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Projetos finalistas do LabIC reúnem soluções de sustentabilidade, cultura e políticas públicas

Publicada em 02/05/2016 às 22:33 | por

Fazer as crianças da rede municipal de ensino vivenciar o ciclo dos alimentos através da compostagem, ocupar com grafite o corredor cultural entre a Esplanada Monte Castelo e o Mosteiro de São Bento e integrar os Conselhos Municipais com os grupos sociais de Jundiaí para criar políticas públicas foram os três projetos finalistas do primeiro Laboratório de Inovação Cidadã de Jundiaí, realizado na última semana no SENAC Jundiaí. Idealizado e realizado pelo Movimento Voto Consciente, o evento mobilizou cidadãos para criar alternativas viáveis que concretizassem as ideias vencedoras do tradicional Concurso Cidadonos. As três iniciativas selecionadas apresentarão seus projetos para uma banca de avaliação no dia 11 de maio.

“Nunca participei desse tipo de evento e acho que a ideia é muito inovadora para a cidade”, conta a psicóloga Giany Povoa, mentora de dois projetos selecionados. “É muito rico abrir um espaço para os cidadãos pensarem nas contribuições que eles podem dar para a cidade. É o que realmente vai trazer o desenvolvimento da cidadania participativa que a gente tanto espera.”

Durante o evento, os integrantes do laboratório participaram de aulas e workshops de capacitação, como a oficina de design-thinking e empatia dada pelo consultor Eilor Marigo. Aprenderam também a utilizar a ferramenta Canvas com as profissionais da oficina In-Pulsa, Marina Arilha e Luciana Sanfins. “O Canvas é um mapa-visual que reúne todas as informações relevantes para pensar estratégias de negócio, como a proposta, público-alvo, competidores, custos e receitas, tudo em um diagrama enxuto”, resume Luciana.

Maratona. No sábado, os participantes passaram dez horas ao lado de um time de profissionais especialistas e empreendedores experientes, que deram consultoria e mentoria para aprimorar os projetos. “Costumo participar de laboratórios e iniciativas desse tipo, mas esse teve uma metodologia nova, mais compacta, um clima bem intenso que motiva mais”, conta a mentora Fernanda Campagnucci, coordenadora de Promoção da Integridade da Controladoria Geral do Município de São Paulo. “Ter pouco tempo nos obriga a ser mais objetivos e a pensar no que é essencial. Pedi para os participantes explicarem sobre a ideia em um tweet, em 30 segundos.”

Os integrantes julgaram a experiência essencial para enxergar novas oportunidades e problemas que teriam passado batido sem as consultorias e mentorias. O jornalista Bernardo Vianna – idealizador de um portal que dá visibilidade às questões de crianças e adolescentes com dificuldade de aprendizado – percebeu que talvez não atingiria seu objetivo sem pensar em algumas questões levantadas por eles. “Me ajudaram a entender o público-alvo do veículo e e como apresentar o projeto para um possível financiador”, conta.

O psicólogo e coordenador de desenvolvimento institucional da PUC-SP, Daniel Polo, colaborou com a consultoria de indicadores, focando nas soluções que poderiam ser aplicadas imediatamente, assim como estratégias, sistema de dados e de informação. “Isso nos fez ver que precisávamos de mais estatísticas e mais exemplos de resultados práticos que o nosso projeto poderia trazer para o município”, conta a advogada Carmem Lúcia da Silva, que, ao lado da defensora pública Patricia Malite Imperato, pretende levar a justiça restaurativa para as escolas de Jundiaí.

Finalistas. O projeto de compostagem nas escolas das irmãs Larissa e Tatiana Tega e da bióloga Gabriela Tiburcio foi um dos três selecionados na segunda etapa do LabIC. Elas contam que o projeto foi praticamente reformulado. “Desde o início do evento até agora, quase tudo mudou. O Rodrigo [Bandeira] nos ajudou a redefinir o objetivo, as estratégias, o modo de captação, a montar uma planilha de custos, basicamente tudo”, explica Larissa, que trabalha com gestão ambiental e já tinha conhecimento do tema. O mentor do projeto, Rodrigo Bandeira, diretor da Enzima Consultoria e do Instituto Cidade Democrática, elogiou o esforço da equipe e o potencial da proposta. “O projeto já chegou em mim com muita maturidade, e agora estou ajudando elas a transformar o que é uma grande afinidade com o tema em um objetivo mais concreto”.

A co-autora e pedagoga Tatiana Tega explica que a ideia inicial tomou um foco educacional e uma dimensão muito maior. “No inicio, era a compostagem pela compostagem, o processo parava aí. Agora, decidimos fechar o ciclo. A criança vai vivenciar o processo completo, vai ver os restos da merenda se transformar em composto, jogá-lo na horta para adubar as mudas e colher os alimentos que vão virar merenda novamente”, esclarece.

Rodrigo Alvarez, especialista em captação de recursos, deu consultoria para todos os grupos e comentou que “às vezes, mexer no formato do projeto pode deixá-lo mais acessível e palpável”. Foi exatamente isso que aconteceu com outro projeto finalista, o da estudante Deise dos Santos e do Julio Cintrão, docente e mediador de redes sociais no SENAC. “As oficinas e a maratona nos permitiu criar um corpo para o nosso projeto, que estava muito bonito conceitualmente, mas não tinha ações concretas para realizar”, conta Julio.

Ele foi coautor da proposta vencedora do cidadonos que pretendia criar um projeto de lei para que os Conselhos Municipais cedessem cadeiras em suas reuniões para a participação de coletivos, grupos e movimentos sociais. “Com o LabIC, vimos que só uma lei não garante a participação desses grupos ou a qualidade dessa participação”, conta. A ideia inscrita inicialmente no evento era a de observar o Conselho da Criança e do Adolescente, que já possui cadeiras abertas para dialogar com esses grupos, estudar como essa integração se deu e como ela poderia ser replicada para ocupar mais Conselhos e criar políticas públicas melhores. “Ainda assim, estava muito acadêmico e a complexidade poderia distanciar ainda mais esses públicos ao invés de aproximá-los”.

Com a ajuda da consultora Jéssica Kobayashi, psicóloga e co-fundadora do Instituto Cidade Democrática, a equipe identificou ações e estratégias concretas para utilizar com os diferentes públicos que querem mobilizar. “Temos coisas muito palpáveis para trabalhar agora, como o desenvolvimento de um fórum e de materiais didáticos, como cartilhas e mapas, que ajudem esses dois espaços a se entenderem, além de criar uma plataforma para sistematizar, compartilhar e divulgar essas informações”, comemora o finalista.

O último grupo selecionado para a terceira e última etapa do LabIC pretende ocupar o corredor cultural de Jundiaí com grafite. “Quando eu li sobre a proposta do corredor cultural, não queria que fosse apenas sobre revitalizar obras e construções ao longo do percurso do corredor”, conta Gustavo Tavarez, grafiteiro e publicitário que criou o projeto ao lado da produtora de moda Bruna Santos e do analista de sistemas René Fernando de Araújo. “Vamos fazer um piloto com os parceiros que já temos para dar uma amostra do nosso trabalho e tentar dar continuidade através do financiamento coletivo. Nosso mentor nos ajudou a profissionalizar o projeto e vê-lo como uma empresa”, elogia Gustavo.

O mentor do Projeto, Victor Pucci, representante da incubadora Yunus Negócios Sociais, desenvolveu com os grafiteiros uma série de serviços e produtos a serem oferecidos. “Conseguimos encontrar um potencial muito grande e inovador, com uma proposta de valor que ninguém tem. Que eu saiba, não existe uma empresa que fornece os serviços que eles pensaram, que mobilize os integrantes das instituições a transformar um espaço ocioso dentro das escolas, empresas ou ONGs”, conclui.

Como prêmio, os projetos selecionados no LabIC terão visibilidade e a ajuda da banca avaliadora e do Voto Consciente para conseguirem apoio, investimento ou espaço na cidade. “O Movimento Voto Consciente faz questão de servir como ponte entre atores públicos e privados para a transformação de Jundiaí em uma cidade melhor”, declara o voluntário Henrique Parra Parra Filho.


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