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Relato sobre os protestos

Publicada em 25/06/2013 às 13:44 | por Colunista Convidado

Relato de Daniele Savietto

Eu, com meus 28 anos, vejo pela primeira vez uma onda de manifestações que reúnem mais de 100 mil pessoas para exigir algo do governo. Gostaria de ser enfática na quantidade de pessoas, porque manifestações já aconteciam desde sempre, pessoas lutando por um Brasil melhor e exigindo posições do governo também já existiam.

As manifestações em São Paulo, assim como as de Jundiaí, não foram as primeiras do gênero, mas todas realmente tomaram proporções midiáticas gigantes mobilizando assim o contingente que temos visto.

Dito isso sigo com meu relato sobre minhas impressões na manifestação do dia 20 na cidade de Jundiaí.

Cheguei na Avenida 09 de julho as 18:00, horário marcado para a concentração, pode ter sido relapso meu, mas não vi no evento os 2 horários necessários para um protesto, o de concentração e o de sair em marcha. Quando cheguei vi que isso estava confuso para todos, porque alguns já subiam para a Avenida Jundiaí enquanto outros esperavam.

Ninguém sabia ao certo que horas começar, as pessoas estavam bem perdidas, aí está o grande problema da falta de liderança, é necessário um grupo que defina pontualmente tudo o que é prático, como hora de saída, roteiro, concentração final etc.

Outra observação foi a faixa etária dos participantes, uma amiga minha brincou comigo dizendo que parecia uma passeata Teen, diferente do que tínhamos visto em São Paulo.

Havia também falta de foco nas exigências (problema não exclusivo a Jundiaí), aquele velho ditado que diz que tudo e nada caminham juntos.

De maneira geral achei as pessoas mais passivas, talvez pela maioria encontrar-se em uma manifestação pela primeira vez na vida, talvez por não saber o que realmente faziam ali, talvez por só querer uma foto bacaninha pro facebook, a maioria estava apática até em suas exigências.

Outro problema bem colocado por inúmeras pessoas eram as besteiras e as incompatibilidades presentes nos cartazes da galera ( problema não exclusivo a Jundiaí). Seria engraçado se não fosse triste, além de informações mal interpretadas que geram cartazes burros, as controvérsias eram gritantes, era como se na mesma manifestação alguns exigissem a volta da Ditadura e outros uma democracia verdadeira, como assim né.

O que eu vi foi um monte de gente que realmente não sabia o que fazia ali, o que podemos apontar pontos positivos e negativos.

Olhando pelo lado bom, e pensando que talvez 10% soubesse o que faz, e se apenas eles estivem presentes, o movimento não teria visibilidade e provavelmente caminharia mais lentamente para resultados concretos, o que é na verdade o que vinha acontecendo, então número, a massa é bom para agregar, para chamar a atenção.

Agora existe perigo nisso, o que já também vem sendo apontado por sociólogos etc., esse tipo de manifestação, com muita gente desinformada, despolitizada que luta por um país melhor, é o cenário clássico precursor de golpes ditatoriais. Um exemplo clássico brasileiro foi a Passeata da Família em 1964 que abriu margem para o golpe da ditadura militar.

Não estou dizendo que estamos às margens de algo assim, mas só pintando um cenário que não é nada novo (no sentido de novidade mesmo), e que este cenário também oferece riscos.

Concordo com quem já disse que é bonito ver as ruas cheias de pessoas lutando democraticamente, mas espero que este “despertar” seja verdadeiro e não preguiçoso, que as pessoas pesquisem e entendem o que estão fazendo e exigindo.

Por exemplo, grande parte das pessoas que pediam impechman não sabe realmente o que isso significa, quem assumiria o comando do país e como isso se daria. Ou ainda as pessoas que levantavam placas contra algumas medidas nunca pararam para ler e entender o que realmente são aquelas medidas.

Está na moda ser contra, Contra PEC 37, contra “importação” de médicos, contra lei nascitura, contra o governador, contra a presidente, contra o PT, contra o PSDB, contra regalias políticas, contra partidos políticos, contra a rede globo, contra tudo e qualquer coisa. Não estou dizendo que sou a favor a estas coisas,muito pelo contrário, mas é preciso entender para se posicionar, ter argumentos, ler as propostas de lei, não deixar sua única fonte ser um compartilhamento de frases do facebook.

Sei que infelizmente nossas escolas (públicas E particulares) oferecem pouca educação política, e o resultado é este povo despolitizado que não sabe lutar pelos seus direitos até por não saber quais direitos são esses. Ao mesmo tempo a informação nunca teve acesso tão fácil como agora. Se o povo realmente acordar irá pesquisar antes de sair levantando qualquer bandeira ou não levantado bandeira nenhuma, o que também é ruim.

É importante entender o que foi para estruturar o que será. Jundiaí possui uma nova liderança política, eleita pela população, acredito que as pessoas precisam saber o que esperam dessa liderança pontualmente para então exigir dela.

As próximas manifestações precisam também de uma liderança para organizar desde questões práticas como horário de concentração, saída de marcha, itinerário com propósito, até as mais filosóficas, como pautas de exigência. Uma liderança para dialogar com nossos governantes e com movimentos de outras cidades.

Outro passo antes de partir para novas manifestações seria promover debates públicos para que as pessoas interessadas pudessem ter informações seguras para entender melhor os movimentos.

Espero que o número de presentes que se dizem parte do povo que acordou, esteja realmente desperto e disposto a se envolver integralmente.

Colunista Convidado

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