada árvore removida. A compensação só é solicitada em casos de a árvore removida ser nativa.

Isto quer dizer, a grosso modo, que para todas as outras árvores que não são nativas (mas que proporcionam sombra, atraem pássaros, ajudam a controlar a temperatura), é necessário apenas pagar uma taxa para se ver “livre do problema”.  Obviamente, quando são muitas árvores é necessário licenciar a remoção, mas esta é apenas uma etapa “burocrática”, já que o procedimento vigente permite a remoção sem compensação de árvores não nativas, apenas realizando o pagamento.

Avaliando tudo isso, chegamos à seguinte questão: Se conseguimos entrar neste ranking sem ter um procedimento um pouco mais rígido em relação à remoção e compensação das árvores, aonde a cidade chegaria se exigisse a compensação de árvores sempre que alguma fosse removida?

E aí vem uma sugestão: Por que não exigir o plantio de uma árvore nativa para cada não nativa removida? Esta atitude renovaria e recuperaria a paisagem natural da cidade aos poucos e evitaria o surgimento de novas áreas “áridas”. E outra questão: Como averiguar se o dinheiro arrecadado através destes pagamentos é direcionado de fato para o plantio de um número de árvores proporcional ao que foi removido em um determinado tempo?

A Prefeitura já faz compensações das árvores de acordo com as remoções que precisa realizar pela cidade. Agora falta o setor privado, a população, ser estimulada a fazer o mesmo e aprender a fiscalizar e a cobrar, tanto do setor público, quanto do privado, um procedimento de acordo com o que desejamos: que é uma cidade mais verde, mais agradável, bonita, confortável e preocupada com o meio ambiente.

>Link do Decreto nº 21.112/2008 – Remoção de Árvores- disponível no site da Prefeitura:

https://cidade.jundiai.sp.gov.br/PMJSITE/biblio.nsf/V03.01/smpmA/$file/60.pdf

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2 respostas para “Por uma cidade mais verde.”

  1. Avatar Lígia Luciene Rodrigues disse:

    Sempre quando vejo uma árvore sendo arrancada fico pensando se será compensada com o plantio de uma nova… ainda mais se aquele local recebe asfalto ou concreto, impermeabilizando o solo, o que agrava todo esse cenário, árvore por asfalto é uma troca horrorosa. A contrapartida dos empreendimentos imobiliários deveria ser maior e muito mais pensada em novas áreas verdes também… Aqui do lado de casa tinha 2 paineiras centenárias que foram derrubadas praticamente na madrugada para construírem um condomínio de prédios, sendo que hoje naquele local tem a quadra de tênis do condomínio… que sem graça…

  2. George André Savy George André Savy disse:

    Jundiaí foi uma cidade mais verde. Lembro que na década de 70 muitas ruas centrais eram arborizadas, como a Marechal Deodoro da Fonseca, Prudente de Moraes e a Jol Fuller. Devido às novas construções e o fato de serem árvores de médio e grande porte, quase todas foram retiradas, e hoje nestas ruas restam pouquíssimas daquela época. E um detalhe: não foram plantadas outras no lugar.
    Falta um projeto consistente de arborização urbana e falta consciência e educação ambiental. A primeira questão: quais espécies devem ser plantadas em qual tipo de via? Onde existe fiação aérea, qual o porte da árvore? Em ruas com calçadas estreitas, qual a largura que permite que seja plantada uma árvore? Qual a largura da calçada em que não se deve plantar? O cidadão possui dúvidas, que poderiam ser esclarecidas dentro desse projeto.
    Outra questão: fiação aérea. No entorno da catedral, foi feita fiação subterrânea, livrando aquela região do emaranhado de fios que causam acidentes (lembro que dois pintores de parede foram eletrocutados na área central durante o trabalho porque esbarraram na fiação que é rente aos prédios em muitas ruas). Esse trabalho de aterramento dos fios e cabos parou. Por que parou? Na própria capital e em muitas cidades do interior prefeitura e companhias de energia se uniram para aterrar a fiação. Segurança para as pessoas, visual limpo nas cidades e acaba-se o problema de corte de energia devido a queda de galhos nas fiações.
    As soluções existem. Depende unicamente de fazer, ou seja, diálogo, vontade política e união popular.
    Nesta questão popular, a educação ambiental faz falta, principalmente no ensino público e nas regiões periféricas. Os bairros periféricos são os mais carentes de área verde, mas não adianta plantar se não houver consciência do cidadão. É necessário um trabalho conjunto para que a comunidade cuide, proteja a praça e a arborização das ruas.

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